08 setembro, 2005

Hoje, as torres vão abaixo....

As torres da Torralta, na península de Tróia, vão ser destruídas na quinta-feira à tarde, com recurso à implosão.

As Verde Mar e a T04 são o Tolan do Sado. E, tal como o lendário navio encalhado do Tejo, integraram - para o bem e para o mal, mais para o segundo ponto do que para o primeiro - a paisagem de uma região. Até um dia...

Para uns, estas torres personificam um sonho inacabado. Para outros algo que começou torto e que nunca se endireitou. E nesta quinta-feira, em três meros segundos, cairão de vez as memórias de um empreendimento que agitou em tempos idos os verões de milhares de pessoas.

Ficam os fantasmas e os arrepios de quem por lá passou nos últimos anos e vislumbrou o abandono, a falência e a decadência, por entre o desenvolvimento de uma colónia de morcegos-rabudos - ironicamente comentado por alguns como o mais importante contributo da Torralta para a região.

Do que aí vem espera-se que, no mínimo, respeite o enquadramento paisagístico e ecológico de uma das zonas mais bonitas do País, entre o estuário do rio Sado e o Oceano Atlântico.

Seria um bom princípio para o arrojado projecto do grupo liderado por Belmiro de Azevedo.

06 setembro, 2005

As lições do furacão Katrina

Concerteza que se lembram dos nomes que chamaram àqueles que já há largos anos alertaram para os problemas associados às alterações climáticas e outros problemas, como por exemplo o ordenamento do território. Catastrofistas, ambientalistas (no mau sentido da palavra) e fundamentalistas foram alguns deles.

O furacão Katrina veio relembrar a nossa dependência económica dos recursos naturais, veja-se como de um momento para o outro a cidade de Nova Orleães parou (ou seja, o output económico deixou de existir e recursos financeiros foram e continuarão a ser gastos na reabilitação da cidade e no destacamento de recursos militares). Se os capitalistas deste mundo acharem importante, também se pode referir o enorme impacte social que o furacão teve (desalojados, mortos, entre outras tragédias).

O certo é que parte desta tragédia tem origem humana: as alterações ao rio Mississippi e a destruição de zonas húmidas no seu estuário deixaram a área circundante a Nova Orleães anormalmente vulnerável às forças da natureza. As alterações climáticas - com temperaturas crescentes e subida do nível médio do mar - podem também ter exacerbado o poder destrutivo do Katrina.

Citando o presidente do Worldwatch Institute (onde me inspirei para este post), este evento demonstra que "o país mais rico do mundo não está imune à necessidade de respeitar os sistemas naturais e de investir na sua protecção".

Quantas mais evidências serão precisas para que os políticos e a população em geral (que também não está isenta de culpa em muitas questões ambientais) se apercebam da urgência dos problemas ambientais?

Para ler com atenção:
Comunicado do Worldwatch Institute: Unnatural disaster - the lessons of Katrina

Relatório Living Planet

O Living Planet Report é da autoria da WWF, e é uma actualização periódica sobre o estado dos ecossistemas mundiais usando dois indicadores:

O Living Planet Index, que resulta de tendências dos últimos 30 anos em populações de centenas de espécies de aves, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes.

O segundo indicador é uma medida da Pegada Ecológica humana, ou seja a pressão exercida pelos humanos nessas populações, causada pelo nosso consumo de recursos naturais.

Podemos então constatar na versão mais recente deste relatório que a humanidade excede agora a capacidade que o planeta Terra tem para nos sustentar.

Fonte: WWF

Mais informações, relatórios desde 1999 e último relatório completo aqui! Podem inclusivé ver um vídeo animado sobre a evolução da nossa Pegada Ecológica no Planeta.

04 setembro, 2005

Prémio internacional atribuído ao Programa Castro Verde Sustentável da LPN

No âmbito da Exposição Universal de 2005, que decorre até dia 25 de Setembro em Aichi (Japão), foi criado o programa "Global 100 Eco-Tech Awards", visando premiar 100 tecnologias ambientais que contribuem significativamente para a resolução de problemas ambientais globais e para a criação de um futuro sustentável. O Programa Castro Verde Sustentável da LPN foi um dos premiados a nível mundial, sendo assim reconhecido, mais uma vez, o importante trabalho desenvolvido pela LPN no âmbito deste Programa.

A LPN possui na Zona de Protecção Especial para as Aves (ZPE) de Castro Verde 5 herdades, perfazendo um total de cerca de 1700 ha, onde tem vindo a desenvolver o Programa Castro Verde Sustentável. Este programa conta já com 13 anos de existência e tem como objectivo promover a conservação do ecossistema pseudo-estepário da ZPE de Castro Verde, integrando as vertentes da gestão agrícola e do património, da educação ambiental, do ecoturismo, da investigação científica e da conservação da Natureza.

Este é o maior Projecto de Conservação da Natureza desenvolvido em Portugal por uma Organização Não-Governamental, tendo a LPN sido agraciada com a atribuição de prémios por diversas entidades nacionais e internacionais como reconhecimento dos resultados do Projecto.


Consulte também:

Turismo sustentável: o Caso da Liga da Protecção
da Natureza em Castro Verde

02 setembro, 2005

Movimento 560

Foi na última edição do jornal Expresso que, pela primeira vez, ouvi falar no Movimento 560. Este movimento, fundado por três jovens, pretende incentivar a compra de Marcas e Produtos nacionais. A ideia é simples, prática e eficaz. No site do Movimento pode-se encontrar informação sobre o assunto, propaganda para divulgação do mesmo, entre outras informações úteis. Consultem, vale a pena.

Mas, como este blogue pretende ser sobretudo um fórum de discussão, o que acham os nossos leitores deste apelo à compra Made in Portugal? Será (in)suficiente para relançar a nossa economia? Num mundo industrial altamente globalizado ainda faz sentido estes apelos patrióticos? Poderemos fazer escolhas ambientalmente correctas somente com Produtos e Marcas nacionais?Digam de vossa justiça.

31 agosto, 2005

Cidadania (realmente) Participativa

Guia Ambiental do CidadãoHaverá certamente portugueses que já se terão confrontado no passado com dúvidas desta natureza:

Como requerer a consulta ou cópia de documentos administrativos? Como sugerir iniciativas, planos ou projectos à Administração? Como participar nas decisões ambientais e urbanísticas que lhe dizem respeito? A quem se dirigir? Quais as principais infracções ambientais e urbanísticas e como solicitar à Administração ou aos tribunais a sua prevenção ou reparação?

Bem, pelo menos aqueles que ainda conseguirão arrancar algum tempo ao seu dia de trabalho para tratar de quaisquer assuntos que não tenham a vêr com o suprir de necessidades diárias básicas de sobrevivência, terão a possibilidade de dar algum espaço á sua alma consiente para que suscite este tipo de questões...

Para estes (e reparem que lamentavelmente nunca para outros que não estes) se não conseguiram ainda vêr satisfeitas muitas destas dúvidas, escontra-se ao vosso dispôr um conjunto de informação que lhes pode ser particularmente útil:

O Guia Ambiental do Cidadão, um projecto da CIDAMB - Associação Nacional para a Cidadania Ambiental (fundada no ano 2000 pelas Associações Quercus, Geota e LPN), cujo objectivo é o de transmitir, de forma acessível a qualquer interessado, a informação fundamental sobre os direitos de cidadania existentes no ordenamento português por forma a posibilitar o seu exercício.

O Guia está disponível para venda em versão impressa nesta página, embora existam livrarias onde vendem ainda mais barato.

E agora..., espantem-se! Esta informação também está disponível na rede aqui e é inteiramente grátis! - Pode até descarregar aqui a versão PDF.

Para além deste guia existe o SIDDAMB, um sistema integrado de informação documental de legislação (nacional, comunitária, internacional e estrangeira), de jurisprudência e de doutrina em matéria de Ambiente.

Este sistema proporciona um fácil acesso e em tempo real à informação, apresentada de forma interactiva, em texto integral e com análise jurídica associada.

O Portal do Consumidor também fornece uma quantidade considerável de informação legal relativa ao ambiente na perspectiva do "Consumidor"



"Consumidor" é uma palavra que insisto em declaradamente repugnar, pela sua estanquidade e passividade. Esta, na minha perspectiva, ameaça substituir a palavra "Cidadão", que define um conceito muito mais interessante, pois define o indivíduo enquanto elemento participante do processo de democratização e de discussão daquilo que se pretende que seja a Humanidade.

Não seria desejável que todos os cidadãos de uma nação pudessem realmente conheçer, discutir, questionar aquelas que são as suas principais causas/problemas?

Poderá algum dia a cidadania, a mobilidade, a qualidade de vida, a saúde, a educação (e a educação para a cidadania), a cultura, a inovação, a paisagem, o ordenamento, o emprego, a qualidade do ambiente, o empreendedorismo, a imigração... e tantos outros importantes temas entrar nosso espaço de discussão pública, sem que tenha primeiro que passar por um filtro mediático estupidificante? Será que esse filtro faz falta e tem sentido de ser para o consumidor?

Como ninguém "lá de cima" vai "estalar os dedos" e modificar o "estado como estão as coisas", resta-nos a nós fazer um esforço e desencantar algum tempo extra para nos debruçarmos a questionar, a intervir, a conheçer, a aprender a exercer cidadania participativa relativamente aos temas que nos possam interessar.

Por favor usem as ferramentas que têm ao vosso dispôr antes que estas "enferrugem" por falta de uso e não possam nunca mais funcionar.

Por favor queiram comentar, está aberto o debate!



Consultar também:

Digesto - informação jurídica ao cidadão

Portal do Cidadão

Diário da República Electrónico

SEPNA - Serviço da Protecção da Natureza e do Ambiente

CADA - Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (Graças à contribuição de Pedro Costa)

Guia de acesso à justiça ambiental - EURONATURA (Graças à contribuição de A. Fevereiro)

28 agosto, 2005

A árvore em Portugal

A Árvore em Portugal"A Árvore em Portugal" é o título de uma obra de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Telles que a Assírio & Alvim acaba de repor no mercado.

Importa referir, que o livro foi editado originalmente em 1960, reeditado em 1999 e aconselhado em diversas universidades, regressando às livrarias ano e meio após se terem vendido os últimos exemplares da tiragem anterior.

"O livro esgota-se e os responsáveis nada aprendem; é um problema de formação", lamentou Gonçalo Ribeiro Telles em declarações à Agência Lusa. "

Apesar do tempo já decorrido, as teses defendidas no livro continuam a ter a mesma oportunidade de então. Os conceitos apresentados, tanto no que diz respeito à presença da árvore como da mata na paisagem rural, e na cidade; a crítica e descrição da utilização da árvore nas diferentes formas em que surge nas paisagens ecologicamente equilibradas; a razão de ser de técnicas ancestrais e a irracionalidade de outras mais recentes, continuam a ter actualidade e a sentir-se a flagrante necessidade de serem novamente expostas e divulgadas mesmo que algumas citações tenham hoje mais aprofundadas explicações científicas", escreve o arquitecto paisagista no prefácio da obra.

Refira-se, que o livro "A Árvore em Portugal" refere a importância das várias espécies na paisagem urbana e rural, indica as principais formações vegetais em Portugal continental e informa acerca da distribuição típica da vegetação. Quais são as árvores espontâneas em Portugal? Quais as espécies características dos jardins portugueses? Como se adaptam as árvores aos vários tipos de solo?, são algumas das perguntas a que o livro pretende dar resposta.

Fonte: Agência Lusa

Leitura imprescindível:

Dias com árvores

20 agosto, 2005

Avião movido a energia solar dará volta ao mundo

Solar ImpulseEncontrei esta surpreendente notícia no Clean Energy, um blogue exclusivamente sobre Energias Renováveis, que consulto regularmente e cuja leitura recomendo.

Bertrand Piccard, suíco, e Brian Jones, inglês, fizeram o primeiro vôo sem escalas ao redor do mundo, a bordo de um balão Breitling Orbiter, em 1999. Agora juntaram-se novamente para tentar fazer o mesmo percurso, só que a bordo de um avião movido a energia solar.

Para construir o Solar Impulse, o nome do novo avião, que terá a luz do sol como fonte única de energia para sua propulsão, eles estão a contar com o apoio da Agência Espacial Europeia e de uma equipa de 60 engenheiros, especialistas em aeronáutica e energia.

O apoio representa a utilização das mais modernas tecnologias, não apenas de materiais mais leves e aviónica, mas também de células solares orgânicas, mais leves e mais eficientes.

Veja a notícia completa no Clean Energy.

18 agosto, 2005

O novo 'assalto' do betão ao Algarve

Estão previstos mais de cem mil moradias e apartamentos para os próximos anos .

por José Manuel Oliveira (Diário de Notícias)

Ver artigo Completo do Diário de Notícias

17 agosto, 2005

Pensamento do dia

"Às vezes, o que se consegue com os planos é substituir a desordem espontânea pela desordem planeada."

Ilídio de Araújo - Considerações sobre a gestão das paisagens.