21 novembro, 2004

Algumas informações relevantes sobre a temática - Ruído

Mapa de RuídoFoi criada recentemente a primeira versão do Guia de Boas Práticas para Mapeamento Estratégico de Ruído e para Produção de Dados Associados sobre Exposição ao Ruído.

Este documento foi elaborado pelo Grupo de Trabalho da Comissão Europeia – Avaliação da Exposição ao Ruído (WG-AEN) , com o objectivo principal de auxiliar os Estados Membros da União Europeia a levar a cabo mapeamento estratégico e produzir dados associados tal como requerido pela Directiva Europeia de Ruído.

A referida directiva estabelece quatro métodos computacionais para a produção de mapas de ruído. Estes métodos necessitam de ser adaptados, em particular aos indicadores mais comuns Lden (dia-fim-de-tarde-noite ou incómodo geral) e Lnight (indicador de ruído nocturno). Para tal a Comissão Europeia adoptou esta recomendação que estabelece as linhas guia para a revisão dos referidos métodos computacionais (para cálculo de ruído industrial, rodoviario, ferroviário, e aéreo) .

IMAGINE: Este projecto europeu pretende desenvolver os novos métodos para o cálculo de ruído gerado por caminhos-de-ferro, rodovias, zonas industriais e tráfego aéreo. Pretende também padronizar os métodos Harmonoise existentes e fornecer linhas-guia sobre como utilizar estes métodos no mapeamento de ruído e nos planos de acção de ruído (por exemplo na gestão de tráfego) na União Europeia.

Os efeitos do ruído sobre as populações vão ser determinados com base no estudo das relações dose-efeito que causam distúrbios de sono. Tendo em vista a obtenção de elementos que permitam estabelecer essas relações foi desenvolvido este estudo.

Alguns projectos de investigação financiados pela Comissão Europeia:

Harmonoise: Métodos harmonizados, precisos e fiáveis no âmbito da Directiva Europeia para a Avaliação e Gestão de Ruído Ambiente (decorreu entre 2001 e 2003).

RANCH: Esxposição a ruído gerado por tráfego rodoviário e aéreo. Saúde e perceptividade das crianças face ao ruído (decorreu entre 2001 e 2003).

CALM network: Plano estratégico para a investigação de ruído comunitário

Railway Noise: Pretende avaliar a aplicabilidade da norma preliminar prEN ISO 3095 para a medição de ruído ferroviário exterior, face a uma futura implementação de legislação europeia para a classificação de veículos ferroviários.

SILVIA: Superfícies sustentáveis para o controle de ruído gerado por tráfego rodoviário.

Exemplo de aplicação prática de mapas de ruído na Alemanha:

16 novembro, 2004

POOC Vilamoura - Vila Real é aprovado em breve

Bem, como isto tem andado meio parado, deixem-me apresentar/comentar umas notícias que não são novidade.

Parece que o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) mais polémico do país será aprovado até ao final do ano, anunciou há umas semanas Nobre Guedes em Faro.

O Ministro revelou que irá manter-se o núcleo piscatório da Culatra, onde se procederá à reestruturação do tecido urbano da ilha e de várias zonas da Ria Formosa. As questões de saneamento básico serão também abordadas, sob pena de se tornarem «um risco para a saúde pública».

Falta saber quais as medidas que serão implementadas na tão conhecida Ilha de Faro (ou melhor, península de Faro).

Fonte: Jornal Barlavento de 14 de Outubro

Algarve sustentável?

Há umas semanas surgiram notícias de que poderia haver racionamento de água no Algarve no próximo ano, caso as reservas de água da barragem do Funcho não restabelecessem os níveis de armazenamento até 15 de Março (quem o disse foi o próprio Ministro do Ambiente).

Logo surgiram as reacções, sendo que Macário Correia acusou o Ministro de falso alarmismo e os Verdes acusaram o Governo de permitir um turismo intensivo na região com actividades consumidoras intensivas de água como são as piscinas e os campos de golfe. Como podem ver, cada um assumiu a posição que se sabia à partida que iria tomar quando confrontado com esta situação.

Entretanto toda a gente com quem falei me disse que o cenário de racionamento de água estará distante de se tornar realidade. Eu pessoalmente tenho as minhas dúvidas....pelo menos a médio/longo prazo.

Mais ou menos na mesma altura surgiu outra notícia que afirmava que o Algarve poderá vir a ter crise energética, resultado do consumo exclusivo de energias tradicionais em detrimento do complemento com as renováveis. Desta vez, quem alertou para a situação foi Macário Correia (que também é presidente da Agência Regional de Energia e Ambiente do Algarve – AREAL). Macário realçou o grande potencial regional para as energias eólica e solar, criticando o Governo no que diz respeito à burocracia necessária para a implementação de tais sistemas energéticos.

Ora estas duas notícias preocuparam-me no que diz respeito à sustentabilidade da região algarvia. Acho também que só vêm provar que os “fundamentalistas” do ambiente, como por vezes se chega a chamar aos próprios técnicos de ambiente, têm alguma razão quando denunciam certas situações que ocorrem no Algarve em nome do desenvolvimento turístico-económico.

Podia filosofar muito mais sobre este assunto tendo este problema e estas duas notícias como base mas convido-vos a fazerem-no através dos vossos comentários. Nunca é demais (re)lembrar que o desenvolvimento turístico-económico só é possível se estiver inserido num contexto ambiental sustentável. Ninguém quer vir passar férias para a praia da Cruz Quebrada e tenho pena que ainda haja senhores que digam, como eu ouvi há dias, que “eu gostava era de ver gruas por todo o lado, era sinal de mercedes e iates”. Obviamente tratava-se de um senhor ligado à construção civil, visivelmente preocupado (e aqui já sou a eu a pressupor) como todos nós com a sua situação financeira. Isto após um típico almoço bem regado com os melhores vinhos e digestivos como já nos habituaram (sim, estou a generalizar o estereótipo).

Enfim, como já dizia um grande sábio do cinema português: “Começo a ficar farto deste país....” (In Portugal S.A.)

Fonte das notícias: jornal Barlavento de 7 e 14 de Outubro de 2004

12 novembro, 2004

Nova Ligação Temática - O Ruído

Caros Ambientalistas:

Serve este post apenas para informar que está ao vosso dispor um novo tema nas "Ligações Temáticas" d'Os Ambientalistas, o Ruído.

Aqui podem consultar a Legislação Portuguesa sobre Ruído, a Política Europeia de Ruído da Comissão Europeia, entidades relacionadas com o tema, uma listagem de empresas portuguesas e estrangeiras com actividade na área do ruído e uma variedade de revistas internacionais sobre acústica.

Espero que esta contribuição vos possa ser útil.

Saudações Ambientalistas!

06 novembro, 2004

Para variar... vamos lá mandar postais!

Cultivar a natureza é semear o futuroA existência das aves e outros animais selvagens associados a terrenos agrícolas continuam a ser ameaçadas no território europeu devido a práticas de cultivo intensivo.

A nossa herança natural será perdida para sempre se não forem tomadas medidas claras na direcção de uma agricultura mais sustentável

O novo comissário europeu para a agricultura e o desenvolvimento rural terá um papel chave em manter nosso campo vivo. O comissário será a força motriz que guiará o futuro da política agrícola e rural e terá que garantir sua execução na União Europeia durante os próximos anos.

Proponho o envio de um belo postal para o Comissário Europeu (será entregue no dia do início do seu mandato), pedindo-lhe que:

- Apoie métodos de cultivo que contribuam para a manutenção e reabilitação de áreas ricas em vida selvagem na europa.

- Aumente o financiamento global disponível para a prática de métodos de cultivo amigos da natreza.

04 novembro, 2004

Parabéns a você!!!

O blog “Os Ambientalistas” fez 1 ano!!! Este foi o primeiro post:


Bem-vindos! Este é o blog que quer dar voz a todos os alunos de engenharia do ambiente, ciências do ambiente, e profissionais a exercer funções nas áreas do ambiente e ordenamento do território. Juntem-se a nós e enviem-nos as vossas crónicas/relatos das vossas experiências profissionais e académicas, notícias e comentários, desde que se reportem à área do ambiente.Vamos lá fazer coisas interessantes!
Enviado por:
Polietileno / 10/31/2003 11:50:25 AM


1 ano depois, 181 post’s depois, 5300 visitantes depois, o blog continua e recomenda-se!

Parabéns ao Blog, aos seus visitantes, a nós e sobretudo ao seu mais fervoroso dinamizador: o Polietileno! Para ele um grande abraço.

25 outubro, 2004

Estuários e Zonas Costeiras - que ordenamento?

Estuário do TejoOs estuários são áreas de intensa ocupação humana há longas centenas de anos, pois constituem áreas de elevada produtividade e com condições privilegiadas para o estabelecimento de agregados populacionais. Acontece que esta ocupação ocorre muitas vezes de forma indevida, não respeitando o leito de cheia dos rios, a protecção de superfícies de infiltração ou a manutenção de áreas para a conservação da biodiversidade dos estuários.

Deste modo, vivemos hoje uma situação onde é necessário proteger pessoas e bens contra os avanços do mar, o assoreamento dos rios e as cheias, sendo esta protecção conseguida, muitas das vezes, com o recurso à construção de infra-estruturas pesadas de engenharia costeira.

Sabemos hoje que a acentuada erosão costeira existente nalguns sectores da costa Portuguesa deve-se à combinação de diversos factores, nomeadamente a elevação do nível do mar, a diminuição da quantidade de sedimentos fornecidos ao litoral, a degradação das estruturas de protecção naturais causada pelo Homem e a realização de obras de engenharia costeira. Se alguns factores são incontroláveis pelo Homem, outros dependem de processos de tomada de decisão, na maior parte das vezes, política. A insistência na construção de infra-estruturas pesadas de protecção costeira já provou por diversas vezes serem soluções caras, irreversíveis e ineficazes, na medida em que solucionam o problema num ponto mas transferem o problema para outras zonas.

O ordenamento das zonas costeiras necessita de ser repensado numa lógica de equilíbrio e não de uma luta contra os elementos da Natureza. Para este exercício, é necessário envolver todos os interventores com responsabilidades nestas áreas, bem como a sociedade civil.


Venha participar no Debate da LPN "Estuários e Zonas Costeiras - que ordenamento?", dia 28 de Outubro, das 18 às 20 horas, na FCUL - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa no Bloco C1, Piso 3, Anfiteatro 1.3.14, em Lisboa.

A entrada é livre.

Como chegar à FCUL

21 outubro, 2004

Cai neve em Nova Iorque, chove a cântaros no meu país!

Mais uma vez venho a este espaço, denunciar um caso que decerto todos vós como pessoas ambientalmente alertas já se deram conta.

Trata-se do desperdício de água que se verifica diariamente proveniente dos sistemas de rega que proliferam no nosso país. É impossivel não notar a recorrência com que se veêm autenticos rios de água perfeitamente potável desperdiçada pelas nossas estradas directamente para os colectores, sem qualquer tipo de aproveitamento. Este caso ainda se torna mais grave quando se sabem as potencialidades da água para rega que sai directamente de estações de tratamento para um qualquer meio receptor.

Não se compreende que nas autarquias não haja ninguém que dê indicações para o direccionamento dos aspersores para o sítio em que a água faz falta ( ou será que estes novos tipos de alcatrão também precisam de ser regados???).

Tudo isto se torna mais gritante quando esses mesmos aspersores continuam ligados independentemente da estação do ano, ou da precipitação, uma vez que aqui mesmo à minha janela consigo ver um autentico dilúvio, em que a chuva já deve estar confundida com o facto de já estar tudo molhado antes de bater no chão...

Para os senhores que poem o €uro acima de quaisquer outros interesses, será que não vale a pena fazer as contas da quantidade de água (que não é de graça) que se poupa com uma gestão da água um pouco consciente?

Aqui vai uma ideia para os engenhocas: que tal coordenar os níveis das tinas de precipitação das estações meteorológicas com um sistema que controle o tempo em que os sistemas de rega estão ligados...

20 outubro, 2004

A energia das ondas

Energia em potência!Apesar de não existir ainda experiência industrial significativa nesta área, há quatro tecnologias distintas de extracção de energia das ondas com protótipos a serem (ou em vias de serem) testados no mar: a Coluna da Água Oscilante (CAO) Pelamis, o Wave Dragon e o Archimedes Wave Swing (AWS).

A Central de Coluna de Água Oscilante é o sistema mais investigado, tendo sido construídas várias centrais a nível mundial. Tipicamente a CAO é um sistema costeiro (embora também possa ser instalado ao largo) que é particularmente adequado para a integração em estruturas de protecção costeira. Presentemente existem duas centrais piloto deste tipo, uma na Escócia, a Central Limpet, e a Central do Pico nos Açores. Os restantes dispositivos são sistemas afastados da costa, completamente submersos ou semi-submersos.

Existem outras tecnologias em desenvolvimento, mas numa fase menos avançada. Podemos apontar para um período de dois a três anos como o tempo necessário para obtermos mais informação quanto à avaliação da viabilidade tecnológica e económica destas tecnologias em resultado directo dos ensaios no mar dos protótipos mencionados.

Ver o artigo completo em: Ambiente Insular

Endereços úteis:

Wave Energy Centre
Wavetrain
Maretec
World Energy Council

Peço desculpa por alguns dos conteúdos estarem em Inglês...

A Conversa do Costume!!!

Neste último fim de semana decorreu o Primeiro Fórum de Estudantes de Engenharia do Ambiente, que de uma maneira geral correu bastante bem. No entanto, não posso deixar de mostrar a minha indignação devido ao facto de numa das mesas redondas que para variar teve como tema "O Papel do Engenheiro do Ambiente", a discussão, voltou a não passar da cepa torta.

O balanço desta discussão foi tudo menos positivo. Estavam presentes nessa mesa representantes da Ordem dos Engenheiros dos colégios de Ambiente, Civil e Química, assim como um representante da nossa querida APEA, que tanto faz por nós. Até aqui tudo bem, uma vez que estavam reunidas as condições ideais para uma discussão aberta e com garantias de possíveis conclusões positivas. Resultado: Rien, Niente, Nada.

Mais uma vez assitiu-se a uma fuga do rabo à seringa por parte dos pretensos representantes da classe em que se limitaram a esquivar às perguntas dos estudantes quando confrontados com o crescente número de licenciaturas e licenciados em EA. As respostas dadas pelos senhores engenheiros, giraram todas à volta de desculpas que não têm responsabilidade política para impedir a criação de novos cursos ( e aconselhar junto do Ministério do Ensino Superior, não????). Também se refugiaram na pouca representatividade que possuem em relação aos licenciados (como é que alguém se há-de inscrever na Ordem ou na APEA se não se sentem representados? Para pagar quotas? Não me parece.)

Já é tempo de começar a ter em conta que a maior parte das Universidades não passam de cooperativas que tentam sobreviver à custa da criação de novos cursos e cada vez mais estudantes, não garantindo muitas vezes a qualidade das licenciaturas que ministram. Por outro lado, enquanto não for definida uma especificidade para o Engenheiro do Ambiente (e.g. Técnico de Ambiente), a diferença entre uns e outro não vai existir e vai-se continuar a assistir a um açambarcamento dos nossos empregos por pessoas pouco qualificadas.

A noção que dá perante a posição de inércia do Colégio de Ambiente, é a de que estão tão agradecidos que nos tivessem deixado entrar na Ordem, que se sentem constrangidos em levantar muita poeira. (Ou então somos nós que estamos mal habituados a reivindicar quando algo está mal...) Meus senhores, basta de dizer AMÉN ao patrões dos lobbies do betão e dos reagentes químicos e começar a tomar conta dos seus!

Por fim gostaria de falar na pouca capacidade de reivindicação dos profissionais de Ambiente, que também devem ter uma palavra a dizer sobre estes assuntos, mas pouco ou nada se vê. Quando se fala tanto nas características de banda larga do nosso curso, parece que deixámos a nossa costela reivindicativa, tão própria dos biólogos, para um plano secundário com receio de ser confundidos como "verdinhos" ou "amantes dos passarinhos". Quer neste tema ou noutro qualquer relacionado com política do ambiente, deveria haver uma voz activa que deveria ser chamada para ser ouvida antes de qualquer tomada de decisão. Porque não constituir um Conselho de Ambiente que dissesse de sua justiça mesmo quando não consultado? Este Blog é um importante passo nesse caminho, disso não tenho quaisquer dúvidas.

Saudações Ambientalistas