09 dezembro, 2004

Optimismo?

Gostava de partilhar com os ambientalistas uma pequena dose de optimismo. Apesar de todos os problemas inerentes à temática do ambiente em Portugal e não só, denoto comportamentos na sociedade actual que me levam a ter um optimismo (moderado) em relação ao futuro. Passo a explicar: o Pingo Doce e o Feira Nova estão a oferecer neste Natal calendários cujo tema é o ambiente e no qual promovem algumas ideias simples como a racionalização dos recursos naturais, a gestão de resíduos e efluentes e o desempenho ambiental de fornecedores de hipermercado. Com alguma publicidade à mistura o grupo Jerónimo Martins promove os seus produtos e incute um pouco de sensibilidade ambiental. Não estará algo a mudar lentamente (apesar de todos os problemas de fundo que todos conhecemos!).

Outro exemplo: esta manhã alguém deixou uma bateria de automóvel usada junto de um ponto de recolha de RSU ao invés de a deixar arrumada numa garagem, deitar num caixote do lixo ou a depositar no baldio mais próximo. Será que a mensagem de que "o estado do ambiente é responsabilidade de todos" está a passar ou será só impressão minha?

De facto uma sociedade constrói-se pela educação. E povo educado detém o poder da mudança. E isto? Será isto um ponto de mudança ou é só o Ambiente que está na moda?

06 dezembro, 2004

Responsabilidade Social das Empresas

Delta Cafés: Um exemplo a seguir?Encontrei este artigo muito interessante na Naturlink, sobre Responsabilidade Social das Empresas (RSE), da autoria de Isabel Abreu, que vos aconselho a lêr.

Esta é mais uma das formas de promover o desenvolvimento sustentável das sociedades. Talvez se o estado passasse a exigir com meios e convicção a conversão das empresas existentes em empresas socialmente responsáveis, Portugal saísse da cauda da europa no que toca a inovação, competitividade, sustentabilidade, ....entre muitas outras coisas...

Aqui fica um excerto:

"Em Portugal foi recentemente publicado um estudo sobre a percepção da responsabilidade social, que mostrou que há pouca familiarização com o termo RSE por parte dos consumidores, meios de comunicação e entidades governamentais. A nível nacional, existem algumas entidades a trabalhar nesta área, nomeadamente, o BCSD Portugal (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável) e a RSE Portugal (Associação Portuguesa para a Responsabilidade Social das Empresas), representando, respectivamente, o WBCSD (World Business Council for Sustainable Development) e o CSR Europe (Corporate Social Responsibility). O objectivo deste tipo de organizações é colaborar com empresas que pretendam desenvolver actividades na área da responsabilidade social, bem como promover a articulação entre as empresas, o governo e a sociedade civil contribuindo, desta forma, para uma maior familiarização com este assunto e para o seu desenvolvimento a nível nacional."

Por favor comentem:

Acham que as empresas deviam ser obrigadas a passar a ter um papel mais activo na preservação do ambiente? Consideram que isso traria prejuízo ou lucro para a sociedade?

Ou acham por outro lado que as empresas deviam investir todos os seus recursos no desenvolvimento dos seus produtos, apenas devendo ser controladas do ponto de vista da legislação ambiental pelas entdades estatais responsáveis? Há vantagens? Será que a sociedade beneficia a longo prazo desta estratégia?

Fica aberta a discussão!

Páginas a consultar:

DOFASCO, INC - Uma das empresas de topo no índice DOW JONES para as empresas mais sustentáveis do mundo (índice DJSGI)

Delta Cafés - A única empresa portuguesa certificada pela norma Social Accountability 8000 (SA8000)

29 novembro, 2004

Ozono: Decisão sobre Quotas de Uso de Pesticida Nocivo Adiada para 2005

O «buraco no céu» não está adormecidoDepois de uma semana de discussão em Praga, os signatários do Protocolo de Montreal (para eliminação de pesticidas nocivos) apenas acordaram autorizar os países desenvolvidos a usar um total de 11.400 toneladas em 2006.

Um volume suplementar de mais três mil toneladas foi aprovado temporariamente, mas deverá ser confirmado entre finais de Junho e princípios de Julho, indicou um comunicado do Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

De acordo com este protocolo, o uso agrícola nos países desenvolvidos do brometo de metilo (uma das substâncias que mais contribuem para a destruição da camada de ozono, a par dos halons dos extintores, do tetracloreto de carbono e dos Clorofluorcarbonetos - CFC) deveria passar a ser proibido no final deste ano.

A Comissão Europeia estabeleceu que a partir do próximo ano os estados-membros só podem usar brometo de metilo em situações "declaradamente críticas". O estado-membro tem de passar a demonstrar a absoluta necessidade de usar o brometo de metilo.

O brometo de metilo é usado em Portugal, e em muitos países da União Europeia, para desinfecção do solo, em culturas hortícolas e em tratamento de produtos como frutos secos, é uma substância muito eficaz, de largo espectro de acção e, para alguns casos (como o do tomate), ainda não há alternativas para o seu uso.

Têm portanto de ser encontradas alternativas a este pesticida, um debate que tem vindo a ser feito pela comunidade científica a nível internacional:

Em Setembro, especialistas internacionais reuniram-se em Lisboa precisamente para tentar encontrar alternativas ao brometo de metilo.


Artigo relacionado:

O «buraco no céu» não está adormecido - (Quercus)

Fontes: Agência Lusa, CONFAGRI AmbienteOnline.pt , Quercus

21 novembro, 2004

Algumas informações relevantes sobre a temática - Ruído

Mapa de RuídoFoi criada recentemente a primeira versão do Guia de Boas Práticas para Mapeamento Estratégico de Ruído e para Produção de Dados Associados sobre Exposição ao Ruído.

Este documento foi elaborado pelo Grupo de Trabalho da Comissão Europeia – Avaliação da Exposição ao Ruído (WG-AEN) , com o objectivo principal de auxiliar os Estados Membros da União Europeia a levar a cabo mapeamento estratégico e produzir dados associados tal como requerido pela Directiva Europeia de Ruído.

A referida directiva estabelece quatro métodos computacionais para a produção de mapas de ruído. Estes métodos necessitam de ser adaptados, em particular aos indicadores mais comuns Lden (dia-fim-de-tarde-noite ou incómodo geral) e Lnight (indicador de ruído nocturno). Para tal a Comissão Europeia adoptou esta recomendação que estabelece as linhas guia para a revisão dos referidos métodos computacionais (para cálculo de ruído industrial, rodoviario, ferroviário, e aéreo) .

IMAGINE: Este projecto europeu pretende desenvolver os novos métodos para o cálculo de ruído gerado por caminhos-de-ferro, rodovias, zonas industriais e tráfego aéreo. Pretende também padronizar os métodos Harmonoise existentes e fornecer linhas-guia sobre como utilizar estes métodos no mapeamento de ruído e nos planos de acção de ruído (por exemplo na gestão de tráfego) na União Europeia.

Os efeitos do ruído sobre as populações vão ser determinados com base no estudo das relações dose-efeito que causam distúrbios de sono. Tendo em vista a obtenção de elementos que permitam estabelecer essas relações foi desenvolvido este estudo.

Alguns projectos de investigação financiados pela Comissão Europeia:

Harmonoise: Métodos harmonizados, precisos e fiáveis no âmbito da Directiva Europeia para a Avaliação e Gestão de Ruído Ambiente (decorreu entre 2001 e 2003).

RANCH: Esxposição a ruído gerado por tráfego rodoviário e aéreo. Saúde e perceptividade das crianças face ao ruído (decorreu entre 2001 e 2003).

CALM network: Plano estratégico para a investigação de ruído comunitário

Railway Noise: Pretende avaliar a aplicabilidade da norma preliminar prEN ISO 3095 para a medição de ruído ferroviário exterior, face a uma futura implementação de legislação europeia para a classificação de veículos ferroviários.

SILVIA: Superfícies sustentáveis para o controle de ruído gerado por tráfego rodoviário.

Exemplo de aplicação prática de mapas de ruído na Alemanha:

16 novembro, 2004

POOC Vilamoura - Vila Real é aprovado em breve

Bem, como isto tem andado meio parado, deixem-me apresentar/comentar umas notícias que não são novidade.

Parece que o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) mais polémico do país será aprovado até ao final do ano, anunciou há umas semanas Nobre Guedes em Faro.

O Ministro revelou que irá manter-se o núcleo piscatório da Culatra, onde se procederá à reestruturação do tecido urbano da ilha e de várias zonas da Ria Formosa. As questões de saneamento básico serão também abordadas, sob pena de se tornarem «um risco para a saúde pública».

Falta saber quais as medidas que serão implementadas na tão conhecida Ilha de Faro (ou melhor, península de Faro).

Fonte: Jornal Barlavento de 14 de Outubro

Algarve sustentável?

Há umas semanas surgiram notícias de que poderia haver racionamento de água no Algarve no próximo ano, caso as reservas de água da barragem do Funcho não restabelecessem os níveis de armazenamento até 15 de Março (quem o disse foi o próprio Ministro do Ambiente).

Logo surgiram as reacções, sendo que Macário Correia acusou o Ministro de falso alarmismo e os Verdes acusaram o Governo de permitir um turismo intensivo na região com actividades consumidoras intensivas de água como são as piscinas e os campos de golfe. Como podem ver, cada um assumiu a posição que se sabia à partida que iria tomar quando confrontado com esta situação.

Entretanto toda a gente com quem falei me disse que o cenário de racionamento de água estará distante de se tornar realidade. Eu pessoalmente tenho as minhas dúvidas....pelo menos a médio/longo prazo.

Mais ou menos na mesma altura surgiu outra notícia que afirmava que o Algarve poderá vir a ter crise energética, resultado do consumo exclusivo de energias tradicionais em detrimento do complemento com as renováveis. Desta vez, quem alertou para a situação foi Macário Correia (que também é presidente da Agência Regional de Energia e Ambiente do Algarve – AREAL). Macário realçou o grande potencial regional para as energias eólica e solar, criticando o Governo no que diz respeito à burocracia necessária para a implementação de tais sistemas energéticos.

Ora estas duas notícias preocuparam-me no que diz respeito à sustentabilidade da região algarvia. Acho também que só vêm provar que os “fundamentalistas” do ambiente, como por vezes se chega a chamar aos próprios técnicos de ambiente, têm alguma razão quando denunciam certas situações que ocorrem no Algarve em nome do desenvolvimento turístico-económico.

Podia filosofar muito mais sobre este assunto tendo este problema e estas duas notícias como base mas convido-vos a fazerem-no através dos vossos comentários. Nunca é demais (re)lembrar que o desenvolvimento turístico-económico só é possível se estiver inserido num contexto ambiental sustentável. Ninguém quer vir passar férias para a praia da Cruz Quebrada e tenho pena que ainda haja senhores que digam, como eu ouvi há dias, que “eu gostava era de ver gruas por todo o lado, era sinal de mercedes e iates”. Obviamente tratava-se de um senhor ligado à construção civil, visivelmente preocupado (e aqui já sou a eu a pressupor) como todos nós com a sua situação financeira. Isto após um típico almoço bem regado com os melhores vinhos e digestivos como já nos habituaram (sim, estou a generalizar o estereótipo).

Enfim, como já dizia um grande sábio do cinema português: “Começo a ficar farto deste país....” (In Portugal S.A.)

Fonte das notícias: jornal Barlavento de 7 e 14 de Outubro de 2004

12 novembro, 2004

Nova Ligação Temática - O Ruído

Caros Ambientalistas:

Serve este post apenas para informar que está ao vosso dispor um novo tema nas "Ligações Temáticas" d'Os Ambientalistas, o Ruído.

Aqui podem consultar a Legislação Portuguesa sobre Ruído, a Política Europeia de Ruído da Comissão Europeia, entidades relacionadas com o tema, uma listagem de empresas portuguesas e estrangeiras com actividade na área do ruído e uma variedade de revistas internacionais sobre acústica.

Espero que esta contribuição vos possa ser útil.

Saudações Ambientalistas!

06 novembro, 2004

Para variar... vamos lá mandar postais!

Cultivar a natureza é semear o futuroA existência das aves e outros animais selvagens associados a terrenos agrícolas continuam a ser ameaçadas no território europeu devido a práticas de cultivo intensivo.

A nossa herança natural será perdida para sempre se não forem tomadas medidas claras na direcção de uma agricultura mais sustentável

O novo comissário europeu para a agricultura e o desenvolvimento rural terá um papel chave em manter nosso campo vivo. O comissário será a força motriz que guiará o futuro da política agrícola e rural e terá que garantir sua execução na União Europeia durante os próximos anos.

Proponho o envio de um belo postal para o Comissário Europeu (será entregue no dia do início do seu mandato), pedindo-lhe que:

- Apoie métodos de cultivo que contribuam para a manutenção e reabilitação de áreas ricas em vida selvagem na europa.

- Aumente o financiamento global disponível para a prática de métodos de cultivo amigos da natreza.

04 novembro, 2004

Parabéns a você!!!

O blog “Os Ambientalistas” fez 1 ano!!! Este foi o primeiro post:


Bem-vindos! Este é o blog que quer dar voz a todos os alunos de engenharia do ambiente, ciências do ambiente, e profissionais a exercer funções nas áreas do ambiente e ordenamento do território. Juntem-se a nós e enviem-nos as vossas crónicas/relatos das vossas experiências profissionais e académicas, notícias e comentários, desde que se reportem à área do ambiente.Vamos lá fazer coisas interessantes!
Enviado por:
Polietileno / 10/31/2003 11:50:25 AM


1 ano depois, 181 post’s depois, 5300 visitantes depois, o blog continua e recomenda-se!

Parabéns ao Blog, aos seus visitantes, a nós e sobretudo ao seu mais fervoroso dinamizador: o Polietileno! Para ele um grande abraço.

25 outubro, 2004

Estuários e Zonas Costeiras - que ordenamento?

Estuário do TejoOs estuários são áreas de intensa ocupação humana há longas centenas de anos, pois constituem áreas de elevada produtividade e com condições privilegiadas para o estabelecimento de agregados populacionais. Acontece que esta ocupação ocorre muitas vezes de forma indevida, não respeitando o leito de cheia dos rios, a protecção de superfícies de infiltração ou a manutenção de áreas para a conservação da biodiversidade dos estuários.

Deste modo, vivemos hoje uma situação onde é necessário proteger pessoas e bens contra os avanços do mar, o assoreamento dos rios e as cheias, sendo esta protecção conseguida, muitas das vezes, com o recurso à construção de infra-estruturas pesadas de engenharia costeira.

Sabemos hoje que a acentuada erosão costeira existente nalguns sectores da costa Portuguesa deve-se à combinação de diversos factores, nomeadamente a elevação do nível do mar, a diminuição da quantidade de sedimentos fornecidos ao litoral, a degradação das estruturas de protecção naturais causada pelo Homem e a realização de obras de engenharia costeira. Se alguns factores são incontroláveis pelo Homem, outros dependem de processos de tomada de decisão, na maior parte das vezes, política. A insistência na construção de infra-estruturas pesadas de protecção costeira já provou por diversas vezes serem soluções caras, irreversíveis e ineficazes, na medida em que solucionam o problema num ponto mas transferem o problema para outras zonas.

O ordenamento das zonas costeiras necessita de ser repensado numa lógica de equilíbrio e não de uma luta contra os elementos da Natureza. Para este exercício, é necessário envolver todos os interventores com responsabilidades nestas áreas, bem como a sociedade civil.


Venha participar no Debate da LPN "Estuários e Zonas Costeiras - que ordenamento?", dia 28 de Outubro, das 18 às 20 horas, na FCUL - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa no Bloco C1, Piso 3, Anfiteatro 1.3.14, em Lisboa.

A entrada é livre.

Como chegar à FCUL