18 novembro, 2006

Paisagem portuguesa descaracterizada por árvores importadas

Gonçalo Ribeiro TellesO arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles (na foto) criticou o trabalho dos autarcas na manutenção da paisagem portuguesa, considerando que esta está a ficar descaracterizada pela introdução de árvores importadas.

«Trata-se de um espantoso erro cultural e os responsáveis são, em grande parte, os dirigentes municipais que estão a introduzir, em Portugal, uma paisagem que não é a nossa e cuja manutenção sai bastante cara».

Ribeiro Telles entende que «o problema é a concepção que as pessoas têm de paisagem. Agora, é tudo igual do Minho ao Algarve e a paisagem portuguesa, que é constituída por espécies indígenas e tradicionais, está completamente descaracterizada, com palmeiras e relvados em lugar de matas e prados».

«Todos os empreendimentos urbanos apostam numa flora que não é a nacional e os arquitectos paisagistas nas câmaras são confrontados com projectos já prontos e acabam por não ter possibilidade de inverter esta moda», disse o arquitecto.

Jorge Soares David, do Instituto Superior de Agronomia, concordou com as críticas de Ribeiro Telles. «Os autarcas, que têm mandatos de quatro anos, não querem esperar pelo tempo que uma espécie [típica de Portugal] demora a crescer, porque isso não lhes permite mostrar obra feita».

Fonte: Jornal de Notícias, adaptado de Patrícia Santos, CONFAGRI


Aguardam-se os vossos comentários a este tema, participem!

10 novembro, 2006

AMBIURBE

A AIP - Associação Industrial Portuguesa, organiza pela primeira vez a maior iniciativa do sector do ambiente, reunindo num espaço único e com uma visão integrada, duas acções que se complementam e potenciam: AMBIURBE - 1º Salão Internacional do Desenvolvimento Sustentável; 2º FÓRUM RSO - Fórum Português da Responsabilidade Social das Organizações.

O evento encontra-se a decorrer, até 12 de Novembro, na FIL – Parque das Nações.

Evento único em Portugal, o AMBIURBE será ponto de encontro obrigatório para milhares de profissionais de empresas públicas e privadas e para a administração central e local, criando uma excelente oportunidade de promoção de equipamentos, produtos, serviços e soluções, dos sectores da energia, água, resíduos, ambiente atmosférico, ordenamento e urbanismo.

As principais linhas estratégicas deste certame são definidas pela Comissão Organizadora, sendo esta composta por personalidades de relevo no sector, com conhecimentos únicos do mercado e seus intervenientes.

Durante o decorrer da exposição, terão lugar seminários e conferências sobre temáticas actuais, organizados por entidades de reconhecido mérito no sector, nomeadamente:

Planos de Segurança e Saúde nos Sistemas de Distribuição de Água
Organizador: APDA – Assoc. Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Água

Resíduos Sólidos Urbanos
Organizador: APEMETA – Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais

Microgeração
Organizador: Embaixada Britânica

Planos de Gestão de Bacia Hidrográfica
Organizador: APRH – Associação Portuguesa de Recursos Hídricos.

Apostar no Biodiesel, Preservar o Ambiente
Ecocasa
Fundo de Conservação da Natureza e rede de micro-reservas naturais em Portugal
Organizador: Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

Responsabilidade Climática em Portugal: Índice ACGE 2005
Organizador: Euronatura

Competitividade, Coesão Social e Sustentabilidade Ambiental : o papel das Plataformas Tecnológicas Europeias no quadro da Estratégia de Lisboa
Organizador: Ordem dos Engenheiros

08 novembro, 2006

FNB - Felicidade Nacional Bruta

Mercado no ButãoDepois de ter visto o esclarecedor documentário The end of Suburbia: Oil Depletion and the Collapse of The American Dream (que recomendo), cada vez mais acredito que o percurso de evolução da espécie humana não pode estar direccionada para um aumento ininterrupto do seus índices de actividade económica ou dos seus consumos. Não existe nenhum sistema natural em que seja possível sustentar crescimentos infinitos. É precisamente essa a visão que é tida hoje em dia como uma tendência natural de desenvolvimento das nações do chamado "mundo desenvolvido". Mas será o desenvolvimento do quê? De níveis de conforto? A que preço? Gastando que recursos a nível global?

Esta visão que está implícita na nossa maneira de viver em sociedade (e de usar recursos) terá que ter um fim. Ao contrário do que sempre desejei, penso que a viragem não partirá das pessoas, será uma imposição das condições de vida e da conjuntura económica geradas pela chegada em breve do pico do petróleo. Os seres humanos terão que re-aprender a usar menos recursos para viver, a deslocar-se usando meios energéticamente mais eficientes, se quiserem ter uma vida digna, se quiserem ter com que se alimentar e vestir no dia-a-dia.

(Veja aqui a apresentação do documentário: "The end of Suburbia")

Por isso penso que é importante começarmos a pensar no interesse de notícias como esta:

Economistas dizem que o Japão deveria inspirar-se no feliz Butão

O ultracompetitivo Japão deveria preocupar-se menos com o crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB) e inspirar-se mais no exemplo do Butão, que mede o seu progresso outro tipo de indicador: a Felicidade Nacional Bruta (FNB), anunciaram nesta quarta-feira famosos economistas japoneses.

"O Japão tem muito que aprender com o Butão", declarou Takayoshi Kusago, ex-economista do Banco Mundial e professor da Universidade de Osaka, durante um simpósio sobre a 'felicidade nacional bruta' organizado em Tóquio pela chancelaria japonesa.

O PIB do Butão é somente de 500 milhões de dólares, quase nove mil vezes inferior ao do Japão (4,4 trilhões de dólares). Mas, desde 1970 este pequeno reino do Himalaia preocupa-se sobretudo com o crescimento da sua Felicidade Nacional Bruta (FNB), um índice que mede a felicidade individual de cada cidadão.

O «FNB» leva em conta quatro factores: o desenvolvimento sócio-económico duradouro e equitativo, a preservação do meio ambiente, a conservação e promoção da cultura, além de bons governos.

"Em busca de um modelo de desenvolvimento, o Butão não encontrou qualquer índice que estivesse de acordo com os valores e aspirações do país. Ao contrário, só viu que o mundo estava dividido entre nações ricas e em nações pobres", explicou o economista do Butão, Karma Galay.

Os economistas japoneses admitem que no referente ao FNB, os progressos do Butão eram muito superiores aos do Japão, onde o índice de suicídios é um dos mais altos do mundo e não é rara a morte por excesso de trabalho.

Além disso, cada criança do Butão parece ser um especialista em questões de meio ambiente. "É muito melhor do que aquilo que se ensina aos meninos japoneses neste campo", destacou Shunichi Murata, professor da Universidade Kansei Gakuin.

Artigo retirado do blogue: Política à Portuguesa

01 novembro, 2006

Condenação do Estado Português por violação de normas ambientais

O Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias condenou no passado dia 26 de Outubro o Estado português por violação de normais ambientais na escolha do traçado da auto-estrada do sul (A2), dando provimento a uma queixa apresentada pela Comissão Europeia.

O Tribunal, considera que o Estado português não cumpriu as obrigações relativas à preservação dos "habitats" naturais e da fauna e flora selvagens, ao dar execução a um projecto de auto-estrada cujo traçado atravessa a Zona de Protecção Especial (ZPE) de Castro Verde, apesar de um estudo de impacto ambiental negativo.

O caso havia sido levado a tribunal pela Comissão Europeia, na sequência de uma queixa apresentada em 2000 por três associações ambientalistas - LPN, Quercus e Geota -, segundo as quais existiam alternativas à execução de um troço de cerca de 10 quilómetros no interior da ZPE de Castro Verde, assim classificada devido aos "habitats" de aves selvagens.

O acórdão indica que as autoridades portuguesas analisaram e recusaram várias soluções alternativas que atravessavam a ZPE de Castro Verde mas não demonstraram ter estudado alternativas no exterior desta zona.

Para o tribunal, a circunstância de, após a sua realização, a obra não ter produzido tais efeitos - como argumentou o Estado na fase de contencioso - é irrelevante para esta apreciação", pois "é no momento em que é tomada a decisão (...) que não deve subsistir nenhuma dúvida razoável".

O projecto de construção da A2, que liga Lisboa ao Algarve, foi adjudicado em 1997 à sociedade Brisa, que, em relação ao sublanço da auto-estrada em causa, elaborou um projecto de traçado atravessando a parte ocidental da ZPE de Castro Verde, tendo em 2000 o secretário de Estado do Ambiente autorizado a execução da obra.

O sublanço da auto-estrada A2 de Aljustrel a Castro Verde foi aberto à circulação em Julho de 2001, numa altura em que já estava em curso um processo de infracção aberto pela Comissão na sequência da queixa apresentada pelas associações ambientalistas.

Veja aqui a notícia original


Fonte: Diário Digital / Lusa


Notícia relacionada:

ICN projecta alargamento da ZPE de Castro Verde

31 outubro, 2006

China: Dessalinização para aliviar a seca

«A seca atingiu a China, onde centenas de milhões de pessoas estão sem acesso assíduo a água potável. O governo chinês anunciou na passada terça-feira, que irá iniciar dessalinização de água do mar para ajudar a combater a crise.

Apesar da seca generalizada, a Industria ignorou os perigos de poluição e despejou resíduos industriais tóxicos em rios e lagos da China, onde existe um quinto da população mundial mas só 7% dos recursos hídricos.

“Esperamos dessalinizar entre 800.000 e 1 milhão de metros cúbicos de água do mar por dia e usar 55 biliões metros cúbicos anualmente em 2010”, declarou a Comissão para as Reformas e Desenvolvimento do Estado, explanando o plano.

A china dessalinizou 120.000 metros cúbicos de água salgada por dia, no ano passado.

Não é imediatamente perceptível como é que a China, que está desesperadamente com falta de combustíveis, irá alimentar as instalações de dessalinização altamente consumidoras de energia.
Mais de 600 médias e grandes cidades da China estão a sofrer “sérios cortes de água”, afirmou este mês o Ministro dos Recursos Hídricos Wang Shucheng.

O país está a investir biliões num projecto para transferir água do luxuriante sul para o norte árido. A chamada rota Oeste deste projecto poderá envolver a afectação de rios das montanhas Tibetanas para saciar a sede da província de Qinghai e de outras áreas pobres ocidentais.
Mas Wang disse que o sistema proposto, com túneis que se estendem por 300Km e que custará mais do que os $25 biliões que custou mega-projecto hidroeléctrico da Barragem das Três Gargantas, foi desnecessário, não-cientifico e impraticável.»
Fonte: Reuters (Tradução livre)

30 outubro, 2006

Três anos de "Os Ambientalistas"

3 AnosFaz precisamente hoje três anos que começou esta aventura.

Queremos agradecer a todos os que comentam os nossos posts, especialmente aos que já cotribuíram para o engrandecimento desta iniciativa, tanto pela a escrita de artigos, como pela pesquisa de informação, ou através dos comentários aos posts que aqui temos deixado.

Especialmente a (nicks):

talinha
aearluin (A Inevitável Insatisfação do Ser )
crosas (CONFAGRI - Ambiente)
faz_do_mar_tabua_rasa
joaosoares (Bioterra)
tetrapol
climatrónico

Ao fim de três anos, conseguiu-se consolidar um grupo de 4 intervenientes activos, que possibilitam que o blogue seja mais apelativo e mais rico em informação.

Estes são a "alma" d'Os Ambientalistas:

Polietileno
neomorf
jpqueiros
tiago

Esperamos que esta iniciativa venha a ajudar tanto aqueles que são profissionais, como estudantes relacionados com a área do Ambiente, ou o ocasional internauta que pesquisa por informação de cariz ambiental, e não a encontra facilmente nos meios de comunicação convencionais.

Contamos com a vossa colaboração, com as vossas dúvidas, sugestões e críticas.

Ajudem-nos a melhorar, participem!

27 outubro, 2006

Conferência: “Desenvolvimento Sustentável: Usos e Abusos”

Realiza-se na próxima Segunda-feira, 30 de Outubro às 17:00, no auditório da Auditório da Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais da Universidade do Algarve, a conferência “Desenvolvimento Sustentável: Usos e Abusos”.

O orador será o Doutor José Delgado Domingos, Professor Catedrático Jubilado, do Instituto Superior Técnico, da Universidade Técnica de Lisboa, investigador prestigiado na área científica da Termodinâmica, Mecânica dos Fluidos e, particularmente, na temática da Energia, Ambiente e Sustentabilidade.

É também autor de diversos estudos críticos da instalação da energia nuclear no País.

Semana Europeia da Mobilidade - Resultados 2005


Normalmente as semanas europeias da mobilidade e as iniciativas do "Dia sem carros" são criticadas pois o sentimento da maioria das pessoas é o da não eficácia desse tipo de iniciativa.

Aquando da semana europeia da mobilidade deste ano, o Instituto do Ambiente lançou os resultados da semana europeia da mobilidade em 2005, que ocorreu de 15 a 22 de Setembro.

Podem consultar a síntese desses resultados aqui

24 outubro, 2006

Via Algarviana - um outro algarve


O projecto Via Algarviana, foi proposto pela Almargem - Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve e apoiado no âmbito do PROALGARVE, Eixo 2 – Medida 1, encontra-se em execução desde Maio de 2006.

Mais informações sobre a via algarviana:

Passeio Promocional da Via Algarviana - Diário Online

Via Algarviana tem nova imagem - Observatório do Algarve

Fonte: Almargem

20 outubro, 2006

Cidadãos desafiados a lutar contra a cultura do betão

Logotipo da IniciativaEstá nas mãos dos cidadãos da Área Metropolitana do Porto (AMP) proteger os espaços verdes que ainda resistem e "lutar contra a cultura do betão". O repto é lançado pela associação Campo Aberto, que vai promover uma campanha para identificar "50 espaços verdes em risco; 50 espaços verdes a preservar".

A ideia desta campanha é que os cidadãos identifiquem nos seus concelhos áreas ameaçadas e nos comuniquem. Depois seleccionaremos 50 espaços em risco e elaboraremos uma lista [em Março de 2007] que poderá ser de grande utilidade para as câmaras", explicou o responsável.

O ambientalista prevê que, a manter-se o crescimento desregrado da urbanização, dentro de 20 anos, poderão não sobrar espaços verdes na Área Metropolitana do Porto. E lembra ainda que a campanha, que arranca oficialmente no próximo dia 25, "depende dos cidadãos, da sua mobilização e empenho nas denúncias, sejam em nome individual, através de associações locais, juntas de freguesia ou paróquias".

A ideia não é identificar os parques urbanos ou jardins classificados, mas as zonas verdes que não têm merecido a devida atenção. " Queremos contrariar o lóbi do betão", refere Bernardino Guimarães, mas a listagem poderá contribuir também para a "criação de uma rede ecológica a nível metropolitano, que ligue as zonas verdes dos vários concelhos".

No próximo dia 25, a Campo Aberto fará a apresentação pública da campanha, pelas 21.15 horas, no Departamento de Ciência de Computadores da Faculdade de Ciências (antigo edifício da Faculdade de Psicologia, ao Campo Alegre).

Veja aqui como participar

Depois preencha o formulário online ou então descarregue aqui a versão pdf, para enviar mais tarde (até final de 2006, o mais tardar).

Fonte: Jornal de Notícias, Inês Schreck, Adelino Meireles