12 abril, 2006

Relatório de Estado do Ambiente 2004

Foi apresentado no passado dia 10 de Abril, em Lisboa o Relatório do Estado do Ambiente em Portugal 2004.

Aqui podem ver em formato excel informações quantitativas acerca do estado do Ambiente em Portugal, por descritor ambiental, e comparar estes valores com a média europeia.

06 abril, 2006

Capitalismo Natural Vs. Capitalismo Industrial

Com a revolução industrial e o surgimento do capitalismo, a degradação ambiental que já era evidente transformou-se num grande negócio. Explorar gratuitamente uma natureza que até então se considerava inesgotável sempre foi lucrativo e muitas vezes louvável. O que não era esperado é que a grande fonte de matéria prima chegasse a exaustão em menos de um século, exigindo dos seus exploradores uma compensação imediata sob a pena dos mesmos promoverem sua própria derrocada em função da escassez de recursos naturais.

Durante algumas décadas, muitos cientistas patrocinados principalmente por países altamente industrializados insistiram na possibilidade de se criar em laboratório as condições necessárias para a continuidade da vida, como se fosse possível tornar-se independente da natureza. Porém, já foi comprovado que isto não é possível.

Para que exista actividade económica são necessários dois importantes ingredientes: seres humanos e recursos naturais. É por este motivo que o Capitalismo Industrial desafia sua própria lógica, pois destrói sua maior fonte de capital. Essa fonte é o capital natural, que fornece "serviços de ecossistemas", como ciclos de alimentação, estabilidade climática, composição atmosférica e produtividade biológica.

Os sistemas industriais retiram da natureza um capital natural de altíssima qualidade e devolvem resíduos contaminantes ou poluentes. Se mantivermos os actuais padrões de uso e degradação da natureza e as mesmas tecnologias de produção, pouco restará dos nossos recursos. Os sistemas vivos estão a perder a capacidade de sustentar a continuidade do processo de vida.

Foi desta forma que físico nuclear e analista ambiental Amory Lovins, P. Hawken e L. H. Lovins criaram a base para a Nova Revolução Industrial: o Capitalismo Natural. Baseado na capacidade do homem de produzir mais e poluir menos, usando tecnologia e conhecimentos já existentes, oferece subsídios para que as empresas possam duplicar a produtividade utilizando apenas a metade dos recursos naturais.

A teoria subjacente ao Capitalismo ambiental procura demonstrar que os negócios e os interesses ambientais se complementam, para satisfazer melhor as necessidades dos clientes, aumentando lucros e, ao mesmo tempo, ajudando a resolver os próprios problemas ambientais.

Adaptado de um artigo de Olimpio Araujo Junior - Livraria Ecoterra

Ver aqui o artigo completo


Veja também:

Nuclear power: economics and climate-protection potential (pdf em Inglês) - Armory Lovins fala neste artigo das consequências, para o ambiente e economia, de um subsidiamento da energia nuclear, face à tendência actual para o crescimento do mercado das energias renováveis descentralizadas.

Four Steps to Self-Reliance The story behind Rocky Mountain Institute's Economic Renewal Project

Climate: Making Sense and Making Money

04 abril, 2006

Jornal electrónico sobre ambiente lançado pela Câmara de Lisboa

A Câmara Municipal de Lisboa lançou uma newsletter (jornal online) com informações sobre ambiente, medidas da autarquia e iniciativas nacionais e internacionais nesta área, em que os munícipes podem colaborar, enviando sugestões ou contributos.

«Queremos com este espaço divulgar mais e mais notícias sobre ambiente, sensibilizar toda a comunidade para as boas práticas ambientais e contribuir para uma maior consciência social sobre a importância de preservarmos o ambiente e reforçar o exercício da nossa cidadania», afirma o vereador do Ambiente e Espaços Verdes, António Proa, na primeira edição do «E-Pólen».

O projecto, que nesta edição apresenta algumas medidas adoptadas pela Câmara Municipal, como a substituição e plantação de novas árvores ou a remodelação da Mata de São Domingos de Benfica, terá uma periodicidade mensal.

Segundo a autarquia, o «E-Pólen», dirige-se a todos os munícipes, estabelecimentos de ensino e organizações não governamentais da área do ambiente.

O gabinete do vereador António Prôa pretende incentivar a participação dos munícipes, pedindo o envio de «sugestões, contributos e ideias».

Subscreva aqui a newsletter.

Fonte: Diário Digital / Lusa

02 abril, 2006

Mentira de 1 de Abril

Lamentamos ter desapontado os nossos leitores assíduos, mas a notícia publicada ontem com o título "Governo vai criar "Super"-Instituto do Litoral" assim como o meu comentário acerca da eventual existência de um comunicado assinado pelo Chefe do Estado-Maior da Armada são absolutamente falsas. Esta é infelizmente uma mentira de 1 de Abril.

Avizinha-se uma legislatura de "mais do mesmo" em termos de gestão do litoral, ou seja a situação tal como a conhecemos hoje em dia continua precisamente a ser esta:

A grande fragmentação de responsabilidades entre as instituições que intervêm na gestão da orla costeira cria conflitos de natureza jurisdicional e impede ou dificulta a resolução das questões concretas relativas ao desenvolvimento sustentável tanto ao nível das entidades públicas como privadas. Por outro lado, estas diversas instituições têm perspectivas, prioridades e interesses muito diversos e de difícil compatibilização.

A inexistência de um mecanismo de coordenação prejudica a gestão integrada e sustentável da orla costeira e tende a promover um desenvolvimento baseado na solução de conflitos de forma casuística, nomeadamente por via de mecanismos de pressão sobre as instituições e o recurso a processos dilatórios.


Esta declaração (cedida à Quercus há já algum tempo) era a única verdade contida na notícia de ontem. Esta foi proferida pelo Prof. João Alveirinho Dias, investigador e docente da Universidade do Algarve, e que é, de facto, um especialista ao nível da Gestão do Litoral.

01 abril, 2006

Governo vai criar "Super"-Instituto do Litoral - Mentira de 1 de Abril


Fonte governamental afirmou, na passada quinta-feira, que no âmbito da reestruturação da administração pública, “serão extintos, fundidos ou reorganizados cerca de 30 organismos governamentais que actualmente têm competências no Litoral”.

Segundo a mesma fonte, criar-se-á um Instituto do Litoral que terá como principal competência a Gestão integrada e sustentável do Litoral Português.

"A grande fragmentação de responsabilidades entre as instituições que intervêm na gestão da orla costeira cria conflitos de natureza jurisdicional e impede ou dificulta a resolução das questões concretas relativas ao desenvolvimento sustentável tanto ao nível das entidades públicas como privadas. Por outro lado, estas diversas instituições têm perspectivas, prioridades e interesses muito diversos e de difícil compatibilização. A inexistência de um mecanismo de coordenação prejudica a gestão integrada e sustentável da orla costeira e tende a promover um desenvolvimento baseado na solução de conflitos de forma casuística, nomeadamente por via de mecanismos de pressão sobre as instituições e o recurso a processos dilatórios", afirmou um reputado especialista em Gestão do Litoral.

Com a criação deste Super-Instituto o Governo tenciona terminar com a inépcia que até agora se tem verificado, bem como criar um mecanismo de coordenação que aglomere várias competência até agora distribuídas por institutos como o ICN, CCDR´s, Institutos Portuários, Capitanias, entre outros.
A sede do Instituto do Litoral será localizada, simbolicamente, no pavilhão de Portugal no Parque das Nações.

Esta medida mereceu desde logo o regozijo das várias associações de defesa do ambiente.

29 março, 2006

Portugal propõe classificação de três fontes hidrotermais



"Portugal vai propor até ao final do ano a criação de três novas reservas marinhas para abranger fontes hidrotermais no arquipélago dos Açores, foi hoje anunciado na COP 8 (Conferência das Partes) da Convenção para a Diversidade Biológica que está a decorrer em Curitiba, no Brasil, até sexta-feira.

Em causa está uma espécie de géisers submarinos que, devido à libertação dos gases, tornam aquelas zonas muito quentes e peculiares em termos dos valores naturais.

Duas destas fontes localizam-se na Zona Económica Exclusiva portuguesa e uma terceira já fora desta área, embora Portugal "tenha ainda alguma jurisdição", explicou o presidente do Instituto de Conservação na Natureza (ICN), João Menezes.

A proposta vai ser submetida à Ospar (Convenção para a Protecção do Meio Marítimo do Atlântico Nordeste), que tem como missões prevenir e combater a poluição e proteger a zona marítima contra os efeitos prejudiciais de actividades humanas.

"O que competirá ao Estado português é a gestão dessas áreas", adiantou o presidente do ICN.

João Menezes disse ainda que Portugal pode ter muito a ganhar com o conhecimento das espécies que se desenvolvem nestes locais.

"Existem microorganismos que sobrevivem nestes sítios, com temperaturas superiores a cem graus centígrados. Portugal tem todo o interesse em ficar na posse de conhecimentos sobre estes recursos únicos".

O acesso e partilha dos benefícios naturais tem sido, aliás, uma questão central na COP 8.

"Muito do que está a ser discutido tem a ver com a integração da biodiversidade nos aspectos económicos e sociais. Há interesse em aumentar a participação das comunidades locais para que os benefícios dos valores naturais revertam também a seu favor", disse João Menezes.

O responsável do ICN salientou que dever-se-á caminhar no sentido da criação de um "mercado da biodiversidade", com a atribuição de valor económico aos valores naturais.

"A ideia é haver um levantamento do que vale a biodiversidade para que esta componente possa funcionar numa lógica de mercado, à semelhança do que aconteceu com o carbono: os que beneficiam da biodiversidade poderiam desfrutar de mais valias e os que prejudicam seriam penalizados", explicou. (in Publico)"

Potência instalada em energia renovável cresceu 82 megawatts em Janeiro


" A produção total de energia eléctrica a partir de fontes de energia renováveis registou um aumento de 82 megawatts em Janeiro, em relação a Dezembro do ano passado, devido à entrada em funcionamento de uma nova central minihídrica e de três novos parques eólicos, revela a Direcção-Geral de Geologia e Energia.

No final de Janeiro de 2006, o total de potência instalada renovável atingiu 6271 megawatts (MW).

Nesse mês, o total da potência instalada eólica era de 1041 MW - distribuída por 104 parques, com um total de 679 aerogeradores em todo o país -, registando um acréscimo de 86 por cento na produção relativamente a Janeiro de 2005. Mais de 70 por cento da potência instalada situa-se em parques com menos de 25 MW.

Até Janeiro de 2006 estavam licenciados 2789 MW de potência eólica. Até 2007 o país deverá ter mais de dois mil MW no sistema eléctrico nacional.

A subida das renováveis fica marcada pelo aumento da produção das grandes hídricas nas bacias do Tejo, Mondego, Douro, Cávado e Lima. As bacias do Tejo e Lima quase triplicaram a sua produção.

"A incorporação de FER [ fontes de energia renováveis] no consumo bruto de energia eléctrica (...) foi de 35 por cento em 2005", revela a Direcção-Geral de Geologia e Energia. "Portugal foi, em 2005, o quinto país da União Europeia a 15 com maior incorporação de energias renováveis".

A produção de electricidade a partir de FER está concentrada no norte, principalmente nos distritos de Bragança (992 MW), Viana do Castelo (780), Vila Real (609), Coimbra (565), Viseu (558) e Guarda (508).

Excluindo a grande hídrica, Viseu (308 MW), Coimbra (298), Vila Real (229), Lisboa (192) e Braga (157) são os principais distritos em termos de potência instalada, representando 58 por cento do total.

Portugal assumiu o compromisso de produzir, em 2010, 39 por cento da sua electricidade final com origem em fontes renováveis de energia. " (in Publico)

Kiribati cria parque marinho



“Anote Tong, presidente da minúscula República de Kiribati, anunciou na passada terça-feira a formação do terceiro maior parque marinho do mundo, durante a 8ª conferência da Convenção para a Diversidade Biológica das Nações Unidas a decorrer esta semana no Brasil.

A Área Protegida das ilhas Phoenix proíbe a pesca de comercial com o objectivo de proteger mais de 120 espécie de coral e 520 espécies de peixe dentro dos seus 191 142 km quadrados. É o primeiro parque marinho do mundo com habitat de alto-mar, incluindo montanhas subaquáticas.

"Se o coral e os recifes forem protegidos, então o peixe crescerá e assim beneficiar-nos-á," afirmou o presidente numa declaração dada aos jornalistas. "Desta maneira todas as espécies de peixe podem ser protegidas para que nenhuma se esgote ou extinga."

Kiribati está localizado no Pacífico central entre as ilhas do Havai e Fiji. É a maior nação-atol do mundo, com 33 ilhas que se estendem por várias centenas de quilómetros.

O Aquário de Nova Inglaterra nos Estados Unidos e a “Conservation International”, uma organização não governamental, ajudaram este minúsculo país a implementar a reserva. As duas organizações farão ainda uma doação que pagará os custos de gerência do parque e compensará o governo pelas perdas associadas à emissão de menos licenças comerciais de pesca.

A pesca de subsistência será permitida no parque para residentes locais. “


Fonte: Reuters

27 março, 2006

Projecto CASTOR

Logotipo do Projecto
A mais promissora abordagem para reduzir o volume de CO2 emitido por grandes indústrias (cimento, eléctricas, refinarias, etc.), que contabilizam mais de 60% das emissões mundiais, é a “captura e armazenagem geológica”, que consiste na recuperação deste gás e na injecção no subsolo.

O projecto CASTOR (“CO2 from CApture to STORage”), é uma iniciativa europeia que agrega 30 parceiros (indústrias, institutos de pesquisa e universidades) oriundos de 11 países Europeus. O projecto é financiado pela Comissão Europeia sob o sexto programa-quadro e coordenado pelo IFP (Institut Français du Pétrole). O objectivo geral do projecto CASTOR é desenvolver e validar, através de parcerias público/privado, todas as tecnologias inovadoras necessárias á captura e armazenagem de CO2 de um modo fiável e seguro.

Especificamente, o objectivo do programa é tornar possível a captura e armazenagem geológica de 10% das emissões Europeias de CO2, ou 30% das emissões de indústrias de grande dimensão (principalmente centrais convencionas de produção de energia). Para conseguir concretizar isto, serão desenvolvidos e validados dois vectores principais: novas tecnologias para a captura e separação de CO2 dos gases emitidos e a seu armazenagem geológico; ferramentas e métodos para quantificar e minimizar as incertezas e riscos associados ao armazenagem de CO2.

Neste contexto, o programa do projecto CASTOR, está direccionado mais especificamente para reduzir os custos da captura e separação do CO2 (de 40-60€/ton CO2 para 20-30€/ton), melhorando o desempenho, a segurança, e o impacte ambiental da armazenagem geológica.

Este projecto será o primeiro no mundo que integra ambos os problemas (captura e armazenagem) ao mesmo tempo, e a validar as suas conclusões testando-as em locais piloto.

Neste sentido, inaugurou já a sua primeira unidade industrial piloto, em Esbjerg (Dinamarca), tornando-se esta a maior instalação industrial do mundo a capturar CO2 nos gases de chaminé numa central termoeléctrica a carvão.

Resta referir que não existe nenhum parceiro Português envolvido neste projecto.

Ver animação em flash

Fontes:
CASTOR

24 março, 2006

Conversores para rentabilização de energia das ondas a caminho de Portugal


"A Ocean Power Delivery (OPD) acaba de enviar o primeiro dos três conversores Pelamis para a criação do primeiro parque de produção de energia das ondas. Esta primeira encomenda corresponde à fase inicial do projecto, que deverá assegurar a produção de 2,25 megawatts (MW).

As máquinas serão entregues no porto de Peniche, onde se irá proceder à montagem para preparar o seu envio e instalação no final de 2006 num local a cinco quilómetros da costa norte de Portugal, junto a Póvoa do Varzim.

Cada uma das máquinas Pelamis tem uma potência de 750 kilowatts (kW), sendo que o objectivo da primeira fase do projecto consiste na encomenda de mais 28 conversores, até ao final do ano. Nessa altura, a produção de energia será de 22,5 MW e poderá responder com eficácia às necessidades de mais de 15 mil portugueses, bem como evitar a emissão de 60 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono.

O parque de produção de energia das ondas junto a Póvoa do Varzim será o primeiro do mundo. Para o director da OPD, Richar Yemm, o pioneirismo português deriva da aposta do Governo, que prevê preços reduzidos para a electricidade criada a partir das ondas, quando comparada com tecnologias mais maduras como a eólica. Esta situação «permitirá investimentos comerciais na sua fase inicial que serão cruciais para fazer a tecnologia evoluir», refere o responsável da OPD. "

Fonte: Portal Ambiente Online