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25 agosto, 2004
Cidadania e Ambiente
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20 agosto, 2004
"Ligações Temáticas" mais completas!
Este "post" serve apenas para informar que existe ao dispor de todos os utilizadores deste blogue uma listagem de temas ambientais com links para diversas páginas da maior utilidade para quem se interessa pelas questões ambientais.
Esta listagem denomina-se "Ligações Temáticas" e está situada no rodapé á direita do blog logo em baixo de "Pesquise este blogue".
Esta listagem foi recentemente actualizada com novas entradas (é de destacar a adição do tema "Eco Turismo") e alguns temas foram alterados, de forma a tornar a pesquisa ainda mais direccionada ao tema em questão.
Boas pesquisas!
19 agosto, 2004
"Impacts of Europe's Changing Climate"
Aconselho leitura de um documento extremamente interessante, editado recentemente pela EEA.
“Abstract:
The impacts of climate change on Europe's environment and society are shown in this report. Past trends in the climate, its current state and possible future changes are presented using 22 selected indicators. For almost all of these a clear trend exists and impacts are already being observed. The report highlights the need to develop strategies at European, national, regional and local level for adapting to climate change.”
“Abstract:
The impacts of climate change on Europe's environment and society are shown in this report. Past trends in the climate, its current state and possible future changes are presented using 22 selected indicators. For almost all of these a clear trend exists and impacts are already being observed. The report highlights the need to develop strategies at European, national, regional and local level for adapting to climate change.”
Descarregue directamente os documentos pdf que o compôem:
Boa leitura!
17 agosto, 2004
(Des)enquadramento paisagístico
Recentemente ao me deslocar no IC2 junto a Leiria fiquei simplesmente parvo! Deslocava-me no sentido Pombal-Leiria e não pude acreditar no que vi. O estádio municipal de Leiria, (re)construído propositadamente para o euro 2004 e o castelo de Leiria, património da cidade que data da primeira metade do séc. XII. O que se passa é que aquele psicadelismo aberrante de cores da autoria do arquitecto Tomás Taveira encontra-se ali mesmo junto a um castelo carregado de história!
Sinceramente tive dificuldade em tirar os olhos do estádio, seja pela imponência do estádio ou pelas suas cores! Mas isso não interessa. O que interessa é o enquadramento paisagístico, ou a falta dele, que não foi pensado e como tal não foi feito. O Sr. Tomás Taveira, reputado arquitecto deveria ter feito jus à sua profissão e projectado um estádio que, à falta de melhor localização, se enquadrasse com a paisagem circundante. Mas talvez andesse ocupado com outras coisas... Só tenho pena que a imagem, que data ainda da altura da construção, não exemplifique nitidamente o atentado paisagístico que ali ocorreu.
Quanto ao futuro, não auguro nada de bom. Talvez daqui a uns anos se pense em remodelar o castelo e dar-lhe umas cores vivas...para se enquadrar com o estádio! Ai se o D. Dinis visse isto!
Energias renováveis mais baratas que o petróleo
Desde que o preço do petróleo ultrapassou os 40 dólares por barril que a produção de electricidade a partir de fontes de energia renovável passou a ser competitiva em Portugal. O impacto das renováveis na tarifa eléctrica paga pelos consumidores ronda uma poupança de 0,2 por cento, indicam resultados preliminares de um estudo em curso para o Centro de Estudos em Economia da Energia, dos Transportes e do Ambiente (CEEETA).
De acordo com o mesmo trabalho, a preços de 2002 a utilização de energias renováveis na produção de electricidade encarecia a factura do consumidor em três por cento. Face à ideia instalada que a energia renovável "é cara", é a própria escalada dos preços do petróleo e do carvão e a factura energética agravada do país mais vulnerável da UE que a contrariam agora - Portugal importa 90 por cento da energia que consome e pagará este ano mais mil milhões de euros na importação de combustíveis fósseis. O que, para o ex- secretário de Estado do Ambiente e director do CEEETA, Carlos Pimenta, confirma que a "energia é um assunto de urgência nacional".
O país prepara-se para uma factura energética de, pelo menos, cinco mil milhões de euros este ano, quase 30 por cento mais do que em 2003, face à evolução dos preços do petróleo desde o início do ano.
Vêr notícia completa no Público
06 agosto, 2004
Sustentando o desenvolvimento?
"O termo mais famoso que temos hoje em dia, o tal do "desenvolvimento sustentável", me parece então um tanto quanto vazio. E por isto mesmo extremamente perigoso. Meu objetivo neste mês não é discutir quais seriam as soluções para nossas crises ambientais, assunto para fóruns de debate gigantescos, e sim chamar a atenção para o fato de que não devemos nos conformar ou ter a consciência tranqüila toda vez que ouvimos este termo em algum projeto ou empreendimento qualquer. Isto não quer dizer que todas as providências necessárias para preservar a natureza estejam sendo tomadas." Sugiro a leitura deste artigo de uma autora brasileira: Branca M. O. Medina - licenciada e bacharel em ecologia pela UFRJ e mestre em ecologia, conservação e manejo da vida silvestre pela UFMG.
04 agosto, 2004
Incoerência
Sinceramente não entendo! Mas afinal o que é que este "governo" quer para a floresta em Portugal? Deparo-me com notícias na comunicação social de que o "governo" pretende reforçar os meios disponíveis para o combate às chamas de forma a proteger a floresta e depois surgem notícias na mesma comunicação social de que os poderes sobre a RAN e a REN vão ser transferidos para as câmaras municipais (pretende o "governo" demarcar-se de algo que nunca soube gerir?) e de que áreas de protecção natural do P.N. Sintra-Cascais poderão vir a ser sacrificadas com dezenas de empreendimentos. Além disso encontra-se prestes a ser aprovado um plano de pormenor na costa vicentina (e em plena rede natura 2000) que visa a construção de uma zona turística de 80 000 m2! Mas afinal porque é que se anda a apagar fogos...
02 agosto, 2004
Uso de resíduos de cortiça para limpeza de materiais expostos a poluição
Os equipamentos expostos a céu aberto estão sujeitos a diferentes tipos de poluição atmosférica/ambiental e, é, por vezes, necessário realizar operações de limpeza. Esta tarefa é frequentemente difícil devido ao facto da maior parte deste equipamento estar situado em locais que não são de fácil acesso e o serviço ter de ser interrompido para se efectuarem essas mesmas operações de limpeza.
O equipamento instalado em centrais de produção de energia e nas linhas eléctricas aéreas está usualmente exposto a poluição salina e a deposição de poeiras (proveniente dos transportes, fábricas de cimento, actividades de construção, dejectos de pássaros,…). Estes tipos de poluição são fortes agentes de degradação e restringem a características dieléctricas dos isoladores eléctricos, que ficam com várias camadas depostas extremamente difíceis de remover através dos métodos usuais (projecção de água, escovamento). Alguns destes métodos possuem também outros inconvenientes, como sejam dificuldades operacionais, custo e outros.
Para se evitar a substituição dos isoladores eléctricos após curtos períodos de exposição ou a interrupção do serviço, é possível e adequado usar a projecção das partículas. Isto pode ser efectuado periodicamente, sem limite, uma vez que não altera as características dieléctricas dos equipamentos.
Sobre a cortiça (Naturlink)
O sobreiro vai a pouco e pouco desapareçendo em Portugal. O fogo tem devastado extensões consideráveis de montado em grande parte devido á incompetência dos nossos governantes. Para além desta causa mais óbvia verifica-se já há algum tempo um declínio constante do montado, cuja explicação científica podem encontrar aqui:
O declínio do montado - o caso da Serra de Grândola (Naturlink)Estaremos a ficar mais pobres?
29 julho, 2004
Algo está podre na República de Portugal
Mais um ano, mais dezenas de hectares ardidos. Não sou especialista na matéria, nem tenho disponibilidade para fazer uma investigação séria, juntando dados que seriam decerto úteis para a analise que farei de seguida. E por estes motivos, a melhor análise que poderei fazer é baseada no que tenho ouvido e lido nos meios de comunicação. Espero não acusar injustamente ninguém, mas isto é o que me vai na alma.
1. Reportagem televisiva sobre um incêndio algures em Portugal. Uma senhora, com o fogo ao pé de sua casa, aflita como será compreensível, refere que o seu filho começou, com um tractor, a limpar o mato à volta de casa assim que viu o fogo a aproximar-se perigosamente. Óbvio que esta acção deveria ter sido feita ao longo do Inverno, nesta e em todas as habitações com características idênticas e em áreas de risco. Houve informação às populações? Houve preocupação por parte das autoridades, para que isto fosse feito? Confesso que não sei.
2. Vários meios aéreos pesados (helicópteros e aviões Canadair) para combate a fogos foram solicitados a países da União Europeia (muitos deles também com incêndios activos). Não entrando em demagogias de submarinos e Euro2004, não seria já tempo de se investir a sério numa frota destes meios, para estarem em permanência em Portugal? Temos muitos assuntos graves para resolver e para a maior parte não há financiamento. Mas, não será esta uma prioridade comparável ao Sistema Nacional de Saúde, à Educação, à segurança social, entre outros?
3. Poucas foram as notícias ao longo do Inverno, sobre o que se estava a fazer para a prevenção de uma catástrofe, que muitos profetizavam poder ser pior do que a do ano passado. Se é verdade que muitos municípios puseram mãos à obra na abertura de quilómetros de caminhos, na instalação de torres de vigia, etc, decerto que a maioria - não esquecendo que estão sob a “lei marcial” de endividamento zero - não efectuou esta mesma prevenção.
4. Os Bombeiros representam o que de mais altruísta um ser humano pode fazer. São os verdadeiros heróis de toda esta tragédia. Mas não são nem milagreiros, nem isentos de atribuição de algumas culpas. Ou talvez o sejam... Mais uma vez, saliento que esta argumentação é pouco substanciada em dados concretos. Em conversa com um Chefe (?) da Guarda Florestal de um concelho do Algarve, pude ouvir os mais absurdos relatos de falta de meios e falta de preparação de bombeiros, serviços municipais e administração central. A titulo de exemplo, nos fogos do ano passado que assolaram o concelho de Silves, ao fim do primeiro dia o fogo já tinha “saído” das cartas que o comandante dos bombeiros no local disponha. Quando confrontado pelos pilotos dos meios aéreos sobre as coordenadas para lançar a água, a resposta foi um simples “lance onde vir fogo”.Será culpa das pessoas que abdicam do seu bem-estar para enfrentar as chamas? Ou será daqueles que as chefiam e tutelam administrativamente? Porque é que não existe em Portugal, brigadas aerotransportadas de bombeiros, à semelhança do que acontece por exemplo nos E.U.A, que são lançadas para sítios estratégicos do incêndio? Seria relevante para as nossas características orográficas e tipos de incêndio? Não sei. Mas preocupa-me que não seja o único. Porque é que quando se ouve falar em meios de combate a incêndios noutros países, são referidos meios não convencionais, como as bombas explosivas que são lançadas no meio do fogo a fim de criar uma zona “sem ar”- o ano passado confundidas com incendiários, tal é o conhecimento destes meios por terras Lusas - e por cá os meios restringem-se ao auto-tanque, à mangueira e ao arvoredo de circunstância para bater o fogo?
5. Ontem, fiquei muito mais descansado ao saber que mais 200 militares iriam ajudar no combate aos incêndios. Só me preocupa é que eles, coitadinhos, vão perder as “minis”, as cartadas e o dolce fare niente do quartel, que milhares de colegas disfrutam neste período estival. E que tal pôr mais desses senhores a fazerem alguma coisa de útil?
6. Há algum tempo, li no jornal que um incendiário do ano passado foi condenado a uma pena exemplar de cerca de 7 (se bem me lembro). As Nações Unidas, num relatório divulgado há poucos dias, sugerem a aplicação de penas pesadas aos incendiários, como meio de persuasão. Recordo que a maioria dos incendiários capturados ou tem problemas mentais e/ou baixa escolaridade. Pergunto-me, se penas pesadas servem de exemplo a alguém de meios rurais, que não leia jornais, que tenhas problemas mentais, ou cujo maior prazer seja ver a imensidão de um mar de chamas? Não me parece que esta possa ser um meio eficaz de prevenção.
7. O ano passado criou-se a Agência para as Florestas. Nomeou-se director e aprovou-se lei orgânica. O futuro director arranjou tacho como secretário de estado. A Agência, sem meios financeiros suficientes, está por ser aplicada na prática, já que no papel existe. A história é mais ou menos esta. Sem comentários.
8. Já alguém se lembrou, que de acordo com os cenários baseados nas Alterações Climáticas, a tendência é para períodos extremos cada vez mais quentes e secos no Verão? Isto é, a situação pouco extraordinária de temperaturas de 40ºC e baixa humidade, tem tendência a repetir-se cada vez mais e por mais tempo, de ano para ano? Não acham que está na altura de nos deixarmos de lamentar por causa da maldita natureza que nos oferece estes períodos extremos e potenciadores de incêndios, para os quais nenhum santo pode fazer milagres e adaptarmo-nos tecnicamente a estas situações?
9. Há 4 anos, juntamente com alguns colegas, fui um dos fundadores do Movimento de defesa do Pontal (MDP). O Pontal é uma área de cerca de 600 ha de pinhal no concelho de Faro e Loulé, parte da qual pertencente ao Parque Natural da Ria Formosa e parte fronteiriça à Universidade do Algarve. A título de exemplo, existe uma espécie vegetal endémica onde 90% da população mundial existe neste sítio. Para esta zona estiveram previstos alguns campos de golfe, felizmente inviabilizados em parte pela acção do MDP. Muito me orgulho do que fizemos e conseguimos evitar. Há dois anos parte do Pontal ardeu, chegando o fogo muito perto da Universidade. Imediatamente o magnífico Reitor mandou instalar bocas de incêndio no campus, um carro dos bombeiros em permanência no local e a Câmara de Municipal de Faro instalou uma torre de Vigia. Há dois dias o Pontal voltou a arder, destruindo bens materiais da Universidade. As bocas de incêndio não tinham pressão suficiente, os meios de combate eram poucos dada a situação catastrófica que se verificava no Algarve nesse mesmo dia. Apesar do que conseguimos é triste ver que, de repente, uma boa parte desse pinhal desapareceu. A título de curiosidade, sobretudo para quem conhece o local, o fogo iniciou-se junto da “Maxmat”, um armazém de materiais de construção e bricolage. Coincidência? Incúria? Será que a Polícia Judiciária se deu ao trabalho de investigar?
10. Continuo a defender que a base para uma sociedade equilibrada e saudável é a informação e a formação dos seus cidadãos. No meio disto tudo quem é que tem culpa? Custa-me culpar pessoas que não sabem porque ninguém lhes informou. Mas tenho menos preconceitos para aqueles que não querem saber ou que, sabendo, não se preocupam. Raramente alinho em teorias conspirativas, mas todos estes pontos têm um denominador comum: o Governo. Sejam de que partido forem, da esquerda à direita, os últimos anos metem nojo e começa a fartar tamanha incompetência.
Algo está podre na República de Portugal !
1. Reportagem televisiva sobre um incêndio algures em Portugal. Uma senhora, com o fogo ao pé de sua casa, aflita como será compreensível, refere que o seu filho começou, com um tractor, a limpar o mato à volta de casa assim que viu o fogo a aproximar-se perigosamente. Óbvio que esta acção deveria ter sido feita ao longo do Inverno, nesta e em todas as habitações com características idênticas e em áreas de risco. Houve informação às populações? Houve preocupação por parte das autoridades, para que isto fosse feito? Confesso que não sei.
2. Vários meios aéreos pesados (helicópteros e aviões Canadair) para combate a fogos foram solicitados a países da União Europeia (muitos deles também com incêndios activos). Não entrando em demagogias de submarinos e Euro2004, não seria já tempo de se investir a sério numa frota destes meios, para estarem em permanência em Portugal? Temos muitos assuntos graves para resolver e para a maior parte não há financiamento. Mas, não será esta uma prioridade comparável ao Sistema Nacional de Saúde, à Educação, à segurança social, entre outros?
3. Poucas foram as notícias ao longo do Inverno, sobre o que se estava a fazer para a prevenção de uma catástrofe, que muitos profetizavam poder ser pior do que a do ano passado. Se é verdade que muitos municípios puseram mãos à obra na abertura de quilómetros de caminhos, na instalação de torres de vigia, etc, decerto que a maioria - não esquecendo que estão sob a “lei marcial” de endividamento zero - não efectuou esta mesma prevenção.
4. Os Bombeiros representam o que de mais altruísta um ser humano pode fazer. São os verdadeiros heróis de toda esta tragédia. Mas não são nem milagreiros, nem isentos de atribuição de algumas culpas. Ou talvez o sejam... Mais uma vez, saliento que esta argumentação é pouco substanciada em dados concretos. Em conversa com um Chefe (?) da Guarda Florestal de um concelho do Algarve, pude ouvir os mais absurdos relatos de falta de meios e falta de preparação de bombeiros, serviços municipais e administração central. A titulo de exemplo, nos fogos do ano passado que assolaram o concelho de Silves, ao fim do primeiro dia o fogo já tinha “saído” das cartas que o comandante dos bombeiros no local disponha. Quando confrontado pelos pilotos dos meios aéreos sobre as coordenadas para lançar a água, a resposta foi um simples “lance onde vir fogo”.Será culpa das pessoas que abdicam do seu bem-estar para enfrentar as chamas? Ou será daqueles que as chefiam e tutelam administrativamente? Porque é que não existe em Portugal, brigadas aerotransportadas de bombeiros, à semelhança do que acontece por exemplo nos E.U.A, que são lançadas para sítios estratégicos do incêndio? Seria relevante para as nossas características orográficas e tipos de incêndio? Não sei. Mas preocupa-me que não seja o único. Porque é que quando se ouve falar em meios de combate a incêndios noutros países, são referidos meios não convencionais, como as bombas explosivas que são lançadas no meio do fogo a fim de criar uma zona “sem ar”- o ano passado confundidas com incendiários, tal é o conhecimento destes meios por terras Lusas - e por cá os meios restringem-se ao auto-tanque, à mangueira e ao arvoredo de circunstância para bater o fogo?
5. Ontem, fiquei muito mais descansado ao saber que mais 200 militares iriam ajudar no combate aos incêndios. Só me preocupa é que eles, coitadinhos, vão perder as “minis”, as cartadas e o dolce fare niente do quartel, que milhares de colegas disfrutam neste período estival. E que tal pôr mais desses senhores a fazerem alguma coisa de útil?
6. Há algum tempo, li no jornal que um incendiário do ano passado foi condenado a uma pena exemplar de cerca de 7 (se bem me lembro). As Nações Unidas, num relatório divulgado há poucos dias, sugerem a aplicação de penas pesadas aos incendiários, como meio de persuasão. Recordo que a maioria dos incendiários capturados ou tem problemas mentais e/ou baixa escolaridade. Pergunto-me, se penas pesadas servem de exemplo a alguém de meios rurais, que não leia jornais, que tenhas problemas mentais, ou cujo maior prazer seja ver a imensidão de um mar de chamas? Não me parece que esta possa ser um meio eficaz de prevenção.
7. O ano passado criou-se a Agência para as Florestas. Nomeou-se director e aprovou-se lei orgânica. O futuro director arranjou tacho como secretário de estado. A Agência, sem meios financeiros suficientes, está por ser aplicada na prática, já que no papel existe. A história é mais ou menos esta. Sem comentários.
8. Já alguém se lembrou, que de acordo com os cenários baseados nas Alterações Climáticas, a tendência é para períodos extremos cada vez mais quentes e secos no Verão? Isto é, a situação pouco extraordinária de temperaturas de 40ºC e baixa humidade, tem tendência a repetir-se cada vez mais e por mais tempo, de ano para ano? Não acham que está na altura de nos deixarmos de lamentar por causa da maldita natureza que nos oferece estes períodos extremos e potenciadores de incêndios, para os quais nenhum santo pode fazer milagres e adaptarmo-nos tecnicamente a estas situações?
9. Há 4 anos, juntamente com alguns colegas, fui um dos fundadores do Movimento de defesa do Pontal (MDP). O Pontal é uma área de cerca de 600 ha de pinhal no concelho de Faro e Loulé, parte da qual pertencente ao Parque Natural da Ria Formosa e parte fronteiriça à Universidade do Algarve. A título de exemplo, existe uma espécie vegetal endémica onde 90% da população mundial existe neste sítio. Para esta zona estiveram previstos alguns campos de golfe, felizmente inviabilizados em parte pela acção do MDP. Muito me orgulho do que fizemos e conseguimos evitar. Há dois anos parte do Pontal ardeu, chegando o fogo muito perto da Universidade. Imediatamente o magnífico Reitor mandou instalar bocas de incêndio no campus, um carro dos bombeiros em permanência no local e a Câmara de Municipal de Faro instalou uma torre de Vigia. Há dois dias o Pontal voltou a arder, destruindo bens materiais da Universidade. As bocas de incêndio não tinham pressão suficiente, os meios de combate eram poucos dada a situação catastrófica que se verificava no Algarve nesse mesmo dia. Apesar do que conseguimos é triste ver que, de repente, uma boa parte desse pinhal desapareceu. A título de curiosidade, sobretudo para quem conhece o local, o fogo iniciou-se junto da “Maxmat”, um armazém de materiais de construção e bricolage. Coincidência? Incúria? Será que a Polícia Judiciária se deu ao trabalho de investigar?
10. Continuo a defender que a base para uma sociedade equilibrada e saudável é a informação e a formação dos seus cidadãos. No meio disto tudo quem é que tem culpa? Custa-me culpar pessoas que não sabem porque ninguém lhes informou. Mas tenho menos preconceitos para aqueles que não querem saber ou que, sabendo, não se preocupam. Raramente alinho em teorias conspirativas, mas todos estes pontos têm um denominador comum: o Governo. Sejam de que partido forem, da esquerda à direita, os últimos anos metem nojo e começa a fartar tamanha incompetência.
Algo está podre na República de Portugal !
28 julho, 2004
Fogo na Arrábida
O incêndio da Arrábida ensina-nos que o fogo pode fazer parte da vida da floresta, mas que para isso ela deve estar ordenada e livre das construções que fazem com que os bombeiros não se ocupem do essencial: salvar santuários naturais únicos
O incêndio que percorreu a Serra da Arrábida nos últimos dias causou natural pânico e ansiedade. A Arrábida é uma das jóias mais belas do nosso património natural, foi a primeira área natural a ser protegida legalmente, o movimento ambientalista nasceu na luta de alguns pioneiros (já lá vão algumas décadas...) primeiro contra as pedreiras que feriam a serra, depois contra a estrada que hoje liga as praias da Figueirinha e do Portinho. Por isso, quando se ouve dizer que a serra está a arder, os corações inquietam-se(...).
Ler o artigo completo no Público
Autor:José Manuel Fernandes
O incêndio que percorreu a Serra da Arrábida nos últimos dias causou natural pânico e ansiedade. A Arrábida é uma das jóias mais belas do nosso património natural, foi a primeira área natural a ser protegida legalmente, o movimento ambientalista nasceu na luta de alguns pioneiros (já lá vão algumas décadas...) primeiro contra as pedreiras que feriam a serra, depois contra a estrada que hoje liga as praias da Figueirinha e do Portinho. Por isso, quando se ouve dizer que a serra está a arder, os corações inquietam-se(...).
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Autor:José Manuel Fernandes
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