13 agosto, 2005

O negócio da reciclagem e as metas europeias


Chamo a vossa atenção para este artigo da naturlink que dá conta do que mau se faz em termos de reciclagem em alguns pontos do nosso país.



Valorsul Incinera Plásticos dos Ecopontos

Está comprometida a reciclagem feita pelas autarquias e cidadãos da grande Lisboa.

A empresa de tratamento de resíduos urbanos da grande Lisboa (Valorsul) está a incinerar 55% dos plásticos recicláveis provenientes da recolha selectiva efectuada pelas câmaras municipais de Lisboa, Loures, Amadora, Vila
Franca de Xira e Odivelas.

Após análise dos resultados da recolha selectiva e triagem de plástico a nível nacional (1), conclui-se que na estação de triagem da Valorsul a taxa de rejeitados dos materiais do contentor amarelo, onde é colocado o plástico, atingiu um valor de 72%, sendo o triplo da média nacional (24%).

Como resultado, em 2004 a Valorsul só reciclou 1,9% do plástico, sendo o segundo pior sistema do país (dos sistemas com mais de 200 mil habitantes). Este sistema só foi ultrapassado pela ERSUC (Distritos de Aveiro e Coimbra) que apresentou um valor de 1,5%.

A explicação para estes fracos resultados, só pode ser encontrada no facto da Valorsul querer queimar o plástico, obrigando assim as câmaras a pagar esse processo, impossibilitando-as simultaneamente de receber o dinheiro a que tinham direito pelo esforço que fizeram na recolha selectiva.

No caso da ERSUC, há um interesse desta empresa em instalar um grande incinerador, pelo que tem sistematicamente impedido o lançamento de uma política de reciclagem nos Distritos de Aveiro e Coimbra.

Para o país esta situação é grave, uma vez que a Valorsul e a ERSUC abrangem cerca de 22% da população portuguesa que se vê assim impossibilitada de dar o seu contributo para a reciclagem de plástico.

Em 2004, Portugal apenas reciclou 2,7% das embalagens de plástico dos resíduos urbanos, quando para 2005 a meta comunitária é de 15%.

Se a política de resíduos for encarada como mais um negócio jamais serão cumpridas as metas que Portugal se comprometeu a cumprir. Pelos vistos não são só os resíduos que precisam de ser separados. Apetece dizer...mas afinal separar para quê?


Veja aqui o artigo completo.

12 agosto, 2005

Formosa Golf. Nem tudo o que luz é oiro.

O seguinte texto é apenas um artigo de opinião que incide, não sobre os aspectos técnicos-ambientais do projecto em causa, mas sobre a própria ideia de construção de um Golfe numa área Protegida. Alerto desde já para a extensão do texto que se segue bem como para o conteúdo que, eventualmente, poderá melindrar os mais sensíveis com este tipo de escândalos.

1.Encontra-se em fase de consulta pública o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do Projecto do Campo de Golfe Formosa Golf. Este projecto “fica localizado no distrito de Faro, concelho de Loulé, freguesia de Almancil, no sítio do Muro do Ludo, sendo delimitado a Este pela ribeira de S. Lourenço e a Noroeste pela EM 540, confinando com o empreendimento da Quinta do Lago”. Por outras palavras: “...a área do Projecto, com cerca de 57 ha, insere-se no extremo poente do Parque Natural da Ria Formosa” (PNRF).

2. Não sou, nem nunca fui, um fundamentalista anti-Campos de Golfe, mas…

3. Apesar dos impactes ambientais significativos serem de facto considerados neste EIA (outra coisa não seria de esperar) a questão prende-se, tão-somente, com a localização. A gestão das áreas protegidas passará decerto pela implementação de projectos turísticos que valorizem ou financiem a área envolvente. Mas, campos de Golfe!? Afinal qual é a razão para existirem áreas protegidas? No fundo não é “nacionalizar” e proteger um pedaço de território que pela sua riqueza Ambiental assim o justifica? Onde é que a privatização de uma parcela de solo para benefício de alguns, se enquadra nesta perspectiva? Por muito bom que seja o Projecto, e não o é, não serão as medidas compensatórias previstas no EIA (vide
resumo não-técnico) que trarão mais-valias à Reserva Natural do Ludo. Porque, quanto a mim, a sua existência por si só é o seu maior dano. Será este o futuro das áreas protegidas em Portugal? A construção de campos de golfe com a desculpa de melhorias ambientais e preservação dos valores naturais existentes? Será que só assim conseguimos preservar estas áreas?

Uma coisa é certa, os promotores imobiliários (campos de golfe e afins) têm um enorme bom gosto na localização dos seus projectos. Uma vez que, de facto, a zona em causa é de uma beleza natural e paisagística impressionante. Pergunto eu zé-ninguém: mas estes energúmenos não têm mais sítios para onde ir construir os golfes?!

4. Dos poucos EIA de campos de golfe que li até hoje, a maioria tem um grave, falacioso e ilusório denominador comum. Os projectos apresentam-se como os salvadores da Conservação da Natureza, que irão não só resolver as dificuldades das áreas circundantes – quase sempre de elevado valor ambiental – como as melhorarão e potenciarão as suas riquezas. No fundo, propõem-se fazer aquilo que o Instituto de conservação da Natureza não faz. Parece que essa é a principal razão da sua existência. Pelo menos pela leitura do resumo não-técnico. E que tal começar-se a resolver o problema de fundo chamado ICN? Porque é que um estado de Direito precisa de um campo de Golfe de iniciativa privada, para fazer aquilo que, por obrigação, deveria ser o ICN?

Nesta acepção messiânica da protecção da natureza, a questão dos lagos artificiais é permanente. Consta que os lagos existentes na Quinta do Lago permitiram o aumento da população da Galinha-sultana (existirão estudos científicos que o comprovem?) a espécie emblemática do PNRF. A monocultura intensiva de relva, aqui e ali salpicada por árvores, em plena área protegida, por demais sistemas de gestão ambiental que existam - tanto quanto sei não está previsto nenhum para o Formosa Golfe – ou medidas compensatórias do projecto, justificará o aumento da população de uma espécie de aves?

Mais uma vez analisa-se o individual, esquecendo-se todo e qualquer tipo de planeamento estratégico. Existe um estudo sobre os Golfes no Algarve que afirma a sustentabilidade da construção de mais alguns golfes na região. Onde? Nas áreas protegidas?

5. O que é que se pode fazer contra isto?

Relembro o episódio Pontal. O Pontal é a maior mancha florestal do litoral algarvio, com uma área aproximada de 630 ha, no extremo Oeste do PNRF – envolvente à área do Formosa Golfe - em zona denominada de Pré-Parque, com espécies vegetais endémicas e um valor ambiental insubstituível. Ao longo dos anos esta área sofreu uma forte pressão urbano-turística e no ano 2000 foi divulgada a intenção de ali desenvolver um mega-projecto com 250 ha de áreas urbanizáveis, dois campos de golfe com 150 ha, entre outras áreas de enquadramento paisagístico, vias rodoviárias, etc.

Tal Mega projecto indignou a opinião pública Algarvia e incitou um grupo de cidadãos a criar o Movimento de defesa do Pontal. Este agregava um conjunto de pessoas individuais e colectivas que, à custa de uma pressão pública conseguiu (até hoje, mas por quanto tempo...) que as autarquias e promotores recuassem nas suas intenções. Como todos os movimentos cívicos não havia a organização desejada, nem tão pouco o número de aderentes desejado. Contudo, foi o suficiente para que ainda hoje se possa visitar o Pontal enquanto pinhal (à excepção das áreas ardidas nos últimos anos. Curioso. Logo ali que havia intenções urbanísticas. Mas isso é outra história…)

De facto, participar tem resultados. A participação pública não é um chavão teórico que se apregoa ao sabor da moda. Quando existente e bem executada, pode ter resultados espantosos. O Formosa Golfe poderá ser outro caso desses. Só dependerá de vós. Vejamos como irá avançar o processo. Até lá podem sempre participar enviando as vossas opiniões para o instituto do Ambiente e ficando atentos a novos desenvolvimentos. O prazo acaba dia 18 de Agosto e o EIA encontra-se disponível para consulta pública em diversos
locais.

NOTA: Em relação ao Movimento de Defesa do Pontal, eu e o outro gerente deste Blog, de pseudónimo NEOMORF, estivemos envolvidos na sua génese bem como em muitas das acções desenvolvidas. Qualquer um de nós poder-vos-á dar mais informações sobre este assunto. Basta contactarem-nos através dos endereços de e-mail existentes no lado esquerdo deste Blog.

6. Algumas “pérolas” do
resumo não-técnico (RNT).

As transcrições de alguns parágrafos do RNT que a seguir se apresentam, por si só e fora do seu contexto, poderão induzir em erro a interpretação do projecto na sua globalidade. Por outro lado, são, no fundo, uma súmula das vertentes mais negativas do projecto e da base técnica que o suporta. Aconselho vivamente a leitura global do RNT para que cada um de vós forme a vossa própria opinião.

· “O concelho de Loulé, que se constitui como uma espécie de região demarcada do golfe, é uma vastidão de lugares, onde foram desenhados campos de golfe. Ligados ao litoral, os campos de golfe, todos eles enquadrados numa vertente ambiental impressionante, mas ao mesmo tempo, lugares lúdicos, são sem dúvida alguma, extremamente procurados por profissionais e amadores. Um empreendimento de golfe no Algarve justifica-se e mostra automaticamente a sua viabilidade económica, por se tratar de um dos destinos golfísticos mais famosos do mundo. A procura excede largamente a oferta: no Algarve haveria lugar para 50 campos de golfe, quando existem apenas cerca de 30.”(…)

· “Os novos lagos de água permanente irão constituir o suporte para o habitat de uma série de espécies aquáticas, enriquecendo um meio actualmente erosionado e de baixo valor natural. Com a construção de novos lagos no terreno pretende-se incrementar o habitat da galinha-sultana, a espécie mais emblemática do Parque Natural da Ria Formosa.”(…)

Um pequeno aparte: Existem duas emblemáticas esculturas da galinha-sultana na área do Parque Natural, uma situa-se à entrada da sede do PNRF, na Quinta do Marim (Olhão) e a outra à entrada da quinta do Lago. Será coincidência? Não sei porquê, mas quando penso nisto vem-me sempre à ideia aqueles países que têm uma capital administrativa e uma capital financeira…


· “3.8 - MEDIDAS COMPENSATÓRIAS DO PROJECTO
A área de implantação do Projecto Formosa Golf insere-se em Zona de Reserva Natural do Ludo, pelo que, pela sua importância natural, se consideram algumas medidas que visam melhorar as condições ambientais da referida zona.(…). As medidas propostas são:
(…)
- colaboração por parte da segurança do golfe na vigilância de actividades incompatíveis com a conservação da natureza na Zona de Reserva Natural;
- apoio à elaboração de estudos sobre o Ludo, que permitam conhecer o seu valor actual no que respeita a mamíferos, répteis, anfíbios, peixes e aves, e que sugiram medidas específicas para a sua conservação.” (…)

· “A área de estudo é uma Zona de Protecção Especial, sendo uma das áreas consideradas para classificação no âmbito da Rede Natura 2000. As suas características conferem-lhe um interesse elevado para as comunidades de fauna, o que permite considerar a Ria Formosa como a zona húmida mais importante do Sul do país, pela sua dimensão e diversidade. A sua importância extravasa os limites nacionais, considerando-se esta área de importância internacional para aves aquáticas migratórias ou invernantes. Esta área assume ainda importância elevada para espécies nidificantes. No Ludo surge ainda o único local confirmado, para além do caniçal de Vilamoura, de nidificação do caimão, em Portugal.” (…)

· “A limpeza da ribeira de S. Lourenço, com remoção da vegetação que actualmente provoca a obstrução quase completa da mesma, permitirá a atracção para o local de espécies com grande interesse natural. As medidas tendentes à melhoria/recriação de habitats adequados à sua presença classificam-se como positivos de magnitude elevada e muito significativos. Igualmente importante é a possibilidade desta limpeza possibilitar a utilização desta ribeira pelas duas espécies de cágados descritos para a área envolvente - com destaque para o cágado de carapaça estriada, e para as espécies de mamíferos directamente dependentes de zonas húmidas, destacando-se a lontra. Na fase de exploração verificar-se-á a presença de alguns habitats diversos dos iniciais, com destaque particular para as áreas afectas ao golfe.” (…)

· “Os impactes no ordenamento do território advêm do confronto entre as acções e alterações de uso do solo derivadas do Projecto em estudo, com o disposto nos instrumentos de ordenamento do território em vigor na área do Projecto do Campo de Golfe Formosa Golf. O campo de golfe abrange uma área da Reserva Natural do Ludo, onde as actividades e acções permitidas estão fortemente condicionadas à salvaguarda e protecção de habitats, da flora e da fauna.” (…)

A sério? Então é por isso que se chama Parque Natural?!

· “Nesta área, gerida pelo Instituto da Conservação da Natureza (ICN) os objectivos primordiais são a conservação da natureza e o desenvolvimento de projectos específicos de investigação científica. Do ponto de vista do ordenamento do território, as intervenções previstas deverão ser compatibilizadas com o Plano de Ordenamento do PNRF. Tendo por base as motivações que justificaram a classificação deste local como área onde a conservação da natureza e o desenvolvimento de projectos de investigação são primordiais, pode-se considerar que o projecto não irá contrariar os princípios básicos orientadores da classificação vigente. De facto, os resultados expectáveis, de melhoria ao nível da conservação da natureza, demonstram a concordância dos objectivos do projecto e o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa.” (...)

Há sempre “pérolas” mais brilhantes que outras...

· “Algumas das medidas que a seguir se enunciam correspondem a medidas também propostas para outros descritores, salientando-se as principais, tais como (...) na próxima revisão do PDM de Loulé dever-se-á alterar a Planta de Ordenamento do Território, classificando a área do campo de golfe como Espaço Turístico, solicitar ao IPCC a autorização para utilização da faixa de protecção do marco geodésico, solicitar às autoridades competentes a declaração de interesse público do Projecto, solicitar à Direcção-Geral do Turismo a declaração de interesse do campo de golfe para o turismo, solicitar à Comissão Regional da Reserva Agrícola o parecer favorável para a utilização não agrícola daquele espaço pertencente à Reserva Agrícola Nacional, solicitar ao INAG a intervenção prevista na área do Domínio Público Hídrico junto à ribeira de S. Lourenço, para a valorização do curso de água e das suas margens e ainda, diligenciar junto do ICN para articulação do plano de gestão ambiental do campo de golfe com vista à salvaguarda dos valores ambientais decorrentes da inserção do campo de golfe na Reserva Natural do Ludo.”(…)

Nem tudo o que luz é oiro, lá diz o povo.

João Queirós

Links de Interesse
Resumo Não técnico (Data final de consulta pública: 18-08-2005)
Locais de consulta

A indústria dos incêndios

Incêndio
Não poderia deixar passar a oportunidade de publicar este texto da autoria de José Gomes Ferreira, que me chegou recentemente à caixa de correio. Tem demasiadas verdades para deixar de ser bradado aos quatro ventos...

A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.

Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.

Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:

1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica?

2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? (...)

3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.

4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.

5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade(...)

Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime...

Consulte aqui a versão completa

09 agosto, 2005

Ambiente em Fotografia

Surgiu uma nova área “Ambiente em Fotografia” no canal Ambiente da CONFAGRI.

Todos os meses será aqui lançado um novo tema ambiental, sobre o qual os leitores poderão enviar fotografias. O tema de cada mês será divulgado no 1º dia útil do mês anterior e a selecção das fotografias far-se-á até ao último dia útil do final do mês anterior à sua publicação. Todas as semanas serão expostas novas fotografias, com a devida identificação do seu autor.

O tema para o mês de Setembro será “Ir e Vir, de outro Modo (Viagens Pendulares)”, tema transversal de 2005 da 4ª edição da Semana Europeia da Mobilidade e a 6ª do Dia Europeu sem Carros.

Boas fotografadelas!

Mais informações aqui.

23 julho, 2005

Afinal parece que a água (potável!!) não é um recurso escasso no Algarve...

Num dia em que se ficaram a saber algumas medidas de poupança de água no Algarve, como por exemplo o encerramento de várias piscinas municipais, apresento-vos uma notícia que me deixou estupefacto, apenas do dia anterior (quinta-feira, dia 21)

O primeiro dos cinco lagos do futuro campo de golfe das Sesmarias, em Vila Nova de Cacela, está a ser cheio com água potável proveniente das barragens do sistema Odeleite-Beliche.

O alerta foi dado pela associação Altela – Fórum de Cidadania, que disse ao jornal Barlavento (de onde retirámos esta notícia) que a situação já se arrasta há, pelo menos, três semanas. Isto numa altura em que todas as entidades apelam à poupança e que se fala na necessidade de reduzir os consumos.

As ligações do campo de golfe ao sistema de rega do Sotavento algarvio foram feitas ao longo da estrada municipal 509, que liga as localidades de Corte António Martins e Vila Nova de Cacela. A obra condicionou, durante algumas semanas, a circulação naquela via e foi autorizada pela Câmara Municipal.

Um dos lagos já cheios, que agora contrasta com o castanho árido dos terrenos circundantes, tem, segundo os responsáveis da Altela, mais de cem metros de comprimento e, pelo menos, três metros de profundidade – o que crêem corresponder a vários milhares de metros cúbicos de água (basta ter 20 metros de largura para equivaler a 6 000 m3).

Da estrada municipal 509, são também já visíveis os trabalhos de construção das próximas represas de água e as terraplanagens associadas à construção do golfe propriamente dito.

No Resumo Não Técnico do Estudo de Impacte Ambiental, datado de Outubro de 2001 (disponível no site do Instituto do Ambiente), pode ler-se que «o método de irrigação seria constituído por seis tanques de armazenamento, correspondendo a origem do sistema ao lago localizado a Sul do campo de golfe». Em Setembro de 2002, e já depois da fase de consulta pública, a avaliação de impacte ambiental daquele campo de golfe recebeu um parecer desfavorável.

Também no relatório não técnico era apontado que, «para esse lago, seria bombeada a água proveniente do sistema de rega das Águas do Algarve e recepcionada a água proveniente das drenagens do campo».

Era também contemplado que a água para irrigação tivesse «origem em fonte de água superficial, associada ao sistema de rega do Sotavento algarvio, infra-estrutura ainda sub-utilizada, o que reduziria as pressões sobre o consumo deste importante recurso e, pelo contrário, contribuiria para a viabilização de um investimento público já realizado».

Associada à construção do projecto, previa-se a eventual construção de uma barragem de terra no rio Seco e respectiva obra de adução. Em 2001, a construção deste projecto não se encontrava, contudo, ainda calendarizada.

Obviamente que já certo é que além deste campo de golfe, o plano definido para as Sesmarias contempla um projecto urbanístico com cerca de 5500 camas, distribuído ao longo de 800 hectares de terreno. Na proposta, não está excluída a construção de mais dois campos de golfe e de um conjunto de zonas de comércio e serviços.

Toda esta notícia me deixa particularmente irritado num altura em que todos os “habitantes” (com aspas porque muitos deles estão cá de passagem) do Algarve são aconselhados a evitar tomar banho ou fazer consumos avultados como rega de jardins ou lavagem de automóveis durante o período das 18 às 21 horas.

Aqui podem ler a notícia completa.

Notícias relacionadas, também do jornal Barlavento:

Golfe tem associado projecto imobiliário com 5500 camas

Rega do Sotavento sujeita a cortes de água semanais


Stop aos campos de golfe, pede a Almargem

Aconselho-vos vivamente a leitura deste artigo de opinião sobre o assunto.

12 julho, 2005

Seminário: Utilização Sustentável da Água no Sul de Portugal

No próximo dia 15 de Julho, às 9h, no Auditório da Escola Secundária José Belchior Viegas, em S. Brás de Alportel, realizar-se-á o Seminário "Utilização Sustentável da Água no Sul de Portugal", no âmbito do projecto SurIberia, desenvolvido em parceria pela ADPM, LPN e ERENA e apoiado pelo WWF (World Wild Fund).

Este evento pretende criar um espaço de reflexão e debate sobre o futuro da água em zonas mediterrânicas, nomeadamente no Sul de Portugal. Numa região onde as situações de escassez de água são frequentes, é fundamental encontrar soluções para uma futura utilização mais sustentável deste recurso.

Participe!

11 julho, 2005

Seca severa ou extrema em 97% de Portugal Continental

Segundo os últimos dados avançados pelo Instituto da Água, no último dia de Junho, 64 por cento do território continental estava em situação de seca "extrema", 33 por cento em situação de seca "severa".

No total, 97 por cento do território continental português sofre os efeitos da seca, uma situação que tem tendência para piorar e que já afecta os recursos hídricos disponíveis.

Os valores da água infiltrada no solo são muito inferiores à média para esta época do ano. O volume de água armazenado nas albufeiras está abaixo de metade da capacidade total. A situação é mais grave nas bacias hidrográficas dos rios Cávado, Ave e Tejo e no Barlavento algarvio.

O Tejo pode, de resto, impossibilitar Portugal de cumprir o regime de caudais previstos na convenção luso-espanhola, que regula a gestão dos rios ibéricos.

Para combater os efeitos da seca, 39 municípios estão a recorrer a autotanques para abastecimento de água. As falhas no fornecimento afectam já mais de 22 mil habitantes.

Quinze localidades estão, além disso, em contenção de consumos, através da redução dos períodos de abastecimento.

Um dos sectores mais afectados é a agricultura. Há quebras significativas na produção de cereais em todas as regiões, mas mais acentuadas no Alentejo. Nesta região do país, a produção de arroz caiu para metade.

04 julho, 2005

AGENEAL promove workshop sobre energia e edifícios

Eficiência Energética A AGENEAL, Agência Municipal de Energia de Almada, em colaboração com a Câmara Municipal de Almada (CMA) e a ADENE, Agência para a Energia, vai realizar, no dia 8 de Julho de 2005, um workshop subordinado ao tema "Os Aspectos Energéticos na Concepção de Edifícios". Este vai decorrer na Sala Pablo Neruda do Fórum Municipal Romeu Correia (Praça da Liberdade), em Almada, a partir das 9h30m.

De acordo com os dados do Inventário das Emissões de Gases com Efeito de Estufa no Município de Almada, os edifícios (sector residencial e dos serviços) representam 30% do consumo total de energia e 34% das emissões de gases com efeito de estufa no concelho de Almada.

A redução dos consumos de energia dos edifícios passa, em primeiro lugar, pela sua adequada concepção, de acordo com orientações bem definidas, que assegurem o cumprimento da regulamentação térmica em vigor.

A verificação dos projectos de comportamento térmico de edifícios submetidos a licenciamento na CMA é uma das acções que a AGENEAL desenvolve, cujos resultados serão apresentados neste evento.

Serão ainda abordados temas como a metodologia utilizada para a elaboração do Regulamento Urbanístico de Almada, as soluções arquitectónicas e construtivas com influência no desempenho energético dos edifícios, os aspectos a considerar na concepção de sistemas solares para aquecimento de água, a Certificação Energética de Edifícios e os Novos Regulamentos Térmicos de Edifícios.

Obtenha aqui o Programa detalhado e Ficha de Inscrição (Pdf 99 Kb)

A data limite de inscrições é 6 de Julho, participe!



Ligações Relacionadas:

02 julho, 2005

Investigadores dizem que "El Niño" pode tornar-se permanente

El Niño Se o aquecimento global se mantiver, o fenómeno climático “El Niño” pode tornar-se constante, refere uma equipa de investigadores, que se baseou num estudo do Plioceno, o último período de aquecimento global da Terra, quando se uniram os continentes da América do Sul e da América do Norte e se formou a camada de gelo do Árctico.

Durante o Plioceno, no Pacífico tropical ocorreram permanentemente fenómenos climáticos responsáveis por precipitações constantes e secas idênticas às do "El Niño", dizem os cientistas da Universidade da Califórnia.

De acordo com o estudo, o oceano Pacífico é um factor chave no clima mundial, tendo a temperatura média das suas águas aumentado 0,8 graus centígrados, provavelmente devido à concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera.

Actualmente as temperaturas normais no Pacífico tropical mostram uma forte variação entre as temperaturas frias do Pacífico oriental, frente às costas da América do Sul, e as temperaturas mais quentes no oeste, onde os ventos alísios aquecem as águas superficiais.

Segundo Christina Ravelo, docente de Ciências Oceânicas na Universidade da Califórnia, "parece que no Plioceno houve um "El Niño" permanente”. O estudo foi publicado na revista Science.

Fonte: cienciapt.net

29 junho, 2005

Estamos em remodelações...

Devido a esta trapalhada causada pelos nossos senhorios, o blogue tem estado com um comportamento estranho, que prejudica o acesso à informação por parte dos leitores.

Para resolver o mais rápidamente possível esta situação, tornou-se necessário alterar o "template" do blogue, que era o principal causador de problemas.

Em virtude desta alteração de template aproveitámos para proceder a algumas alterações a nível visual no blogue.

Os serviços de Comentários, Imagens de arquivo, Links de Ambiente, Bases de dados de ambiente e a "Comunidade Portuguesa de Ambientalistas" vão estar em baixo.

Espero que estas remodelações não causem inconvenientes a nenhum leitor e que consigamos ter a remodelação completa até Domingo.

Vamos tentar continuar a inserir "posts" mesmo assim se tivermos oportunidade.

Saudações Ambientalistas!

Polietileno