29 dezembro, 2004

Qual foi o acontecimento do ano?

E porque já é da praxe fazer a pergunta:

Qual foi o acontecimento do ano, relacionado com Ambiente, que mais marcou Portugal e/ou o Mundo?

Ficamos à espera de comentários.

Consulta pública sobre poluição atmosférica

Permitam-me copiar na íntegra uma notícia do Instituto do Ambiente que julgo ser do interesse de todos os Europeus e que deve ser difundida o mais possível:

«A Comissão Europeia está a elaborar um plano de acção para a melhoria da qualidade do ar na Europa. Este irá incluir medidas com influência directa na nossa vida quotidiana. O modo como nos transportamos, o modo de produção e utilização de energia, a qualidade do ar que queremos, o preço de produtos e serviços, são todas essas questões que serão abordadas nesse plano. Assim, a sua opinião acerca da poluição atmosférica e dos seus efeitos é de grande importância para a finalização do plano.

Esta consulta irá permanecer aberta até 31 de Janeiro de 2005. Os resultados serão publicados em Março de 2005.

As suas respostas irão permanecer totalmente anónimas, excepto para as organizações que se queiram identificar.


Como participar na consulta ao público?

1 - O questionário está disponível em português a partir daqui.

2 - A sua resposta será enviada automaticamente à Comissão Europeia.


O site do CAFE (Clean Air for Europe) inclui os estudos mais recentes de qualidade do ar

27 dezembro, 2004

O Drama, o Horror, a Tragédia

Há cada coincidência na vida! Passo a explicar:
No dia 24, comentava cá por casa, a cultura científica dos nossos jornalistas que continuamente escrevem “calinadas” sobre os mais variados assuntos científicos ou, pior, nem as escrevem. Na semana anterior tinha saído um artigo na revista do Correio da Manhã sobre sismos , onde se fazia a previsão do número de vítimas caso acontecesse um sismo igual ao de 1755. O artigo, baseado na informação prestada por cientistas, previa 15 mil mortos devido exclusivamente a aluimentos de prédios e incêndios. O curioso é que em 4 (quatro!) páginas de artigo, nem uma única vez se fazia referência ao Tsunami, Maremoto, onda gigante – como preferirem – nem aos milhares de vítimas daí resultantes, etc, etc.
Triste coincidência, quando na manhã de dia 26 vejo as notícias….
Mas de facto, já dizia a “Tia”: Não há coincidências.
Imaginemos um sismo igual ao de 1755.
Juntemos ás 15 mil vítimas previstas por idóneos cientistas, mais alguns milhares de vítimas provocadas pela entrada de um Maremoto na baixa Lisboeta (previsão calculada por um não idóneo nem cientista - Eu). Quereremos imaginar um cenário de verão na costa Algarvia?
Se bem se recordam há cerca de 4 anos, em Agosto, houve uma “Onda Gigante” que assolou o Algarve. Felizmente não passou de uma ilusão óptica associada a uma onda de calor proveniente de África, mas que serviu de ensaio ao pior cenário possível. Apesar de residir em Faro há 6 anos, não me encontrava no Algarve quando isto aconteceu, mas tive um relato via telemóvel de alguém que se encontrava na praia de Faro naquele dia, naquela hora. A descrição era tão simples como isto: “ A GNR está a mandar-nos sair da praia, mas não sabe o que é aquilo. Estão milhares de pessoas na praia. O trânsito não anda, está toda a gente parada e dentro dos carros”. Este cenário durou pelo menos 45 minutos. Aproveito para referir que em várias partes do Algarve, nomeadamente em Portimão (relato in loco de um amigo) as pessoas que não estavam na praia, deslocaram-se para lá de propósito para ver a “Onda”…
Numa situação de um verdadeiro Maremoto, não haveria tempo para nada disto. Simplesmente acontecia.
Será provável acontecer? À falta de tempo para fazer uma pesquisa e fundamentar uma opinião pessoal em dados mais científico, basta ouvir as notícias. Segundo os especialistas que têm aparecido nos media a falar:
i) O sismo de 1755 tem um período de retorno de 250 anos, ou seja deveria acontecer um igual antes de 2005. Mas como a natureza não é aritmética pode, ou não, acontecer nos próximos 20 anos. Impossível de prever.
ii) Alegadamente, o sismo que assolou a Ásia serviu para aliviar algumas tensões na crosta terrestre que, associado à libertação de energia do recente sismo sentido em Portugal Continental, reduz as probabilidades de acontecer um sismo de igual magnitude ao de 1755.

Não quero ser um profeta da desgraça, muito menos um céptico em relação ao nosso sistema de protecção civil. Quero apenas relembrar-vos que não se trata de saber se vai ou não acontecer, nem quando. Trata-se apenas de sabermos reagir ou não a um cenário destes. E para isso, o planeamento devia começar a ser feito, ontem. Infelizmente temo que só a seguir a uma catástrofe destas iremos ter um dos melhores planos de contingência da Europa. É preciso cair uma ponte para se inspeccionar todas as outras, e mesmo assim….

Apesar de Lisboa ter um plano de contingência para sismos, duvido que as restantes cidades de Portugal possuam iguais planos. Em particular as do Algarve. A educação da população para estes cenários deveria ser uma prioridade.
Porque este se tornou num artigo de “desabafo”, e pouco científico, permitam-me contar mais uma história. Há alguns anos, houve um passeio de barco no rio Guadiana para estudantes. A meio do rio, houve um incêndio na casa das máquinas do barco. Os estudantes Portugueses nem se mexeram, havendo alguns que aproveitaram para tirar umas fotos “engraçadas”. Apenas uma estudante se dirigiu de imediato para os coletes salva-vidas, o que mereceu algumas risadas portuguesas. A dita estudante, era a única estrangeira no barco (ERASMUS). São aquelas pequenas histórias que me fazem pensar. Não me lembro de uma única vez ter participado num exercício de incêndio ou de sismo, quando sei que isso faz parte da vida de qualquer escola, ou empresa em alguns países (verdadeiramente) desenvolvidos.
Por via das dúvidas, há vários anos que tenho sempre uma lanterna e um estojo de primeiros-socorros em casa. Mais vale prevenir, do que remediar….

26 dezembro, 2004

ISO 14001 e 14004 – novas versões publicadas

Foram recentemente publicadas (a 15 de Novembro) as versões revistas e melhoradas das ISO 14001 e 14004, relativas a Sistemas de Gestão Ambiental. A International Standard Organization (ISO) espera que as novas versões (ISO 14001:2004 e ISO 14004:2004) sejam aplicáveis a mais organizações em todo o mundo.

Segundo Oswald A. Dodds, o Presidente do ISO Technical Group, que elaborou as duas normas, as novas versões incorporam a experiência prática adquirida desde a sua publicação em 1996, e são mais fáceis de compreender e utilizar. Além disso, aumentou-se a compatibilidade com a ISO 9001:2000, relativa aos Sistemas de Gestão da Qualidade. Por sua vez, a ISO 14004:2004 é mais consistente e compatível com a ISO 14001:2004 e mais aplicável às PME’s.

A ISO e o IAF (International Accreditation Forum) estabeleceram um período de 18 meses após a publicação da ISO 14001:2004, para que seja feita a transição dos certificados já emitidos pela ISO 14001:1996 para a nova norma. Após este período , o IAF apenas reconhece certificados segundo a nova norma.

Esse processo contempla duas fases de intervenção:

Na primeira fase, designada por período de preparação e que se prolongará até ao dia 15 de Maio 2005, as empresas poderão seleccionar o referencial de suporte da auditoria, independentemente da sua natureza (concessão, acompanhamento e renovação).

Nos doze meses que se seguirão, período de implementação, que terá o seu epílogo em 15 de Maio de 2006, todas as auditorias serão suportadas na versão de 2004 da ISO 14001. Durante este período eventuais não conformidades constatadas face a novos requisitos ou requisitos alterados na ISO 14001:2004 serão registados em relatório de auditoria, ainda que, e até ao final deste período, não tenham influência no processo de decisão da manutenção da certificação.

Após o dia 15 de Maio de 2006 só serão válidos os certificados de acordo com a ISO 14001:2004.

Fontes:

ISO - International Standard Organization

APCER - Associação Portuguesa de Certificação

A Energia Nuclear face a Quioto

Vi há dias num noticiário um representante da CIP – Confederação da Industria Portuguesa, cujo nome ou cargo não reti (mas penso que seria o presidente) apresentar como alternativa ao aumento de preços da electricidade previstos, a energia nuclear. Apresentou também como argumentos o facto deste tipo de energia existir em países como Itália, Espanha ou Alemanha. Esta posição surgiu como reacção à notícia de que as tarifas eléctricas vão aumentar 2,4 % para clientes finais em Muito Alta Tensão (indústrias) no próximo ano, comunicada pela ERSE – Entidade Reguladora do Sector Energético.

Surpreendeu-me esta visão que negligencia todas as outras formas de energia ambientalmente mais correctas que a energia nuclear. Será que a actividade industrial é tão intensiva no consumo de energia que só a nuclear permite satisfazer as necessidade do sector? Foi com estas questões que resolvi fazer uma pesquisa sobre a energia nuclear.

De facto, apesar deste tipo de produção de energia não emitir CO2, SO2 ou NOx, gera resíduos radioactivos, que têm de ser cuidadosamente geridos para que não ocorram graves problemas de libertação de radiação. Este aspecto suscita-me outra questão: com as metas previstas por Quioto, muitos governantes podem ver a energia nuclear como forma de diminuir as suas emissões atmosféricas. A minha pesquisa comprovou essa questão: encontrei declarações da Comissária europeia espanhola para os Transportes e Energia, Loyola de Palacio, afirmando que a Europa tinha de recorrer à energia nuclear de forma a cumprir as suas obrigações perante o Protocolo de Quioto, reforçando no entanto a ideia de que as fontes renováveis deveriam ser desenvolvidas.

É verdade que comparando as necessidades da energia nuclear com os tipos convencionais de produção de energia, a nuclear apresenta vantagens em termos da eficiência da conversão energética:

1 kg carvão: 3 kW·h
1 kg petróleo: 4 kW·h
1 kg urânio: 50 000 kW·h (3 500 000 kW·h com reprocessamento)

Também é verdade que em termos de uso do solo, uma central nuclear requer menos área que outro tipo de central energética:

Central nuclear/fóssil: 1 - 4 km2
Solar/Fotovoltaica: 20 – 50 km2
Eólica (campos eólicos): 50 - 150 km2
Biomassa (plantações de biomassa): 4000 – 6000 km2

Outro dos grandes constrangimentos à implementação das energias renováveis é o seu custo face à nuclear/fóssil. Desta minha pesquisa também me apercebi que a energia nuclear é muito mais utilizada do que eu pensava – é por exemplo a principal fonte de electricidade em França, tendo percentagens importantes em muitos outros países, nomeadamente a Suécia.

Apesar disso, os países abandonam gradualmente a energia nuclear: nos EUA não se constróem centrais nucleares desde 1996, na Alemanha existe um plano governamental conseguido pelos Verdes para encerrar os 19 reactores nucleares após os 32 anos de operação (o primeiro foi o reactor de Stade, em Novembro de 2003). Outros países, como Espanha, Itália, Holanda e Bélgica, apesar de ainda dependerem dos seus reactores, também se comprometeram a abandonar a energia nuclear. A já referida Suécia que decidiu abandonar a nuclear em 1980, até ao final de 2003 só tinha desactivado um reactor e hesitava em desactivar o segundo. A introdução do Protocolo de Quioto veio mesmo baralhar as contas no que diz respeito ao abandono da nuclear.

Relativamente a soluções para os resíduos radioactivos – o grande calcanhar de Aquiles da energia nuclear – parece que a mais consentânea consiste em depositá-los em formações geológicas profundas (a origem desta solução resultou de observações de fenómenos naturais no Gabão – ver “Magazine on European Research”), apesar de muito pouco se ter feito na prática até agora – a Suécia e a Finlândia são os mais avançados nesta questão.

Em Portugal há algumas notícias bastante relevantes para esta reflexão (PÚBLICO de 6 de Novembro):

« A Mina de S. Domingos, em Mértola, pode acolher já a partir de 2005 a maior central de energia solar do mundo(...)

A central fotovoltaica terá 116 megawatts (MW) de potência, assegurando uma capacidade de produção que é quase o dobro da que está prevista para a central solar da Amareleja (64 MW), em Moura, outro grande projecto que foi anunciado para a região alentejana. O empreendimento terá um investimento calculado em 426 milhões de euros, dará trabalho a 800 pessoas e terá condições para fornecer energia eléctrica a cerca de 130 mil fogos.»

« O secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, José Eduardo Martins, revelou algum cepticismo relativamente à viabilidade da central solar de Moura. Destacando que a produção deste tipo de energia renovável é muito cara, o governante, que já foi secretário de Estado do Ambiente, frisou que o problema maior da instalação deste tipo de estruturas "está na diferença entre o custo e o benefício do projecto", considerados por vários especialistas "pouco atraentes". Em Janeiro de 2005, o Governo divulgará, em definitivo, qual a sua posição relativamente à central solar de Moura, anunciou Eduardo Martins.

Se as centrais solares de Moura e S. Domingos vierem a concretizar-se, serão largamente superados os 150 MW de capacidade instalada de energia solar que o Governo tinha programado atingir até 2010. No entanto, António Joyce, director do Departamento de Energias Renováveis do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), assinala que até 2004 "foram instalados em todo o país pouco mais de 2 MW". A sua perspectiva é que, até 2010, a capacidade instalada "não irá ultrapassar os 12,5 MW". »

« A produção de biocombustíveis é considerada um sector estratégico no desenvolvimento do projecto de Alqueva. Só a instalação de culturas para produção de bioetanol, com capacidade para 100 milhões de litros/ano, tem destinada uma área de regadio próxima dos 50 mil hectares. A tecnologia de produção de etanol baseia-se na fermentação alcoólica de açúcares presentes nos grãos de cereais e na beterraba e ainda das palhas de milho, trigo, batata e sorgo sacarino. Mas um estudo mandado elaborar pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA) sugere que as opções vão para a beterraba sacarina

Uma destilaria mista está já projectada na zona de influência de Alqueva para laborar num ciclo de produção com cereais e beterraba. Permite a laboração ao longo de 330 dias com uma produção média diária de 303 mil litros. Este projecto, para ser viável, tem de ter o apoio do Estado, através de um regime de isenção fiscal por um período de 10 a 15 anos, que deve ser extensível à produção biodiesel, outro biocombustível cuja produção "só pode ser suportada pela utilização privilegiada da cultura do girassol", sugere outro estudo feito pela EDIA. A empresa adianta que em Alqueva pode ser produzida semente de girassol para destilar cerca de 100 mil toneladas/ano de biodiesel.»

Permanece a questão: deveremos encarar a nuclear como uma alternativa viável, apesar dos riscos inerentes e dos resíduos problemáticos, ou tentar aproveitar as características favoráveis do nosso país para a implementação das renováveis?

Comentários precisam-se!!


Ligações:

Avaliação dos impactes radiológicos e na saúde 10 anos depois de Chernobyl

Electricity from nuclear energy (USEPA)

Nuclear Power Advantages


Recomendo também a leitura destes trabalhos da OCDE (em versão PDF):

Energy: the next fifty years

Nuclear Energy in a Sustainable Development Perspective

Technology Innovation, Development and Diffusion

20 dezembro, 2004

Sugestões para um Natal mais amigo do Ambiente

Recomendações de Natal da Naturlink
Iniciativa Mercado de Natal Amigo da Terra, em Almada
Está nas nossas mãos promover um Natal mais amigo do Planeta. Para isso aqui ficam algumas sugestões:



Já escolheu a sua árvore de Natal?

- Não vá buscar o seu pinheiro de Natal às matas. Uma boa opção é ter uma árvore artificial que dure vários Natais, sempre em forma. Ou então, uma árvore proveniente da limpeza das matas.

Dicas para a decoração e embrulhos...

- Dê largas à imaginação e, com a família toda, construa os seus enfeites de Natal.

Excelente sugestão do blog Dias com Árvores



Se os tiver de comprar, prefira os de boa qualidade para lhe durarem vários anos. Opte por embrulhar as prendas em papel reciclado, revistas ou com papel que guardou de anteriores prendas. Desafie a sua originalidade!

Para a noite à lareira...

- O melhor Natal é passado à lareira... Mas este ano esqueça a lenha, muitas vezes retirada da floresta de forma pouco sustentada. Prefira os briquetes feitos de serradura prensada, obtida a partir de resíduos de madeira.

Presentes a pedir ao Pai Natal...

- Se pedir ao Pai Natal presentes movidos a pilhas, peça-lhe também um carregador e pilhas recarregáveis, para poupar dinheiro e energia.
- Peça ao Pai Natal coisas úteis! Muitas vezes compram-se coisas só por comprar que depois, mais tarde ou mais cedo, são postas de lado.
- Ofereça a Associações de Solidariedade Social roupas, brinquedos e livros que estão lá em casa e que já não têm uso. Há crianças que, desta forma, poderão ter um Natal mais feliz.

Convide o Planeta para a sua noite de Natal!

- Não use na sua festa de Natal loiça descartável, nem guardanapos ou toalhas de papel. Assim estará a reduzir o lixo produzido.
- E que tal ter uma fantástica ceia de Natal só com produtos de origem biológica?
- No final da Festa, separar as embalagens e outros materiais recicláveis, será uma boa forma de terminar o seu Natal Amigo da Terra.

Fonte: Boletim Municipal da Câmara Municipal de Almada

09 dezembro, 2004

Optimismo?

Gostava de partilhar com os ambientalistas uma pequena dose de optimismo. Apesar de todos os problemas inerentes à temática do ambiente em Portugal e não só, denoto comportamentos na sociedade actual que me levam a ter um optimismo (moderado) em relação ao futuro. Passo a explicar: o Pingo Doce e o Feira Nova estão a oferecer neste Natal calendários cujo tema é o ambiente e no qual promovem algumas ideias simples como a racionalização dos recursos naturais, a gestão de resíduos e efluentes e o desempenho ambiental de fornecedores de hipermercado. Com alguma publicidade à mistura o grupo Jerónimo Martins promove os seus produtos e incute um pouco de sensibilidade ambiental. Não estará algo a mudar lentamente (apesar de todos os problemas de fundo que todos conhecemos!).

Outro exemplo: esta manhã alguém deixou uma bateria de automóvel usada junto de um ponto de recolha de RSU ao invés de a deixar arrumada numa garagem, deitar num caixote do lixo ou a depositar no baldio mais próximo. Será que a mensagem de que "o estado do ambiente é responsabilidade de todos" está a passar ou será só impressão minha?

De facto uma sociedade constrói-se pela educação. E povo educado detém o poder da mudança. E isto? Será isto um ponto de mudança ou é só o Ambiente que está na moda?

06 dezembro, 2004

Responsabilidade Social das Empresas

Delta Cafés: Um exemplo a seguir?Encontrei este artigo muito interessante na Naturlink, sobre Responsabilidade Social das Empresas (RSE), da autoria de Isabel Abreu, que vos aconselho a lêr.

Esta é mais uma das formas de promover o desenvolvimento sustentável das sociedades. Talvez se o estado passasse a exigir com meios e convicção a conversão das empresas existentes em empresas socialmente responsáveis, Portugal saísse da cauda da europa no que toca a inovação, competitividade, sustentabilidade, ....entre muitas outras coisas...

Aqui fica um excerto:

"Em Portugal foi recentemente publicado um estudo sobre a percepção da responsabilidade social, que mostrou que há pouca familiarização com o termo RSE por parte dos consumidores, meios de comunicação e entidades governamentais. A nível nacional, existem algumas entidades a trabalhar nesta área, nomeadamente, o BCSD Portugal (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável) e a RSE Portugal (Associação Portuguesa para a Responsabilidade Social das Empresas), representando, respectivamente, o WBCSD (World Business Council for Sustainable Development) e o CSR Europe (Corporate Social Responsibility). O objectivo deste tipo de organizações é colaborar com empresas que pretendam desenvolver actividades na área da responsabilidade social, bem como promover a articulação entre as empresas, o governo e a sociedade civil contribuindo, desta forma, para uma maior familiarização com este assunto e para o seu desenvolvimento a nível nacional."

Por favor comentem:

Acham que as empresas deviam ser obrigadas a passar a ter um papel mais activo na preservação do ambiente? Consideram que isso traria prejuízo ou lucro para a sociedade?

Ou acham por outro lado que as empresas deviam investir todos os seus recursos no desenvolvimento dos seus produtos, apenas devendo ser controladas do ponto de vista da legislação ambiental pelas entdades estatais responsáveis? Há vantagens? Será que a sociedade beneficia a longo prazo desta estratégia?

Fica aberta a discussão!

Páginas a consultar:

DOFASCO, INC - Uma das empresas de topo no índice DOW JONES para as empresas mais sustentáveis do mundo (índice DJSGI)

Delta Cafés - A única empresa portuguesa certificada pela norma Social Accountability 8000 (SA8000)

29 novembro, 2004

Ozono: Decisão sobre Quotas de Uso de Pesticida Nocivo Adiada para 2005

O «buraco no céu» não está adormecidoDepois de uma semana de discussão em Praga, os signatários do Protocolo de Montreal (para eliminação de pesticidas nocivos) apenas acordaram autorizar os países desenvolvidos a usar um total de 11.400 toneladas em 2006.

Um volume suplementar de mais três mil toneladas foi aprovado temporariamente, mas deverá ser confirmado entre finais de Junho e princípios de Julho, indicou um comunicado do Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

De acordo com este protocolo, o uso agrícola nos países desenvolvidos do brometo de metilo (uma das substâncias que mais contribuem para a destruição da camada de ozono, a par dos halons dos extintores, do tetracloreto de carbono e dos Clorofluorcarbonetos - CFC) deveria passar a ser proibido no final deste ano.

A Comissão Europeia estabeleceu que a partir do próximo ano os estados-membros só podem usar brometo de metilo em situações "declaradamente críticas". O estado-membro tem de passar a demonstrar a absoluta necessidade de usar o brometo de metilo.

O brometo de metilo é usado em Portugal, e em muitos países da União Europeia, para desinfecção do solo, em culturas hortícolas e em tratamento de produtos como frutos secos, é uma substância muito eficaz, de largo espectro de acção e, para alguns casos (como o do tomate), ainda não há alternativas para o seu uso.

Têm portanto de ser encontradas alternativas a este pesticida, um debate que tem vindo a ser feito pela comunidade científica a nível internacional:

Em Setembro, especialistas internacionais reuniram-se em Lisboa precisamente para tentar encontrar alternativas ao brometo de metilo.


Artigo relacionado:

O «buraco no céu» não está adormecido - (Quercus)

Fontes: Agência Lusa, CONFAGRI AmbienteOnline.pt , Quercus

21 novembro, 2004

Algumas informações relevantes sobre a temática - Ruído

Mapa de RuídoFoi criada recentemente a primeira versão do Guia de Boas Práticas para Mapeamento Estratégico de Ruído e para Produção de Dados Associados sobre Exposição ao Ruído.

Este documento foi elaborado pelo Grupo de Trabalho da Comissão Europeia – Avaliação da Exposição ao Ruído (WG-AEN) , com o objectivo principal de auxiliar os Estados Membros da União Europeia a levar a cabo mapeamento estratégico e produzir dados associados tal como requerido pela Directiva Europeia de Ruído.

A referida directiva estabelece quatro métodos computacionais para a produção de mapas de ruído. Estes métodos necessitam de ser adaptados, em particular aos indicadores mais comuns Lden (dia-fim-de-tarde-noite ou incómodo geral) e Lnight (indicador de ruído nocturno). Para tal a Comissão Europeia adoptou esta recomendação que estabelece as linhas guia para a revisão dos referidos métodos computacionais (para cálculo de ruído industrial, rodoviario, ferroviário, e aéreo) .

IMAGINE: Este projecto europeu pretende desenvolver os novos métodos para o cálculo de ruído gerado por caminhos-de-ferro, rodovias, zonas industriais e tráfego aéreo. Pretende também padronizar os métodos Harmonoise existentes e fornecer linhas-guia sobre como utilizar estes métodos no mapeamento de ruído e nos planos de acção de ruído (por exemplo na gestão de tráfego) na União Europeia.

Os efeitos do ruído sobre as populações vão ser determinados com base no estudo das relações dose-efeito que causam distúrbios de sono. Tendo em vista a obtenção de elementos que permitam estabelecer essas relações foi desenvolvido este estudo.

Alguns projectos de investigação financiados pela Comissão Europeia:

Harmonoise: Métodos harmonizados, precisos e fiáveis no âmbito da Directiva Europeia para a Avaliação e Gestão de Ruído Ambiente (decorreu entre 2001 e 2003).

RANCH: Esxposição a ruído gerado por tráfego rodoviário e aéreo. Saúde e perceptividade das crianças face ao ruído (decorreu entre 2001 e 2003).

CALM network: Plano estratégico para a investigação de ruído comunitário

Railway Noise: Pretende avaliar a aplicabilidade da norma preliminar prEN ISO 3095 para a medição de ruído ferroviário exterior, face a uma futura implementação de legislação europeia para a classificação de veículos ferroviários.

SILVIA: Superfícies sustentáveis para o controle de ruído gerado por tráfego rodoviário.

Exemplo de aplicação prática de mapas de ruído na Alemanha:

16 novembro, 2004

POOC Vilamoura - Vila Real é aprovado em breve

Bem, como isto tem andado meio parado, deixem-me apresentar/comentar umas notícias que não são novidade.

Parece que o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) mais polémico do país será aprovado até ao final do ano, anunciou há umas semanas Nobre Guedes em Faro.

O Ministro revelou que irá manter-se o núcleo piscatório da Culatra, onde se procederá à reestruturação do tecido urbano da ilha e de várias zonas da Ria Formosa. As questões de saneamento básico serão também abordadas, sob pena de se tornarem «um risco para a saúde pública».

Falta saber quais as medidas que serão implementadas na tão conhecida Ilha de Faro (ou melhor, península de Faro).

Fonte: Jornal Barlavento de 14 de Outubro

Algarve sustentável?

Há umas semanas surgiram notícias de que poderia haver racionamento de água no Algarve no próximo ano, caso as reservas de água da barragem do Funcho não restabelecessem os níveis de armazenamento até 15 de Março (quem o disse foi o próprio Ministro do Ambiente).

Logo surgiram as reacções, sendo que Macário Correia acusou o Ministro de falso alarmismo e os Verdes acusaram o Governo de permitir um turismo intensivo na região com actividades consumidoras intensivas de água como são as piscinas e os campos de golfe. Como podem ver, cada um assumiu a posição que se sabia à partida que iria tomar quando confrontado com esta situação.

Entretanto toda a gente com quem falei me disse que o cenário de racionamento de água estará distante de se tornar realidade. Eu pessoalmente tenho as minhas dúvidas....pelo menos a médio/longo prazo.

Mais ou menos na mesma altura surgiu outra notícia que afirmava que o Algarve poderá vir a ter crise energética, resultado do consumo exclusivo de energias tradicionais em detrimento do complemento com as renováveis. Desta vez, quem alertou para a situação foi Macário Correia (que também é presidente da Agência Regional de Energia e Ambiente do Algarve – AREAL). Macário realçou o grande potencial regional para as energias eólica e solar, criticando o Governo no que diz respeito à burocracia necessária para a implementação de tais sistemas energéticos.

Ora estas duas notícias preocuparam-me no que diz respeito à sustentabilidade da região algarvia. Acho também que só vêm provar que os “fundamentalistas” do ambiente, como por vezes se chega a chamar aos próprios técnicos de ambiente, têm alguma razão quando denunciam certas situações que ocorrem no Algarve em nome do desenvolvimento turístico-económico.

Podia filosofar muito mais sobre este assunto tendo este problema e estas duas notícias como base mas convido-vos a fazerem-no através dos vossos comentários. Nunca é demais (re)lembrar que o desenvolvimento turístico-económico só é possível se estiver inserido num contexto ambiental sustentável. Ninguém quer vir passar férias para a praia da Cruz Quebrada e tenho pena que ainda haja senhores que digam, como eu ouvi há dias, que “eu gostava era de ver gruas por todo o lado, era sinal de mercedes e iates”. Obviamente tratava-se de um senhor ligado à construção civil, visivelmente preocupado (e aqui já sou a eu a pressupor) como todos nós com a sua situação financeira. Isto após um típico almoço bem regado com os melhores vinhos e digestivos como já nos habituaram (sim, estou a generalizar o estereótipo).

Enfim, como já dizia um grande sábio do cinema português: “Começo a ficar farto deste país....” (In Portugal S.A.)

Fonte das notícias: jornal Barlavento de 7 e 14 de Outubro de 2004

12 novembro, 2004

Nova Ligação Temática - O Ruído

Caros Ambientalistas:

Serve este post apenas para informar que está ao vosso dispor um novo tema nas "Ligações Temáticas" d'Os Ambientalistas, o Ruído.

Aqui podem consultar a Legislação Portuguesa sobre Ruído, a Política Europeia de Ruído da Comissão Europeia, entidades relacionadas com o tema, uma listagem de empresas portuguesas e estrangeiras com actividade na área do ruído e uma variedade de revistas internacionais sobre acústica.

Espero que esta contribuição vos possa ser útil.

Saudações Ambientalistas!

06 novembro, 2004

Para variar... vamos lá mandar postais!

Cultivar a natureza é semear o futuroA existência das aves e outros animais selvagens associados a terrenos agrícolas continuam a ser ameaçadas no território europeu devido a práticas de cultivo intensivo.

A nossa herança natural será perdida para sempre se não forem tomadas medidas claras na direcção de uma agricultura mais sustentável

O novo comissário europeu para a agricultura e o desenvolvimento rural terá um papel chave em manter nosso campo vivo. O comissário será a força motriz que guiará o futuro da política agrícola e rural e terá que garantir sua execução na União Europeia durante os próximos anos.

Proponho o envio de um belo postal para o Comissário Europeu (será entregue no dia do início do seu mandato), pedindo-lhe que:

- Apoie métodos de cultivo que contribuam para a manutenção e reabilitação de áreas ricas em vida selvagem na europa.

- Aumente o financiamento global disponível para a prática de métodos de cultivo amigos da natreza.

04 novembro, 2004

Parabéns a você!!!

O blog “Os Ambientalistas” fez 1 ano!!! Este foi o primeiro post:


Bem-vindos! Este é o blog que quer dar voz a todos os alunos de engenharia do ambiente, ciências do ambiente, e profissionais a exercer funções nas áreas do ambiente e ordenamento do território. Juntem-se a nós e enviem-nos as vossas crónicas/relatos das vossas experiências profissionais e académicas, notícias e comentários, desde que se reportem à área do ambiente.Vamos lá fazer coisas interessantes!
Enviado por:
Polietileno / 10/31/2003 11:50:25 AM


1 ano depois, 181 post’s depois, 5300 visitantes depois, o blog continua e recomenda-se!

Parabéns ao Blog, aos seus visitantes, a nós e sobretudo ao seu mais fervoroso dinamizador: o Polietileno! Para ele um grande abraço.

25 outubro, 2004

Estuários e Zonas Costeiras - que ordenamento?

Estuário do TejoOs estuários são áreas de intensa ocupação humana há longas centenas de anos, pois constituem áreas de elevada produtividade e com condições privilegiadas para o estabelecimento de agregados populacionais. Acontece que esta ocupação ocorre muitas vezes de forma indevida, não respeitando o leito de cheia dos rios, a protecção de superfícies de infiltração ou a manutenção de áreas para a conservação da biodiversidade dos estuários.

Deste modo, vivemos hoje uma situação onde é necessário proteger pessoas e bens contra os avanços do mar, o assoreamento dos rios e as cheias, sendo esta protecção conseguida, muitas das vezes, com o recurso à construção de infra-estruturas pesadas de engenharia costeira.

Sabemos hoje que a acentuada erosão costeira existente nalguns sectores da costa Portuguesa deve-se à combinação de diversos factores, nomeadamente a elevação do nível do mar, a diminuição da quantidade de sedimentos fornecidos ao litoral, a degradação das estruturas de protecção naturais causada pelo Homem e a realização de obras de engenharia costeira. Se alguns factores são incontroláveis pelo Homem, outros dependem de processos de tomada de decisão, na maior parte das vezes, política. A insistência na construção de infra-estruturas pesadas de protecção costeira já provou por diversas vezes serem soluções caras, irreversíveis e ineficazes, na medida em que solucionam o problema num ponto mas transferem o problema para outras zonas.

O ordenamento das zonas costeiras necessita de ser repensado numa lógica de equilíbrio e não de uma luta contra os elementos da Natureza. Para este exercício, é necessário envolver todos os interventores com responsabilidades nestas áreas, bem como a sociedade civil.


Venha participar no Debate da LPN "Estuários e Zonas Costeiras - que ordenamento?", dia 28 de Outubro, das 18 às 20 horas, na FCUL - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa no Bloco C1, Piso 3, Anfiteatro 1.3.14, em Lisboa.

A entrada é livre.

Como chegar à FCUL

21 outubro, 2004

Cai neve em Nova Iorque, chove a cântaros no meu país!

Mais uma vez venho a este espaço, denunciar um caso que decerto todos vós como pessoas ambientalmente alertas já se deram conta.

Trata-se do desperdício de água que se verifica diariamente proveniente dos sistemas de rega que proliferam no nosso país. É impossivel não notar a recorrência com que se veêm autenticos rios de água perfeitamente potável desperdiçada pelas nossas estradas directamente para os colectores, sem qualquer tipo de aproveitamento. Este caso ainda se torna mais grave quando se sabem as potencialidades da água para rega que sai directamente de estações de tratamento para um qualquer meio receptor.

Não se compreende que nas autarquias não haja ninguém que dê indicações para o direccionamento dos aspersores para o sítio em que a água faz falta ( ou será que estes novos tipos de alcatrão também precisam de ser regados???).

Tudo isto se torna mais gritante quando esses mesmos aspersores continuam ligados independentemente da estação do ano, ou da precipitação, uma vez que aqui mesmo à minha janela consigo ver um autentico dilúvio, em que a chuva já deve estar confundida com o facto de já estar tudo molhado antes de bater no chão...

Para os senhores que poem o €uro acima de quaisquer outros interesses, será que não vale a pena fazer as contas da quantidade de água (que não é de graça) que se poupa com uma gestão da água um pouco consciente?

Aqui vai uma ideia para os engenhocas: que tal coordenar os níveis das tinas de precipitação das estações meteorológicas com um sistema que controle o tempo em que os sistemas de rega estão ligados...

20 outubro, 2004

A energia das ondas

Energia em potência!Apesar de não existir ainda experiência industrial significativa nesta área, há quatro tecnologias distintas de extracção de energia das ondas com protótipos a serem (ou em vias de serem) testados no mar: a Coluna da Água Oscilante (CAO) Pelamis, o Wave Dragon e o Archimedes Wave Swing (AWS).

A Central de Coluna de Água Oscilante é o sistema mais investigado, tendo sido construídas várias centrais a nível mundial. Tipicamente a CAO é um sistema costeiro (embora também possa ser instalado ao largo) que é particularmente adequado para a integração em estruturas de protecção costeira. Presentemente existem duas centrais piloto deste tipo, uma na Escócia, a Central Limpet, e a Central do Pico nos Açores. Os restantes dispositivos são sistemas afastados da costa, completamente submersos ou semi-submersos.

Existem outras tecnologias em desenvolvimento, mas numa fase menos avançada. Podemos apontar para um período de dois a três anos como o tempo necessário para obtermos mais informação quanto à avaliação da viabilidade tecnológica e económica destas tecnologias em resultado directo dos ensaios no mar dos protótipos mencionados.

Ver o artigo completo em: Ambiente Insular

Endereços úteis:

Wave Energy Centre
Wavetrain
Maretec
World Energy Council

Peço desculpa por alguns dos conteúdos estarem em Inglês...

A Conversa do Costume!!!

Neste último fim de semana decorreu o Primeiro Fórum de Estudantes de Engenharia do Ambiente, que de uma maneira geral correu bastante bem. No entanto, não posso deixar de mostrar a minha indignação devido ao facto de numa das mesas redondas que para variar teve como tema "O Papel do Engenheiro do Ambiente", a discussão, voltou a não passar da cepa torta.

O balanço desta discussão foi tudo menos positivo. Estavam presentes nessa mesa representantes da Ordem dos Engenheiros dos colégios de Ambiente, Civil e Química, assim como um representante da nossa querida APEA, que tanto faz por nós. Até aqui tudo bem, uma vez que estavam reunidas as condições ideais para uma discussão aberta e com garantias de possíveis conclusões positivas. Resultado: Rien, Niente, Nada.

Mais uma vez assitiu-se a uma fuga do rabo à seringa por parte dos pretensos representantes da classe em que se limitaram a esquivar às perguntas dos estudantes quando confrontados com o crescente número de licenciaturas e licenciados em EA. As respostas dadas pelos senhores engenheiros, giraram todas à volta de desculpas que não têm responsabilidade política para impedir a criação de novos cursos ( e aconselhar junto do Ministério do Ensino Superior, não????). Também se refugiaram na pouca representatividade que possuem em relação aos licenciados (como é que alguém se há-de inscrever na Ordem ou na APEA se não se sentem representados? Para pagar quotas? Não me parece.)

Já é tempo de começar a ter em conta que a maior parte das Universidades não passam de cooperativas que tentam sobreviver à custa da criação de novos cursos e cada vez mais estudantes, não garantindo muitas vezes a qualidade das licenciaturas que ministram. Por outro lado, enquanto não for definida uma especificidade para o Engenheiro do Ambiente (e.g. Técnico de Ambiente), a diferença entre uns e outro não vai existir e vai-se continuar a assistir a um açambarcamento dos nossos empregos por pessoas pouco qualificadas.

A noção que dá perante a posição de inércia do Colégio de Ambiente, é a de que estão tão agradecidos que nos tivessem deixado entrar na Ordem, que se sentem constrangidos em levantar muita poeira. (Ou então somos nós que estamos mal habituados a reivindicar quando algo está mal...) Meus senhores, basta de dizer AMÉN ao patrões dos lobbies do betão e dos reagentes químicos e começar a tomar conta dos seus!

Por fim gostaria de falar na pouca capacidade de reivindicação dos profissionais de Ambiente, que também devem ter uma palavra a dizer sobre estes assuntos, mas pouco ou nada se vê. Quando se fala tanto nas características de banda larga do nosso curso, parece que deixámos a nossa costela reivindicativa, tão própria dos biólogos, para um plano secundário com receio de ser confundidos como "verdinhos" ou "amantes dos passarinhos". Quer neste tema ou noutro qualquer relacionado com política do ambiente, deveria haver uma voz activa que deveria ser chamada para ser ouvida antes de qualquer tomada de decisão. Porque não constituir um Conselho de Ambiente que dissesse de sua justiça mesmo quando não consultado? Este Blog é um importante passo nesse caminho, disso não tenho quaisquer dúvidas.

Saudações Ambientalistas

18 outubro, 2004

O Ambiente em debate na RTP hoje ás 22:15

Prós e Contras, é um fórum de debate alargado, com especialistas e decisores, conduzido pela jornalista Fátima Campos Ferreira . São ainda apresentados casos relacionados com o tema, trazidos a estúdio pelo cidadão comum. A discussão parte de uma sondagem da Universidade Católica Portuguesa, é ilustrado por reportagens e conta com a participação dos correspondentes da RTP no estrangeiro.

Depois do polémico relatório sobre a refinaria da Petrogal em Leixões, e da recente querela sobre a defesa da Serra da Arrábida, que envolveu a casa do próprio ministro, Luís Nobre Guedes dá a cara, pela primeira vez, num debate de televisão frente a Pedro Silva Pereira - o ex-secretário de Estado do Ambiente de José Sócrates, que construiu o projecto "Pólis" e que defendeu o processo de co-incineração dos resíduos tóxicos das cimenteiras.

O "Prós e Contras" vai reunir, ainda, um conjunto de notáveis e especialistas sobre o Ambiente. Serão apresentados casos concretos e o programna contará, também, com os comentários da jornalista especialista em Ambiente Luísa Schmidt, autora da série televisiva "Portugal, um retrato ambiental".

O tema é de permanente actualidade. O mais recente relatório da União Europeia afirma que as três empresas que mais poluem a água na Europa são portuguesas. A notícia é tanto mais grave quando se sabe que em Portugal os crimes ambientais não são devidamente punidos. Poluição; tratamento das águas e resíduos; ordenamento do território e capacidades energéticas são aspectos que nos preocupam a todos.

É preciso fazer a avaliação das políticas ambientais. O que está a ser feito para diminuir os resíduos tóxicos? Como estamos a proteger a Serra da Arrábida e outras reservas naturais? Qual é a qualidade da água e do ar que respiramos?O Planeta está cada vez mais cinzento. Que futuro estamos a deixar às próximas gerações?

Não percam!

15 outubro, 2004

Buraco do Ozono está mais pequeno do que em 2003

No passado dia 4/10 li uma noticia onde se referia a diminuição do buraco do Ozono em cerca de 20%. Por outro lado, o Instituto de Meteorologia informa que a camada de Ozono está a diminuir 3,3%, em Portugal, por cada decada que passa.

Estaremos a caminho de um futuro novo buraco na camada do Ozono? Estando associado à sazonal diminuição da espessura da camada de Ozono, fenómenos meteorologicos, poderia o mesmo instituto (IM) esclarecer o que indica esses 3,3%. Serão apenas causas meteorologicas?

Consultem este artigo, vale a pena.

13 outubro, 2004

Água poderá vir a ser racionada no Algarve

O ministro do Ambiente, Nobre Guedes, admitiu no passado dia 12 que o consumo de água poderá ser racionado no Algarve, se até ao início do próximo ano não chover o suficiente para abastecer as reservas da região.

Ao considerar a barragem de Odelouca "uma peça vital" para a sustentabilidade do sistema de abastecimento de água da região, Nobre Guedes mostrou-se preocupado com a suspensão de cerca de 65 milhões de euros de fundos comunitários previstos para a empreitada, entretanto parada.

A empreitada da barragem de Odelouca - cujo investimento realizado até agora ronda os 22 milhões de euros - foi adjudicada em finais de 1999, mas em 2003 a obra foi suspensa devido a uma queixa da Liga para a Protecção da Natureza (LPN).

A LPN apresentou queixa contra o Estado português por considerar que há alternativa de abastecimento, com recurso a águas subterrâneas, não se justificando a construção da barragem, algo que irá destruir "habitats" cruciais para espécies ameaçadas (invocou o incumprimento da directiva Habitats numa zona da Rede Natura 2000).

"São precisos cerca de 90 milhões de euros para concluir o empreendimento e por isso temos que ver soluções alternativas, ainda mais quando estão em Bruxelas cerca de 65 milhões de euros suspensos", afirmou o ministro do Ambiente.

O responsável pela pasta do Ambiente adiantou não querer exercer pressão sobre a LPN para que retire a queixa, embora tenha classificado a situação de "muito preocupante" e admitiu que podem ocorrer "situações graves que não vale a pena ocultar".

O ministro deixa transparecer o seguinte:

- que as obras estão paradas por culpa de uma queixa, ou seja: se quem fez a queixa se calasse tudo se poderia desenrolar da melhor maneira.

- que o Governo tinha os tostões (que ainda não lhes pertenciam) contados para concluir esta obra e agora estão de mãos atadas e obrigados a comsiderar alternativa de racionar recursos.

- a barragem de Odelouca é a chave do sistema de abastecimento de água da região

Não é o Governo obrigado a cumprir as directivas que ratifica, independentemente de quaisquer queixas que sejam apresentadas na União Europeia?

Esta é uma obra que em princípio teria fundamental interesse para esta região. Se não há dinheiro para efectuá-la, onde foi investido o dinheiro dos nossos impostos? No (des)ordenamento do território?

Porque é que as Barragens são a principal (a solução perfeita seria que fosse a única?) alternativa para o abastecimento de água nesta região? Porque ficam as águas subterrâneas fora da equação?

Quando vão parar de nos atirar areia para os olhos?
Por favor queiram comentar este tema como vos aprouver.

(A propósito?) Estudo sobre o Golfe no Algarve:

11 outubro, 2004

Para desmistificar: Sistemas de Gestão Ambiental, ISO 14001 e EMAS

Um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) tem como objectivo a melhoria contínua do desempenho ambiental de uma empresa. Consiste assim, numa abordagem sistemática na forma de gerir os seus aspectos ambientais. Um SGA pode ser definido como parte do sistema global de gestão que inclui a estrutura funcional, as actividades de planeamento, a definição de responsabilidades, os processos formalizados em procedimentos e os recursos necessários para os concretizar, manter, desenvolver e rever de modo continuado a política ambiental da empresa.

Um Sistema de Gestão Ambiental permite:
-Estabelecer um sistema de gestão estruturado para a área do ambiente integrando-o na actividade de gestão global
-Estabelecer uma Política de Ambiente adequada à realidade da empresa
-Identificar os aspectos ambientais de impactes significativos, os requisitos legais relevantes e as prioridades de modo a estabelecer objectivos e metas ambientais adequadas
-Estabelecer uma estrutura e um programa para implementar a política de ambiente e atingir os objectivos e metas definidos
-Facilitar o planeamento, o controlo, as acções preventivas e correctivas e as actividades de auditoria e revisão, de modo a assegurar que a política é cumprida e que o sistema de gestão ambiental permanece adequado
-Ter capacidade de se adaptar à mudança

A Norma ISO 14001 é uma norma de certificação ambiental que tem como finalidade fornecer o modelo para implementação de um Sistema de Gestão Ambiental, adequado e eficaz para a gestão dos aspectos ambientais e passível de ser certificado. Esta norma pertence à família das ISO 14000 que são um conjunto de normas internacionais que pretendem fornecer às organizações que as aplicarem, os elementos para uma gestão ambiental efectiva que possa ser integrada com outros requisitos de gestão, ao mesmo tempo que possa permitir o alcance de objectivos económicos e ambientais. Os objectivos gerais desta norma são a protecção ambiental e a prevenção da poluição, em equilíbrio com as necessidades sócio-económicas, para tal define os elementos relevantes de um SGA.

O EMAS é um Sistema de Ecogestão e Auditoria Ambiental adoptado pela União Europeia no Regulamento n.º 761/2001 de 19 de Março e transposto para o direito interno pelo Decreto-Lei n.º 142/2002, de 20 de Maio, onde estão designadas as entidades responsáveis em Portugal pelo Registo EMAS.

O Registo EMAS permite às empresas uma participação voluntária num Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria. O EMAS tem por objectivo a melhoria contínua do comportamento ambiental das empresas, pressupondo como ponto de partida o cumprimento da legislação ambiental. Quando uma empresa adere ao EMAS fica a fazer parte integrante uma lista de empresas da União Europeia que respeitam os níveis adequados de desempenho ambiental, o que contribui para a imagem externa da empresa.

Ao aderir ao EMAS uma empresa, para além das vantagens associadas aos SGA terá ainda outros benefícios, tais como:
-Estabelecimento com as entidades reguladoras esquemas de confiança mútua baseados no rigor e transparência do EMAS
-Divulgação publica e de forma credível dos progressos através da publicação de uma declaração ambiental validada por entidades independentes
-Mostrar de forma credível o compromisso da empresa em assumir responsabilidades mais além do que o cumprimento da legislação ambiental que lhes é aplicável

Informações Importantes:

Consultar: Questões Frequentes sobre esta temática

O Ponto de vista da APCER



05 outubro, 2004

Reconversão urbana no Algarve

Em notícia publicada no Jornal do Algarve de 30 de Setembro de 2004, tomei conhecimento que o número total de obras concluídas no Algarve caíu 35,9 % (a maior descida a nível nacional cuja queda média foi de 26,6 % - dados do INE). Esta queda é justificada pelo dirigente do IMOPPI - Instituto dos Mercados das Obras Públicas e Particulares e do Imobiliário, Jorge Dias, devido a se estar a atingir os limites de construção (o que aliás é bem visível para o cidadão comum).

Outra relação interessante foi a confrontação entre o crescimento populacional e o crescimento dos alojamentos, 14,8 % no primeiro caso e 30,2 % no segundo, ou seja, mais do dobro.

Este fenómeno que já faz parte da história recente do Algarve, apresenta o risco de se terem cidades em forma de "donut", com um buraco no meio devido ao abandono dos centros das cidades e migração para as áreas mais periféricas.

Esta situação leva a que a entidade reguladora do sector da construção refira que esta mecânica tem de ser invertida, ou seja, "a construção nova tem de diminuir em novas áreas e remos de apostar na reconversão das nossas cidades, recuperando e desenvolvendo a vida dos centros".

Refere ainda o jornal que atendendo a este cenário de saturação, o sector da construção prepara-se para apostar no próximo ano na reabilitação urbana. E é aqui que surge a minha crítica, desconhecendo se se deve a uma falha do jornal ou à ausência de informação por parte de quem promove essa reabilitação, o que é facto é que apenas ficamos a saber que para o ano o sector vai promover essa reabilitação, desconhecendo-se planos, programas, ou medidas concretas para efectuá-lo. Se por acaso souberem algo mais concreto sobre este assunto agradecia que o transmitissem aqui ao blog.

Mas é um sinal positivo de mudança de filosofia esperemos que se concretize.

02 outubro, 2004

Manual sobre aquisição de produtos e serviços "verdes"

A Comissão Europeia elaborou um manual sobre aquisições de bens e serviços "verdes", onde se explica de que forma as autoridades públicas, como as escolas, hospitais e administração pública central e local, podem contemplar a vertente ambiental na aquisição dos seus bens e serviços.

Todos os anos as autoridades públicas gastam cerca de 16% do PIB da União Europeia, 1,500 biliões de euros, em bens e serviços. Se optarem por bens e serviços mais "verdes", estarão a colaborar para o Desenvolvimento Sustentável da União Europeia.

As aquisições "verdes" vêm aumentar a procura para os produtos ecológicos, incentivar a produção ecológica e ajudar a conquista de mercado das tecnologias ambientais. Consideram, também, o uso eficiente da energia e recursos, bem como a minimização de resíduos, contribuindo assim para a poupança do dinheiro dos contribuintes.

Este novo manual fornece exemplos de boas práticas e explica quais os passos a dar num procedimento de aquisição de bens e serviços.

Aceda aqui ao manual através da página da Comissão Europeia.

Fonte: Instituto do Ambiente

Relatório sobre transportes e ambiente

A Agência Europeia do Ambiente (AEA), juntamente com a Direcção-Geral do Ambiente e a Direcção-Geral dos Transportes e Energia da Comissão e, também, com o Gabinete Estatístico da União Europeia (Eurostat), desenvolveram o mecanismo de elaboração de relatórios sobre transportes e ambiente (transport and environment reporting mechanism (TERM)).
Este mecanismo pretende avaliar a evolução da integração dos valores ambientais nas políticas de transportes europeias e compreende 40 indicadores que cobrem todos os aspectos relevantes do sistema de transportes e ambiente.

28 setembro, 2004

Frigoríficos e ar condicionado continuam a destruir ozono

Portugal continua a atirar para a sucata a quase totalidade de frigoríficos e aparelhos de ar condicionado sem recuperar os gases nocivos à atmosfera que contêm, acusou a associação ambientalista Quercus.

Fazendo referência ao Dia Internacional para a Protecção da Camada de Ozono, os ambientalistas adiantam que Portugal emite anualmente 500 toneladas de CFC (clorofluorcarbonetos), substância existente em frigoríficos ou aparelhos de ar condicionado e que prejudica a camada de ozono.

Este ano, até Setembro, foram recuperados CFC de 0,5 por cento dos aparelhos enviados para o lixo, segundo dados recolhidos pelos ambientalistas junto da Interecycling, a única empresa em Portugal que faz este tipo de reciclagem."Há alguma melhoria, mas muito pouco significativa, uma vez que no mesmo período do ano passado tinham sido recuperados CFC de 0,3 por cento dos equipamentos", afirmou à agência Lusa o presidente da Quercus, Hélder Spínola.

Esta melhoria resultou de um aumento do número de equipamentos encaminhados pela Valorsul, entidade responsável pelo destino final dos resíduos de vários concelhos do distrito de Lisboa.

Desde Janeiro de 2002, a lei prevê a obrigação de recuperar os CFC. Mas, segundo a Quercus, a legislação tem sido ignorada porque não existe um sistema integrado que garanta a recuperação e tratamento dos CFC, à semelhança do da Sociedade Ponto Verde para as embalagens e papel.

Reclamando novas medidas para inverter esta situação, a Quercus lembra que a camada de ozono sobre Portugal está diminuir 3,3 por cento por década, o que provoca um aumento da radiação ultravioleta e, consequentemente, um maior risco de ocorrência do cancro da pele.


Experimente:

Tempo para discutir

Esta costuma ser uma época fértil em encontros, congressos, debates, tertúlias, etc.

Aqui vos deixo algumas sugestões para o que resta do mês de Setembro e para Outubro:


Setembro

Planeamento do Território - O Estado da Nação - Aveiro, 29 e 30 de Setembro e 1 de Outubro.

Outubro

XV Encontro Nacional de Educação Ambiental - Castelo de Vide, 2 a 5 de Outubro de 2004 (descarregue o ficheiro PDF)

Seminário “Desenvolvimento e Ambiente: Novos Desafios para o Século XXI - UTAD, 7 e 8 de Outubro

I Conferência de Educação Ambiental do Sul - São Brás de Alportel, 11 de Outubro

1ª edição da SUL AMBIENTE - Loulé (pavilhão de exposições da EXPOALGARVE/NERA),15, 16 e 17 de Outubro

9º Encontro Nacional de Ecologia - Lisboa, 14 - 19 de Outubro

1ª Workshop sobre Ruído "Mapas de Ruído e acústica de edifícios" - Loulé (auditório da EXPOALGARVE/NERA)16 de Outubro

8ª Conferência Nacional de Ambiente - Lisboa, 27 a 29 Outubro de 2004

I Congresso sobre Construção Sustentável- Leça da Palmeira (Exponor), 28 e 29 de Outubro

Ecossistemas Agrícolas e riqueza biológica. Principais ameaças e medidas de conservação -Castro Verde, 29 e 30 de Outubro

I Congresso Internacional Aves do Atlântico - Madeira, 29 de Outubro a 1 de Novembro de 2004

Espero que algum destes eventos seja do vosso interesse!

22 setembro, 2004

Pobreza: Uma Questão de Exclusão Ambiental?

A 7 de Outubro a LPN retoma o seu já habitual Ciclo de Debates das 17h00 às 19h00, sempre com entrada livre. O tema é particularmente relevante, já que níveis crescentes de protecção ambiental e a sustentabilidade a longo prazo estão fortemente dependentes da erradicação da pobreza. Os extractos da população que todos os dias enfrentam a fome, a doença e a iliteracia, tendem a exaurir os recursos, poluir o ambiente e destruir os habitats naturais numa luta pela sobrevivência.

Este não é um assunto exclusivo de ambiente mas tem consequências dramáticas sobre ele. Enquanto não for melhorado o nível de vida das populações, a consciência e a protecção ambiental têm poucas probabilidades de aumentar.

Local: Auditório Jornal de Notícias, Av. da Liberdade n.º 266, Lisboa

20 setembro, 2004

Portugal, um Retrato Ambiental

A RTP1 vai estrear na próxima quinta-feira (dia 23), ás 23:30 um espaço de produção nacional de documentário. A série Portugal, um Retrato Ambiental, da autoria da investigadora Luísa Schmidt, e realizada por Francisco Manso, é a primeira de um conjunto de documentários produzidos com o apoio da estação pública.

O documentário de Luísa Schmidt conta como evoluiu, nas últimas cinco décadas, o ambiente em Portugal. Ao longo de quatro episódios, de 52 minutos cada, são mostradas imagens captadas pela RTP durante mais de 40 anos, muitas ainda a preto e branco, actualizadas com registos de hoje, onde os telespectadores poderão ver retratado aquele que, segundo a autora, é um "país de contrastes". Se por um lado a política ambiental de Portugal se revela mal sucedida, por outro a consciência da necessidade de solucionar os problemas é cada vez mais forte. Desde as cheias que assolaram o país em 1967 até ao problema das alterações climáticas, passando pela poluição dos rios e pelo desordenamento do território, Luísa Schmidt reúne nesta série documental o material que serviu de base à sua tese de doutoramento.

18 setembro, 2004

Que Politica? Que estratégia? II

Os transportes públicos vão sofrer um aumento intercalar de 2,9 por cento, já a partir de Outubro, em consequência da indexação das tarifas à evolução do preço do preço do gasóleo rodoviário. Há pouco mais de seis meses, os tarifários dos transportes públicos foram actualizados em 3,9 por cento.

Os preços dos transportes públicos passarão a ser revistos de três em três meses, em função da cotação do gasóleo. O preço final do gasóleo rodoviário aumentou, desde o início do ano, cerca de 18 por cento, em Portugal. Os custos com combustíveis representam um quarto dos custos totais das transportadoras privadas de passageiros.

Apesar de tudo, António Mexia (Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações) diz querer inverter a tendência para a utilização do transporte privado...


Pensemos um pouco nisto...

Ver notícia completa no Público

17 setembro, 2004

Que política? Que estratégia?

Tráfego e poluição automóvel

Os combustíveis aumentaram, nos primeiros seis meses do ano, 12,4 por cento, mas os portugueses, não só não reagiram a esta escalada dos preços, poupando nas bombas, como ainda gastaram mais, registando-se, em relação ao mesmo período no ano anterior, um crescimento de 2,9 por cento nos abastecimentos dos seus carros, denunciou ontem a associação ambientalista Quercus.

"As políticas energéticas e ambientais no sentido de diminuir a dependência energética externa do nosso país continuam a caminhar no sentido errado e o objectivo dos sucessivos governos tem sido gerar maior oferta de electricidade, sem um investimento paralelo em diminuir o consumo", salientam os ambientalistas. Tanto mais que ninguém conseguir perceber por que razão o consumo de energia e combustíveis sobe quando a lógica do mercado leva a crer que se deveria passar o contrário.



Sugestões para consulta:
Página da Direcção Geral de Energia (downloads)
Página da Rede Eléctrica Nacional (estatísticas mensais)

15 setembro, 2004

As bicicletas estão na moda!

No âmbito da Semana Europeia da Mobilidade 2004, a Agência para a Energia (ADENE), a Câmara Municipal de Almada e a Agência Municipal de Energia de Almada (AGENEAL), organizam o Workshop "A Bicicleta: uma opção de mobilidade eficiente e saudável".

Este evento irá decorrer no Espaço Polivalente do Fórum Romeu Correia, em Almada, no dia 21 de Setembro de 2004 e tem como objectivo promover o debate sobre novas soluções de mobilidade que contribuam para adopção de um modelo de cidade sustentável.

A participação é gratuita e sujeita a inscrição prévia junto da ADENE até às 18h do dia 17 de Setembro. Para mais informações, poderá contactar directamente a Área de Promoção e Relações Exteriores da ADENE (Filipe Camilo - tel.: 214 722 840; fax: 214 722 898; e-mail: eventos@adene.pt).

Veja o Folheto e preencha a ficha de inscrição se estiver interessado(a).

14 setembro, 2004

"Ciclo-paper"no Parque Natural de Sintra-Cascais

O "ciclo-paper" realiza-se Domingo, 19 de Setembro de 2004 e é promovido pela LPN.

Este consistirá num percurso de cerca de 14 Km (ida e volta), de fácil realização, em que serão testados os conhecimentos dos participantes sobre o património natural do Parque Natural de Sintra-Cascais, em provas que revelarão a memória, imaginação, destreza física e criatividade dos participantes. Haverá prémios para todos!

Programa
9:00 - Encontro na Biblioteca Municipal de Cascais/Casa da Horta da Quinta de Santa Clara e exposição do programa e regulamento da prova;
10:00 - 13:00 - Realização do "ciclo-paper", com passagem pelos seguintes pontos de interesse: Boca do Inferno, Cabo Raso, Oitavos, Guincho e Abano;
13:00 - 14:30 - Almoço volante com produtos típicos e entrega dos prémios.

Os participantes terão de levar a sua própria bicicleta. A LPN poderá, eventualmente, disponibilizar um número limitado de bicicletas, desde que previamente solicitadas. Embora o percurso seja de muito fácil realização por pessoas de todas as idades (a sua maior parte será realizada em pista para bicicletas), os participantes deverão levar capacete, cotoveleiras e joelheiras.

Preçário
O preçário (inclui todo o programa, almoço volante, suplemento energético durante a prova e seguro) é o seguinte:
- Sócios da LPN, grupos de 3 pessoas ou mais, crianças dos 4 aos 12 anos: €20 por pessoa;
- Outros: €25 por pessoa.

Inscrições
As inscrições estão abertas até à data-limite de 10 de Setembro (6.ª feira). São efectuadas por telefone (217780097), correio electrónico (lpn.natureza@mail.telepac.pt) ou fax (217783208) e só são válidas após recepção, pela LPN, do valor em cheque, numerário ou transferência bancária até à data-limite. Não havendo um número mínimo de 20 inscrições até à data-limite, a prova não se realizará, sendo o montante devolvido na totalidade a quem tiver efectuado o pagamento. Não será devolvida a verba a quem cancelar a inscrição depois desta data. O número máximo é de 30 inscrições.

Participem!

Para mais informações sobre o Parque Natural de Sintra-Cascais e outras áreas protegidas pesquise a página oficial do ICN (Instituto da Conservação da Natureza).

13 setembro, 2004

Investigação sobre incêndios

Outro artigo interessante no PÚBLICO dá conta de um projecto de investigação sobre incêndios e a sua propagação. Ao que parece uma equipa de investigadores portugueses descobriu que “a propagação brusca dos incêndios, a que se dá o nome de “fenómeno eruptivo”, fica a dever-se ao próprio fogo que alimenta as chamas, sem influência da atmosfera”. Esta e outras conclusões de um estudo acerca do comportamento dos fogos florestais serão apresentadas por Domingos Xavier Viegas no “workshop” Indo-EU, sob o tema “Alterações climáticas e Desastres Naturais” que começou no dia 6 deste mês até dia 10, em Hyderabad, na Índia.

“A equipa do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF), da qual o investigador faz parte, está a trabalhar desde 1985 na caracterização dos aspectos físicos dos fogos, ou seja, de que maneira progridem no terreno. Neste sentido, a actividade do CEIF tem prosseguido no âmbito de projectos europeus como o SPREAD – coordenado pela equipa portuguesa e que reúne 25 instituições de diversos países europeus – procurando desenvolver estudos na área da prevenção e comportamento de incêndios, com a ajuda de dados meteorológicos e de satélite, e na segurança na frente de fogo.”

Segundo Xavier Viegas, o “workshop” procura promover a cooperação científica entre a Europa e a Índia para criar um projecto integrado na área dos efeitos das alterações climáticas, como incêndios e inundações.

Fonte: PÚBLICO 7 Set 2004

12 setembro, 2004

Ecólogo Defende Metas para o Comportamento

Em 2000, as Nações Unidas fixaram as "Metas do Milénio", para combater problemas de primeira linha, como a fome, a falta de água e a mortalidade infantil, que afectam milhões de pessoas em todo o mundo. O ecólogo norte-americano Paul Ehrlich sugere, agora, que a ONU também estabeleça metas para o comportamento humano.

Este seria um contributo para evitar a colisão entre o modo de vida da civilização humana e a capacidade natural do planeta para suportá-la. "Precisamos de uma 'avaliação do milénio' sobre o comportamento humano", disse Ehrlich, numa conferência na passada quinta-feira em Lisboa.

08 setembro, 2004

Leucemia relacionada com poluição

Foi durante a leitura de um artigo sobre o aumento da incidência de leucemia infantil, no PÚBLICO, que constatei que, dos principais resultados dos mais recentes estudos sobre esta doença, apresentados pela Children with Leukaemia (organização de beneficiência do Reino Unido), constam alguns que relacionam a leucemia com a poluição.

De facto, entre outros factores como a exposição a materiais radioactivos, “acredita-se que a poluição seja a grande responsável pelo aumento de leucemia infantil, uma vez que, mesmo dentro da barriga da mãe, a criança está exposta aos efeitos dos agentes poluentes. A mãe transfere os agentes através da placenta e, nesta fase, a criança é muito mais sensível. Os fetos representam então uma subpopulação particularmente sensível aos efeitos de partículas poluentes. No entanto, os seus efeitos são, para já, bastante desconhecidos.”

“Comparando diferentes países da Europa, Portugal regista uma das mais baixas percentagens de leucemia infantil, ao lado da Polónia e Roménia. Os países com maior percentagem são em geral do centro ou norte da Europa. Algo que poderá estar relacionado com os níveis de poluição das diferentes zonas do continente.”

Mais uma prova que a degradação ambiental a que assistimos hoje contribui directamente para comprometer as gerações vindouras.


Fonte: PÚBLICO 7 Set 2004

06 setembro, 2004

Dia Sem Carros - Inquérito

No âmbito do Dia Sem Carros e da Semana da Mobilidade (de 16 a 22 de Setembro), a CONFAGRI encontra-se a realizar um inquérito, cujos resultados estatísticos serão tratados e divulgados em www.confagri.pt/ambiente, na Semana da Mobilidade, garantindo o anonimato dos inquiridos. O inquérito levará entre 10 a 15 minutos a responder, bastando clicar neste link.

25 agosto, 2004

Cidadania e Ambiente

Arriba fóssilA associação ambientalista Grupo Flamingo está à procura de jovens a partir dos 16 anos para um projecto de conservação da natureza, sensibilização ambiental e vigilância florestal na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica (PPAFCC). O projecto decorre até 15 de Setembro, em períodos quinzenais, todas as segundas e sextas-feiras de manhã, sábados e domingos da parte da tarde. O contacto pode ser efectuado para 96 471 77 83.

Se pretender inscrever-se já pode fazê-lo preenchendo esta ficha de inscrição e enviando-a em seguida para o endereço electrónico grupoflamingo@sapo.pt

20 agosto, 2004

"Ligações Temáticas" mais completas!

Este "post" serve apenas para informar que existe ao dispor de todos os utilizadores deste blogue uma listagem de temas ambientais com links para diversas páginas da maior utilidade para quem se interessa pelas questões ambientais.

Esta listagem denomina-se "Ligações Temáticas" e está situada no rodapé á direita do blog logo em baixo de "Pesquise este blogue".

Esta listagem foi recentemente actualizada com novas entradas (é de destacar a adição do tema "Eco Turismo") e alguns temas foram alterados, de forma a tornar a pesquisa ainda mais direccionada ao tema em questão.

Boas pesquisas!

19 agosto, 2004

"Impacts of Europe's Changing Climate"

Aconselho leitura de um documento extremamente interessante, editado recentemente pela EEA.

“Abstract:
The impacts of climate change on Europe's environment and society are shown in this report. Past trends in the climate, its current state and possible future changes are presented using 22 selected indicators. For almost all of these a clear trend exists and impacts are already being observed. The report highlights the need to develop strategies at European, national, regional and local level for adapting to climate change.”


Descarregue directamente os documentos pdf que o compôem:

Boa leitura!

17 agosto, 2004

(Des)enquadramento paisagístico

(Des)enquadramento paisagístico Recentemente ao me deslocar no IC2 junto a Leiria fiquei simplesmente parvo! Deslocava-me no sentido Pombal-Leiria e não pude acreditar no que vi. O estádio municipal de Leiria, (re)construído propositadamente para o euro 2004 e o castelo de Leiria, património da cidade que data da primeira metade do séc. XII. O que se passa é que aquele psicadelismo aberrante de cores da autoria do arquitecto Tomás Taveira encontra-se ali mesmo junto a um castelo carregado de história!

Sinceramente tive dificuldade em tirar os olhos do estádio, seja pela imponência do estádio ou pelas suas cores! Mas isso não interessa. O que interessa é o enquadramento paisagístico, ou a falta dele, que não foi pensado e como tal não foi feito. O Sr. Tomás Taveira, reputado arquitecto deveria ter feito jus à sua profissão e projectado um estádio que, à falta de melhor localização, se enquadrasse com a paisagem circundante. Mas talvez andesse ocupado com outras coisas... Só tenho pena que a imagem, que data ainda da altura da construção, não exemplifique nitidamente o atentado paisagístico que ali ocorreu.

Quanto ao futuro, não auguro nada de bom. Talvez daqui a uns anos se pense em remodelar o castelo e dar-lhe umas cores vivas...para se enquadrar com o estádio! Ai se o D. Dinis visse isto!

Energias renováveis mais baratas que o petróleo

Desde que o preço do petróleo ultrapassou os 40 dólares por barril que a produção de electricidade a partir de fontes de energia renovável passou a ser competitiva em Portugal.

O impacto das renováveis na tarifa eléctrica paga pelos consumidores ronda uma poupança de 0,2 por cento, indicam resultados preliminares de um estudo em curso para o Centro de Estudos em Economia da Energia, dos Transportes e do Ambiente (CEEETA).

De acordo com o mesmo trabalho, a preços de 2002 a utilização de energias renováveis na produção de electricidade encarecia a factura do consumidor em três por cento. Face à ideia instalada que a energia renovável "é cara", é a própria escalada dos preços do petróleo e do carvão e a factura energética agravada do país mais vulnerável da UE que a contrariam agora - Portugal importa 90 por cento da energia que consome e pagará este ano mais mil milhões de euros na importação de combustíveis fósseis. O que, para o ex- secretário de Estado do Ambiente e director do CEEETA, Carlos Pimenta, confirma que a "energia é um assunto de urgência nacional".

O país prepara-se para uma factura energética de, pelo menos, cinco mil milhões de euros este ano, quase 30 por cento mais do que em 2003, face à evolução dos preços do petróleo desde o início do ano.

Vêr notícia completa no Público

06 agosto, 2004

Sustentando o desenvolvimento?

Exemplo de desenvolvimento sustentável no Algarve"O termo mais famoso que temos hoje em dia, o tal do "desenvolvimento sustentável", me parece então um tanto quanto vazio. E por isto mesmo extremamente perigoso. Meu objetivo neste mês não é discutir quais seriam as soluções para nossas crises ambientais, assunto para fóruns de debate gigantescos, e sim chamar a atenção para o fato de que não devemos nos conformar ou ter a consciência tranqüila toda vez que ouvimos este termo em algum projeto ou empreendimento qualquer. Isto não quer dizer que todas as providências necessárias para preservar a natureza estejam sendo tomadas."

Sugiro a leitura deste artigo de uma autora brasileira: Branca M. O. Medina - licenciada e bacharel em ecologia pela UFRJ e mestre em ecologia, conservação e manejo da vida silvestre pela UFMG.

04 agosto, 2004

Incoerência

Sinceramente não entendo! Mas afinal o que é que este "governo" quer para a floresta em Portugal? Deparo-me com notícias na comunicação social de que o "governo" pretende reforçar os meios disponíveis para o combate às chamas de forma a proteger a floresta e depois surgem notícias na mesma comunicação social de que os poderes sobre a RAN e a REN vão ser transferidos para as câmaras municipais (pretende o "governo" demarcar-se de algo que nunca soube gerir?) e de que áreas de protecção natural do P.N. Sintra-Cascais poderão vir a ser sacrificadas com dezenas de empreendimentos. Além disso encontra-se prestes a ser aprovado um plano de pormenor na costa vicentina (e em plena rede natura 2000) que visa a construção de uma zona turística de 80 000 m2! Mas afinal porque é que se anda a apagar fogos...