23 novembro, 2007

Os seis pecados do "falso marketing verde”


Gostaria de dar a conhecer o estudo The “Six Sins of GreenwashingTM” - A Study of Environmental Claims in North American Consumer Markets.

Apesar de se dedicar a estudar o fenómeno do "falso marketing verde" nos mercados norte-americanos, revela aspectos que facilmente poderiam ser comparados com o caso do mercado português, tanto no que diz respeito à publicitação de produtos, como a toda a estratégia de marketing das empresas. Como sabemos, infelizmente há cada vez mais casos de empresas que se dizem verdes quase de um dia para o outro, sem quaisquer alterações de fundo na forma como desenrolam as suas actividades, apenas porque querem apanhar a "vaga verde" de potenciais consumidores.


Resumo
O surgimento recente da consciencia ambiental na América do Norte é inegável. Este foi documentado por muitos investigadores e largamente difundido na imprensa.

O aumento de iniciativas de marketing "verde" também estão bem documentadas. Menos estudado está o aparente aumento no "falso marketing verde" - trata-se de uma estratégia de marketing enganosa envolvendo falsas declarações.

Num esforço de descrever, compreender e quantificar o crescimento do "falso marketing verde", a TerraChoice Environmental Marketing Inc. levou a cabo uma sondagem a seis empresas com grande peso no seu respectivo mercado. Através destas sondagens, foram identificados 1018 produtos de consumo envolvendo 1753 reivindicações anbientais. Dos 1018 produtos examinados, todos exceptuando um faziam reivindicações que podem ser demonstradamente falsas ou que se arriscam a enganar a escolha de alguns consumidores

Com base nos resultados das sondagens foram identificados seis padrões no processo de levar a cabo o "falso marketing verde”, que são reconhecidos neste estudo como os "Seis Pecados do Falso Marketing Verde".

Descarregar (PDF em Inglês)
The “Six Sins of GreenwashingTM” - A Study of Environmental Claims in North American Consumer Markets

Fonte: TerraChoice - Environmental Marketing

06 novembro, 2007

Nova Ameaça ao Sapal de Corroios

Há cerca de 4 anos uma parte da área natural do Sapal de Corroios ficou danificada com a construção de tanques de piscicultura. Em Julho de 2003 foram anuladas por despacho do secretário de Estado do Ordenamento do território, as licenças de construção dos tanques.

No entanto, a reposição da área no seu estado natural não foi empreendida.

Agora, o mesmo projecto volta a aparecer podendo ser aprovado pela autarquia.

Fonte: Comunicado Grupo Flamingo (Novembro 2007)





Documentos:

Consulte aqui o comunicado do Grupo Flamingo (pdf)

Participe no Abaixo-assinado (pdf)

19 outubro, 2007

Pesticidas: Agir hoje para não sofrermos amanhã

A cadeia alimentar da União Europeia encontra-se contaminada com 324 resíduos diferentes de pesticidas - dos quais, entre os mais comuns, são conhecidos efeitos secundários na saúde humana.

Metade dos frutos e vegetais que comemos contêm resíduos de pesticidas. Um em cada 40 bens alimentares produzidos na união europeia contêm pesticidas acima dos níveis máximos admissíveis.

No fim do mês de Outubro os nossos representantes no Parlamento Europeu vão tomar decisões importantes acerca do uso futuro de pesticidas na União Europeia.

Ajudem a influenciar esta votação. Nao custa nada, basta apenas mandar um e-mail aos deputados portugueses no Parlamento Europeu.

Podem fazê-lo através da página do Pesticide Watch e ajudar a exigir maior protecção à saúde humana e ao ambiente. Demora apenas um minuto a fazer chegar as suas preocupações acerca dos pesticidas (se preferir pode enviar este e-mail tipo)

Fonte: Pesticide Watch

03 outubro, 2007

Seminário internacional "Avaliação e Comunicação da sustentabilidade"


A avaliação e comunicação da sustentabilidade, designadamente através de indicadores, apresenta uma tendência crescente de desenvolvimento, como é evidenciado pelas múltiplas iniciativas nacionais e internacionais, envolvendo organizações públicas e privadas e focando diferentes escalas de trabalho (multinacional, nacional, regional e local).

Perante a necessidade de avaliar o desempenho regional num referencial de sustentabilidade, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve) com o apoio e coordenação científica da Universidade do Algarve, decidiu desenvolver o Sistema de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do Algarve (SIDS Algarve), contemplando as componentes ambiental, económica, social e institucional. A concepção do SIDS Algarve teve como principais desafios contribuir para a melhoria do processo de tomada de decisão, promover e facilitar o acesso à informação, envolver as comunidades locais na discussão dos principais temas da sustentabilidade regional e fomentar a cooperação institucional, através de um trabalho em rede com os diversos actores regionais.


O seminário internacional “Avaliação e Comunicação da Sustentabilidade”, no seguimento dos objectivos definidos na anterior edição de 2004, pretende divulgar o SIDS Algarve e promover a partilha de conhecimentos e experiências internacionais, dando-se especial enfoque ao papel dos indicadores na avaliação e comunicação da sustentabilidade à escala regional. Saliente-se ainda que este evento procurou assegurar a presença de conceituados especialistas internacionais associados às principais problemáticas e desafios da monitorização da sustentabilidade e dos instrumentos estratégicos de desenvolvimento sustentável, incluindo a importância da componente institucional da sustentabilidade, dos modelos conceptuais, da articulação entre as diferentes escalas territoriais e do papel das organizações públicas e privadas e da sociedade civil.


O seminário irá decorrer no Vila Sol Spa & Golf Resort, em Vilamoura, a 22 de Outubro de 2007. Os idiomas de trabalho serão o inglês e o português (com tradução simultânea), sendo a inscrição gratuita mas obrigatória.


O site especialmente criado para este seminário, com todas as informações relevantes, pode ser consultado AQUI

21 setembro, 2007

A comunicação da ciência

São sabidas as dificuldades que muitas vezes se encontram em comunicar a ciência ao grande público. Cada vez mais os cientistas se especializam em áreas muito específicas, e mesmo entre diferentes ciências, as dificuldade existem em pôr todos a "falar a mesma língua". Daí que seja por vezes difícil o sucesso de equipas multidisciplinares, apesar de aí residir o sucesso de muitos projectos.

AthenaWeb é um serviço web para profissionais europeus interessados na comunicação audiovisual da ciência, uma ideia só por si digna de atenção. Constituído por um portal vídeo e um local de trabalho virtual, esta ferramenta tem como objectivo a comunicação da ciência entre os seus participantes e utilizadores, incluindo universidades, laboratórios, organizações sem fins lucrativos e demais organizações não esquecendo, obviamente, a indústria televisiva e cinematográfica.

O site da AthenaWeb pode (e deve!) ser consultado AQUI

04 setembro, 2007

Período de Discussão Pública. Planos de ordenamento de várias áreas protegidas

De 4 de Setembro a 17 de Outubro de 2007 vai decorrer um Período de Discussão Pública dos planos de ordenamento (PO) de várias áreas protegidas.

Planos para consulta em: Página do ICNB

Entidades ou cidadãos podem consultar o PO e apresentar por escrito observações / sugestões ao mesmo, durante qualquer momento do período de discussão pública, nos vários locais indicados para a respectiva área protegida e publicados no Diário da República, 2.a série—N.o 160—21 de Agosto de 2007 ("links", em baixo).

Durante este período existirão sessões públicas para o esclarecimento de dúvidas sobre os planos e também para a discussão de aspectos relevantes ou controversos.

Datas e locais das Sessões Públicas:

Reserva Natural do Estuário do Tejo (RNET)

13 de Setembro:
10 horas—Fórum Cultural de Alcochete, Alcochete;
15 horas—Palácio do Infantado, Samora Correia, Benavente;

21 de Setembro:
18 horas—Salão Nobre dos Paços do Concelho, Vila Franca de Xira.

Paisagem Protegida da Arriba Fóssil e Costa da Caparica

18 de Setembro:
15:30, no Centro de Interpretação da Mata dos Medos, C. Caparica - Fonte da Telha.

Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António

19 de Setembro:
18 horas, na sede/Centro de Interpretação da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, Castro Marim.

Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES)

20 de Setembro:
10 horas—Junta de Freguesia da Marateca, Palmela;
18 horas—Auditório Charlot, Setúbal;

24 de Setembro:
12 horas—Sala de Sessões da Câmara Municipal de Grândola;
18 horas—Salão Nobre da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

Reserva Natural das Berlengas

14 de Setembro:
21 horas—Câmara Municipal de Peniche, Auditório do Edifício Cultural;

4 de Outubro:
21 horas—Câmara Municipal de Peniche, Auditório do Edifício Cultural.

Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António

19 de Setembro:
18 horas, na sede/Centro de Interpretação da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, Castro Marim.

Parque Natural do Litoral Norte

26 de Setembro:
18 horas, na sede do Parque Natural do Litoral Norte.

Parque Natural de Montesinho

3 de Outubro:
10 horas, no Auditório Paulo Quintela, em Bragança;
15:30, no Auditório da Casa do Povo, em Vinhais.


Mais informação:

Discussão pública do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Litoral Norte

Discussão pública do Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho

Discussão pública do Plano de Ordenamento da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil e Costa da Caparica

Discussão pública do Plano de Ordenamento da Reserva Natural das Berlengas

Discussão pública do Plano de Ordenamento da Reserva Natural do Estuário do Sado

Discussão pública do Plano de Ordenamento da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António

Discussão pública do Plano de Ordenamento da Reserva Natural do Estuário do Tejo

Fonte:
Diário da República, 2.a série—N.o 160—21 de Agosto de 2007, Diário da República Electrónico

24 agosto, 2007

Vive-se Do mas não PARA o ambiente – ligação aos OGMs.

E nada haveria de errado neste investimento privado se a rentabilização de tal investimento não entrasse em conflito aberto com o interesse comum em termos de conservação da natureza e saúde pública.


A imagem de um Ambiente como área de eleição em sociedades desenvolvidas tem sido usada abusivamente como meio de propaganda. Nenhumas objecções a isto teria, caso não estivesse essa propaganda, instrumentalizada por quem detém os actuais negócios do ambiente e, caso fosse essa propaganda, o verdadeiro reflexo de modelos de desenvolvimento compatíveis com a defesa do ambiente.

O negócio ligado ao ambiente, diz-se… é uma área em franco florescimento. No entanto verifica-se que tal florescimento colide repetidas vezes com a própria defesa do ambiente. Mas então se o negócio é o ambiente, valerá a pena estragar o pote de ouro? Uma analogia que pode ajudar a entender que tal é possível é o exemplo bem conhecido do negócio ligado às florestas. É difícil imaginar que alguém que viva das florestas possa também contribuir para a sua destruição. Também a nível mais geral isto acontece e o parente mais pobre é a conservação da natureza. Vive-se DO mas não PARA o ambiente.

As actuais preocupações ambientais difundidas através dos meios de propaganda não estão consolidadas verdadeiramente nas medidas que caracterizam os actuais modelos dominantes para o desenvolvimento. Muitos dos resultados de determinado modelo de desenvolvimento socio-económico são apenas visíveis a médio ou longo prazo, o que para o Ambiente se mostra demasiado tarde. Em geral os resultados de práticas erradas do ponto de vista ambiental só são visíveis quando as palavras já foram esquecidas. Outras vezes não são sequer visíveis pois são ocultados. Os efeitos são perversos para a saúde pública e a conservação da natureza.

As ciências da Saúde e as ciências do Ambiente têm percorrido caminhos paralelos, de costas voltadas e com raras intercepções, não existindo um trabalho científico regular para a relação entre causas e efeitos nomeadamente em matéria de poluição ambiental. Os agentes económicos responsáveis pela poluição ambiental ou fragmentação de habitats não têm sido efectivamente forçados a internalizar os reais custos ambientais das suas actividades, nem em termos de danos na saúde pública, nem tão pouco no que se refere à perda de biodiversidade. O recente desenvolvimento de estudos que estimam tais custos na área da Economia Ambiental e que sugerem a sua aplicação com base no princípio do poluidor-pagador fornecem já algumas ferramentas importantes, mas estão longe de pressionar o sistema vigente para uma responsabilização de produtores, distribuidores, consumidores pelo tipo de danos que determinados bens e serviços causam no ambiente.

A conservação da natureza e a investigação científica que dela se ocupa são em geral alvos de fortes pressões e de uma corrente inoperância, a qual resulta de um financiamento muito esparso e repetidamente estrangulado, como o que se passou nos últimos anos no Instituto de Conservação da Natureza. Existem no entanto fortes financiamentos ligados à área da biotecnologia acompanhados de uma propaganda massiva e portadora da ideia de que todo o avanço biotecnológico é um passo para a salvação do mundo (doenças, fomes, desigualdades sociais, guerras, migrações). Tais financiamentos à investigação estão apoiados em dinheiros públicos e também num enorme investimento privado. E nada haveria de errado neste investimento privado se a rentabilização de tal investimento não entrasse em conflito aberto com o interesse comum em termos de conservação da natureza e saúde pública.

Exemplo disso é o recente caso do levantar da moratória aos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) na Europa. Esta problemática do cultivo e consumo de OGMs deve ser reflectiva em diferentes perspectivas: a conservação da natureza, a saúde pública, o princípio da precaução, os direitos do consumidor, a soberania alimentar e por fim, a própria democracia e o acesso à informação.

Conservação da Natureza. Poderá não ser possível a coexistência entre OGMs e biodiversidade natural. O aumento de densidade de espécies resistentes e agressivas ligadas à introdução de OGMs pode afectar espécies que evoluíram naturalmente ao longo de milhares de anos numa conjugação de condições particulares que não se voltarão a repetir, um património natural de valor incalculável. Note-se que mesmo as históricas introduções na Europa de espécies naturais de locais distantes, não tendo predadores ou competidores locais, mostraram fortes impactos na diversidade vegetal e animal. Muitos desses impactos não foram sustidos pelos métodos que se sucederam no controle de pragas. No caso dos OGMs, apesar de cada plantação estar limitada até ao tempo da sua safra, o impacto da sua presença no ecossistema pode permanecer e tornar-se cada vez maior. Quanto mais massificado e regular for o seu uso mais difícil poderá ser conter esse impacto. O aumento da densidade de plantas resistentes a determinados parasitas, competidores e predadores, coloca a vegetação natural numa situação nunca antes conhecida. É provável que pragas de insectos fiquem demasiado confinadas a determinadas áreas onde encontram a vegetação natural não resistente, com o presumível aumento do impacto negativo relativamente ao que teriam numa situação em que a praga se dispersa. Existe ainda a competição directa entre plantas, onde as naturais ficarão certamente em desvantagem. Conhecida a relação de dependência que existe entre plantas naturais e entre estas e determinados grupos de fauna, o desaparecimento de uma dada espécie natural pode, num efeito de cascata colocar o ecossistema numa série de alterações bruscas.

Saúde Pública, Princípio da Precaução e Direitos do Consumidor. A Agência Europeia para a Segurança Alimentar não realizou estudos relativos aos efeitos metabólicos da utilização de OGMs na alimentação. Preferiu antes aprovar um tipo de OGMs (neste caso, milho transgénico) aceitando como estudos “seguros” e credíveis, os realizados por uma das partes interessadas, as empresas que comercializam OGMs. Por exemplo, estudos realizados pela Monsanto referem a ausência de efeitos de OGMs (milho transgénico) a nível de fígado e rins em ratos, mas os mesmos dados trabalhados estatisticamente de outra forma por uma universidade francesa revelaram resultados bem diferentes. Seguindo o princípio da precaução, não deveria ter sido levantada a moratória aos OGMs na Europa sem que garantias concretas fossem apresentadas por grupos independentes sobre a ausência de efeitos dos OGMs em termos de saúde pública quer no seu cultivo (p.ex. alergias) quer no seu consumo (p.ex. problemas metabólicos). Os testes serão então feitos através do nosso próprio consumo em massa, sem o podermos evitar, uma vez que a união europeia não obrigou à rotulação de todos os produtos com OGMs e nem sequer proibiu a inclusão de OGMs nos produtos biológicos. A união europeia apenas impôs uma percentagem máxima por produto biológico, que é claramente insuficiente para quem não quer consumir OGMs de todo. Estas duas questões (a ausência de informação obrigatória em rótulos de qualquer produto contendo OGMs e a presença de OGMs em produtos biológicos) constituem um atentado contra os direitos do consumidor, não permitindo o direito de opção.

Soberania alimentar. Se por um lado a indústria ligada aos OGMs promete uma solução para a fome no mundo, por outro temos razão para desconfiar que nessa solução reside um outro grande problema, o da dependência. No caso dos povos que vivam directamente da agricultura para sobreviver, toda a sua vida futura poderá ficar nas mãos de umas poucas empresas que comercializam sementes geneticamente modificadas. Mesmo os agricultores com maior capacidade financeira poderão não suportar o impacto de uma competição desigual como o que está já a acontecer mesmo dentro do Hemisfério Norte. Existe a situação de agricultores que vêm os seus campos serem invadidos por OGMs mesmo contra a sua vontade (por propagação). Para além das novas plantas competirem com as culturas naturais, processos foram accionados contra agricultores que tinham OGMs nos seus campos sem os comprar. Perante tais formas de pressão é difícil exigir que os agricultores permaneçam resistentes a esta uniformização forçada. Por outro lado, os bancos de sementes existentes deparam-se com os problemas da preservação das sementes a longo prazo. Mesmo os bancos de sementes que utilizam já novas técnicas de preservação de tecidos biológicos irão defrontar-se com dois problemas reais. Como preservar o vastíssimo património natural que é a biodiversidade? Como fazer chegar as sementes a todos os que delas precisem? Se a utilização de OGMs vier a estar massificada, tal colocará em causa a soberania alimentar dos povos e não só, pois caso a alimentação dos povos fique nas mãos de umas poucas empresas, estas ditarão a sua vida, o seu futuro.

Democracia e acesso à informação. As aparentes consultas públicas foram realizadas ao abrigo da lei europeia que o exige, mas tiveram um eco muito reduzido entre os cidadãos e os resultados desfavoráveis relativamente aos OGMs apesar de constarem na internet não foram devidamente divulgados. Veja-se ainda a seguinte particularidade do processo de decisão. Mesmo os estados-membros votando maioritariamente contra a introdução de um dado OGM, basta que a maioria não atinja os dois terços, para que a autorização para a introdução possa prosseguir. E por incrível que pareça, as razões que a união europeia apontou para levantar a moratória ao cultivo de OGMs são basicamente económicas e ligadas à concorrência com os grandes mercados instalados, EUA e China. Relativamente a Portugal o cenário não é muito animador. O Ministério da Agricultura apenas tornou pública a informação sobre os campos com OGM (milho) demasiado tarde, muito depois da época de cultivo, o que é contrário ao exigido na transposição da directiva europeia. Mais, a divulgação é claramente insuficiente, não constando nesta a localização exacta das plantações de OGMs.

Actualmente discute-se sobre os caminhos que os cidadãos poderão empreender para conseguirem fazer frente à enorme pressão criada pelas grandes corporações, nomeadamente as ligadas aos OGMs, sobre os decisores políticos e a sociedade da informação. Entre os investigadores ligados às ciências biológicas e mais precisamente os que trabalham actualmente em biotecnologia, a pressão essa é ainda maior, dado o estrangulamento sofrido nos últimos anos na Europa relativamente aos fundos públicos para a ciência. Deparamo-nos assim numa encruzilhada que poderá ditar uma nova ordem mundial, talvez mais fragmentada do que a anterior na distribuição de poder entre nações dadas as novas emergentes economias como a China e a India, mas muito mais monolítica do ponto de vista de uma finança global. Esta última parece assumir um carácter decisor dos desígnios da própria humanidade, como se percebe pela presente tentativa de uniformização da própria alimentação.

Dia mundial sem carros - sugestões de preparação

O próximo dia 22 de Setembro assinala mais um dia mundial sem carros. A este propósito fica aqui a sugestão do sítio da World Car Free Network. Neste sítio que é o quartel general do movimento global Car free, pode-se aceder a informação proveniente de todo o mundo sobre como revitalisar as cidades e criar um futuro sustentável.

Além de albergar o movimento Car free, o sítio oferece recursos para arquitectos, planeadores, professores, estudantes, decisores e demais cidadãos activos. Razões mais que suficientes que justifiquem um clique no link apresentado.

Ainda a propósito deste dia sem carros, destaque para a cidade de Viena, que já convidou todos os seus cidadãos a estender o lençol de piquenique em todos os espaços verdes da cidade. Para o dia anterior, 21 de Setembro, está marcada mais uma Massa Crítica, uma iniciativa com expressão mundial, realizada também em Portugal e normalmente anunciada aqui nos ambientalistas. O objectivo é reclamar as ruas da cidade para os meios alternativos de transporte - bicicletas, skates, patins, a pé - tudo vale desde que não seja poluente. Fica aqui o link internacional da Massa Crítica.

Podemos deixar para os comentários as vossas opiniões sobre as edições passadas do dia sem carros - o que correu bem, o que correu mal, e sugestões para que este seja cada vez mais um dia realmente eficaz na sensibilização das populações.

17 agosto, 2007

Energúmenos!

É por causa destes idiotas/bestas/energúmenos que muitas das causas ambientalistas - bem como os próprios ambientalistas - são mal vistos mundo fora.

Em nome individual, repudio veementemente este tipo de acção.



Movimento ambientalista ceifa num acto simbólico

Activistas destroem um hectare de milho transgénico em Silves

Associação Almargem demarca-se de destruição de plantação

08 agosto, 2007

Ambiente, área de paradigmas. O primeiro paradigma.

Se por um lado a defesa do ambiente aparece incorporada num discurso quase sempre de urgência, por outro, o ambiente é também a área onde na acção, as expectativas mais cedo se desvanecem.

Ambiente, área de paradigmas.

O primeiro paradigma. A aparente inadaptabilidade entre medidas pró-ambientais e medidas socio-económicas não é obra deste século. Ganha no entanto uma nova incontornabilidade.

A procura de um ritmo de crescimento assumido como necessário e não questionável na economia global reforça hoje este paradigma. Agentes económicos e decisores políticos justificam assim a aprovação de projectos que violam até normativas europeias, não fossem estas mesmas passíveis de serem ultrapassadas pelos desígnios da nação.

Começando pelo exemplo mais recente, a aprovação dos projectos de “interesse nacional”, os PINs, que invadem áreas naturais classificadas, com regimes especiais de protecção, nomeadamente áreas abrangidas pela Rede Natura 2000. A criação directa de postos de trabalho associados a alguns destes projectos tornam-nos alvo de esperança por parte das populações que habitando em áreas protegidas viram os seus interesses completamente protelados ou esquecidos por mais de 2 décadas.

De facto é fácil verificar que o conflito entre a protecção do ambiente e as melhorias sociais é em geral uma falsa questão pois só se autolegitima na precariedade. Exemplos do passado assim o demonstram.

Vários projectos de espírito empreendedor foram implementados em regiões pobres com vista à criação de emprego no passado longínquo e também recente. O distrito de Setúbal é o exemplo que melhor concilia o historial de indústrias poluentes com o loteamento recente do seu litoral. Mas a criação de novos postos de trabalho não será garante de um futuro melhor se for apoiada na fragilidade das populações gerando portanto apenas trabalho precário. Tal como a implementação das indústrias foi feita sem a garantia de contrapartidas de desenvolvimento a longo prazo, também agora os complexos turísticos demonstram um comportamento predatório não oferecendo garantias futuras às populações locais. Foi fácil e rápida a desmantelação de algumas das indústrias onde trabalharam avós e pais, que hoje se movem para outras zonas do mundo deixando a população novamente sem emprego e já então com uma pesada herança de problemas de saúde devido à elevada concentração de poluentes no Ambiente. Agora os netos podem usufruir de uma nova vaga de empreendedores. Juntem-se aos complexos turísticos os outros casos de PINs que dizem respeito ao sector industrial e cite-se o exemplo da mega-aquacultura para Mira, um projecto rejeitado por Espanha e aceite em Portugal.

Na América do Norte percorreram-se décadas até que o cidadão comum pudesse levar a tribunal casos de destruição ambiental. Na Europa o cidadão ainda pouco vale individualmente, mas quando apoiado em organizações consegue fazer alguma pressão no sentido de denunciar crimes ambientais. Na Ásia, na América do Sul e em África os atropelos ao ambiente somam-se e confundem-se dramaticamente com as violações a direitos humanos, como no caso da deslocalização forçada de comunidades ou mesmo a sua aniquilação, ultrapassando as piores expectativas.

Mas se neste “conflito” entre ambiente e desenvolvimento, o primeiro é o perdedor compulsivo e isso é justificado como fruto de um fraco poder de negociação por parte de países muito pobres, tal argumentação não pode ser utilizada para países dentro de um espaço geo-político como a Europa. Tendo Portugal sido alvo de programas para o desenvolvimento durante duas décadas como o Programa Leader, ao qual se somaram projectos como os Interreg e Life, e estando agora o país sob legislação mais exigente do ponto de vista ambiental, não se entende facilmente como se continuam a promover modelos de desenvolvimento com enormes custos ambientais, como é o caso da profícua invenção dos PINs que vem agora legitimar a abusiva ocupação da orla costeira.

Se o que hoje nos parece um balão de oxigénio, irá muito possivelmente sucumbir, senão no estouro da globalização, então mais à frente...

Saramago lembrou-se de que o Universo não guardará memória de nós, para depois dizer acreditar num amaldiçoado caminho. Não será esse mesmo o sentido das palavras e da existência? Sem qualquer pretensão, consequência... escrever para apagar, ereger sabendo largar… não deixar de interagir… combater o nosso vazio e a etológica indiferença.


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