13 fevereiro, 2004

O estado da água doce em portugal - Diagnóstico e desafios

A água é um bem precioso


"Nos últimos anos ocorreram profundas mudanças nas políticas e processos de gestão da água em Portugal, acompanhado a dinâmica mundial, com um notório destaque para a influências das políticas da União Europeia. Neste Ano Internacional da Água Doce, a Liga para a Protecção da Natureza integra nas suas actividades uma óbvia reflexão sobre o estado da água doce em Portugal, incidindo sobre os aspectos da qualidade e da quantidade de água e da participação da sociedade civil na gestão da água doce, com especial incidência no papel das Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA).

Para cada um destes temas, é efectuado um enquadramento geral e um diagnóstico, são apontados aspectos positivos e negativos e sublinham-se os novos desafios. É ainda fornecida uma listagem de documentos e legislação considerados importantes neste domínio, que poderão também ser encontrados on-line na página de Internet da Liga para a Protecção da Natureza".

É um artigo muito útil e interessante!

Fonte: LPN

11 fevereiro, 2004

"O país caminha para o Sul para apanhar sol, mas não caminha para apanhar energia" (Jorge Sampaio)

Por falar em Presidente, Energia Eólica, ICN, Ambientalistas e caracóis....

Sugiro consulta ao artigo "Sampaio Apela ao Uso das Energias Renováveis"do Público de Hoje.

10 fevereiro, 2004

Caracóis de 3 cornos e energia eólica

Na edição do jornal “Público” de 9 de Fevereiro, a primeira página dava destaque ao título “Portugal precisa de um parque eólico por semana para cumprir metas”, com uma foto de página inteira de um aerogerador. De imediato pensei que esta edição iria dar destaque à questão energética de Portugal, abordando-a e explorando-a com a qualidade a que este jornal nos tem habituado. Mas ao mesmo tempo que lia o pequeno texto da capa, duas palavras surgiram-me no pensamento: Energia solar.

Primeiro, qual não foi o meu espanto quando, depois de folhear 30 páginas (sem contar com suplementos e páginas centrais de numeração diferente...), encontrei finalmente a questão eólica. Ao mesmo tempo, a energia solar afundava-se no pensamento já que tinha reparado que ao lado do artigo principal, surgia um de título “Energia solar em compasso de espera”. Como se diria em Inglês: “I rest my case”.

Quanto ás opções editoriais do jornal não me vou pronunciar, mas admiro-me do seu editor não ter regurgitado umas palavrinhas pseudo jornalísticas sobre o assunto no seu Editorial diário. Questões laterais.... A questão principal é realmente ser necessário construir um parque eólico com cinco aerogeradores por semana, nos próximos sete anos, para poder cumprir uma Directiva que obriga Portugal a que, em 2010, 39 por cento da energia consumida no país seja proveniente de fontes renováveis. O artigo segue e soma: “Com as perspectivas de crescimento no consumo e as limitações para a construção de novas barragens, os parques eólicos são a única alternativa.” Sem comentários.

Prosseguimos com o Exmo. Sr. Dr. Sá da Costa (presidente da APREN) a dizer que “há promotores interessados e há zonas com vento suficiente para tantos parques eólicos. Mas há também estrangulamentos que tornam esta meta inatingível”. Ou seja, mesmo que os nossos decisores políticos, num momento inspirado de estupidez pensassem construir um parque eólico com cinco aerogeradores por semana, nos próximos sete anos, não havia problema porque há promotores interessados. Porreiro. Mas pronto, só não acontece por causa dos estrangulamentos. Só queria partilhar com os leitores que este senhor foi o mesmo que, há cerda de dois anos, num conferência sobre energias renováveis organizada pelo Núcleo de Ambiente da Universidade do Algarve, se queixava que os “ambientalistas” (as pessoas, não o blogue) só se preocupavam com os caracóis de três cornos e não permitiam construir mais parques eólicos. O mais ridículo é que o bicho existe mesmo! Não o senhor Sá da Costa, o caracol de três cornos. Mas enfim, eu só ficaria chocado com esta visão empresarial se o senhor não fosse presidente de uma Associação de Produtores independentes.

Todo o artigo é falso na sua premissa fundamental. As energias renováveis não são só parques eólicos. Portugal tem, em termos naturais, das melhores condições para a aplicação de variadas tecnologias. Desde a eólica, solar, marés, até ao Hidrogénio. A directiva cumprir-se-á se se pensar nestas todas, não só em 5 parques por semana. Já para não falar da resolução do problema a montante: a redução, e economização de energia.

Este artigo do Público aborda um problema, apresenta uma solução, consulta uma pessoa e ponto final. Se a universidade me ensinou alguma coisa é que nenhum problema tem uma só solução, e que não existem almas iluminadas detentoras da verdade.

Não sendo adepto de teorias conspirativas (à Pacheco Pereira) sobre a manipulação e o poder dos media, este artigo tocou-me. Muito boa gente terá ficado a pensar que só não existe mais parques eólicos, porque os sacripantas do ministério do ambiente não deixam. E os bons dos produtores independentes cheios de boa vontade para ajudar o país.

Quanto ao despacho conjunto dos ministros da Economia e das Cidades espero que outros digníssimos colegas bloguistas peguem no tema....


PS: Além dos temas abordados neste post, temos a questão de que para o cumprimento desta e de outras directivas (ou Convenções, protocolos, etc) se começar a instalar em Portugal o sentimento que os fins justificam os meios. Sugiro uma rápida consulta ao arquivo de notícias de Janeiro de 2004, especificamente aos comentários do artigo “Maior central de energia solar do mundo vai ser instalada na Amareleja”




O Presidente vai nu

Neste preciso momento, no telejornal da RTP, o nosso Presidente da República (PR) passeia no Parque Natural da Serra de Aires e Candeeiros, tendo como cicerone José Alho, Galopim de Carvalho, entre outros. O passeio é na Pedreira do Galinha, num radiante dia de sol. Mais uma vez, sua Excelência o P.R. refere que temos imensa legislação no país mas que ninguém a cumpre, porque há falta de fiscalização. Mas, senhor Presidente. Eu até admitiria ouvir tais afirmações dum qualquer proletário alheio à realidade e sem qualquer tipo de poder, além do seu voto de 4 em 4 anos. Mas?!!? Sua Excelência é simplesmente o Presidente da República Portuguesa! De si esperaria mais do que simples lamentos semanais como se nada tivesse a ver com o assunto. Não tem Sua Excelência reuniões semanais com o nosso primeiro-ministro?! De certo que seria uma boa oportunidade de exprimir as suas preocupações. Ou até mesmo de exercer diplomaticamente pressão sobre o governo para repensar todo a fiscalização ambiental (e não só) existente. Apesar de não saber o que Vossa Exa. discute nas suas reuniões, parece-me que se o assunto já tivesse sido abordado, não necessitaria de o referir sempre que tem câmaras de televisão à frente. E também andar a homologar leis todas as semanas, para ninguém cumprir é uma tarefa ingrata. Saia mais vezes do seu palácio, do género presidência aberta, e vá passear. Das últimas vezes “descobriu” que as leis não se cumprem em Portugal. Podia ser que da próxima descobrisse que existe corrupção, que o crime compensa, que temos governantes patéticos, que a saúde, o ensino, a justiça, a agricultura, as pescas, etc. etc. vão de mal a pior. E assim até tinha mais coisas para se lamentar, à boa maneira “Tuga”. Pois é Sr. Presidente da República, isto do País real tem muito que se lhe diga.E logo vossa Exa. por quem eu tenho tanto respeito...

Estreia de novo colaborador

Esta é uma estreia neste blog. Posso apenas dizer que "melhorar o ambiente é ser inteligente"

Faz do mar tabua rasa

09 fevereiro, 2004

Site do Instituto do Ambiente

O site do Instituto do Ambiente está com novo visual. Provavelmente terá também novas funcionalidades que não tive ocasião de confirmar. Passem por lá!

Podem aceder aqui

07 fevereiro, 2004

What a fine day...for Science!

Fui assaltado na semana passada pelo título de uma notícia que me deixou bastante intrigado: "Cientistas franceses revoltam-se na rua". Ao ver a foto que acompanhava o artigo (publicado no já por aqui habitual PÚBLICO) pensei: uma manifestação de cientistas? Com faixas, cartazes, cânticos a condizer e tudo? Muito bem!

A notícia dava conta que «milhares de cientistas, professores, engenheiros e estudantes se tinham manifestado no dia 29 de Janeiro em Paris, contra um programa governamental que dizem provocar a pauperização da investigação científica e uma fuga de cérebros para os EUA.»

«Uma petição lançada pelo colectivo "Salvar a Ciência" para denunciar a "asfixia financeira" da ciência já recolheu 31 mil assinaturas no mundo científico. Entre os assinantes, mais de metade dos directores de unidades de investigação e de laboratórios ameaçam demitir-se se o Governo não recuar - o que provocaria uma situação de caos na ciência, em França, e seria um golpe fatal para o futuro desenvolvimento do país.»

Será que os cientistas portugueses, face a um Governo tão padrasto para a Ciência (se bem que face ao anúncio do novo investimento para a Ciência, esta ideia esteja um pouco apaziguada - devia ter escrito este artigo aqui há pouco tempo atrás, bolas!), prosseguindo, será que os nossos cientistas e investigadores tinham coragem para agir da mesma forma? Eu gostaria de pensar que sim, já chegou a altura do Governo assumir (e não perceber, porque eles já percebem) a importância que a Ciência tem para o desenvolvimento de uma Nação. É absolutamente crucial!

Outro aspecto que achei interessante foi este: «Cada ano, milhares de cientistas franceses emigram para os EUA, onde são acolhidos de braços abertos, com salários quatro vezes mais elevados, e sobretudo condições de trabalho e orçamentos de funcionamento sem qualquer comparação com os praticados em França.» Imaginem se fizermos a comparação com Portugal!!

Mais: «Há actualmente 400 mil cientistas europeus a trabalhar nos EUA, enquanto o défice calculado de cientistas na União Europeia é de 700 mil investigadores.». Ridículo na minha opinião, numa Europa que quer constituir uma força de equilíbrio face aos EUA.

Moral da história: face ao tratamento que o Governo português dá à Ciência, cabe também aos cientistas lutar para que se criem as condições necessárias para um desenvolvimento sustentado da Ciência em Portugal (e de forma indirecta na Europa). Basta de vermos os nossos melhores valores nacionais contribuirem para o PIB de outros países! Esta é uma de muitas formas de lutar contra a crise instaurada.

Fonte: PÚBLICO de 30 de Janeiro

06 fevereiro, 2004

A "educação ambiental" também se faz com medidas destas

Brazil, Rio de Janeiro

Um Decreto do prefeito Cesar Maia, tornará obrigatória a construção, em novos prédios, de reservatórios para reter temporariamente e armazenar água de chuva. A água poderá ser reaproveitada para usos não potáveis, como lavar veículos e calçadas e regar jardins. A medida atinge edificações residenciais, comerciais e industriais com mais de 500 metros quadrados de superfície impermeabilizada (telhado e trechos cimentados ou asfaltados em volta dos edifícios). As casas ficam de fora.

Um dos objetivos do decreto é o de ajudar a prevenir inundações.
Outro, é começar a criar a cultura da economia de água - diz o Secretário Municipal do Urbanismo , Alfredo Sirkis.

A capacidade dos reservatórios será calculada por uma equação que leva em conta a área impermeabilizada e os índices pluviométricos do lugar.

In Jornal do Meio Ambiente

Fonte: Versão impressa (Jornal O Globo 02/2004).

Poderemos nós continuar a pensar que ainda não precisamos poupar água?
Será esta uma boa medida? Não teria ela efeitos secundários se aplicada á maioria das cidades Portuguesas?

Está aberta a discussão!

05 fevereiro, 2004

Será que ainda há esperança para a ciência em Portugal?

O Governo tenciona atribuir 12 mil bolsas de formação para jovens licenciados e doutorados já em Julho, anunciou hoje a ministra da Ciência e do Ensino Superior.
Maria da Graça Carvalho falava no final da primeira reunião do Conselho Superior de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada na residência oficial do primeiro-ministro, e em que foram debatidas as linhas-gerais de duas novas iniciativas estratégicas para a ciência e investigação.

"Pensamos no início de Julho avançar com as bolsas", afirmou a ministra da Ciência e do Ensino Superior, acrescentando que o Governo terá de apresentar, até Março, um "programa detalhado" sobre estas duas iniciativas, que serão principalmente financiadas com fundos comunitários.

Fonte: Ministério da Ciência e do Ensino Superior
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02 fevereiro, 2004

Ligações temáticas - Novo tema disponível: Gestão do Litoral

Era imperativo que este tema constasse dos temas disponíveis para consulta aqui n'Os Ambientalistas. Estava a ter alguma dificuldade em encontrar um conjunto interessante de links, mas obtive uma preciosa ajuda: O Professor Alveirinho Dias criou a página da cadeira de Gestão do Litoral da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente (Universidade do Algarve). Muito obrigado Sr. Professor!

A problemática da Gestão das zonas costeiras é ampla e complexa. O funcionamento dos sistemas naturais, as interferências causadas pelas actividades antrópicas, as modificações climáticas, e as preocupações com a sustentabilidade da exploração racional desses sistemas são algumas das questões a discutir quando se aborda este tema.

Vamos discuti-lo?